Equipe Brazilian Storm participa da FIRST Robotics Competition e reforça protagonismo juvenil e incentivo à ciência
Pela primeira vez, estudantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Campus São José dos Campos participaram de uma etapa internacional da FIRST Robotics Competition, realizada entre os dias 8 e 11 de abril, em Miami, nos Estados Unidos. A presença no evento marca um momento histórico para o projeto Clube de Ciências e Robótica Meninas nas Exatas SJC, consolidando o protagonismo estudantil e o incentivo à ciência, tecnologia e inovação.
A equipe, denominada Brazilian Storm, foi formada por sete estudantes do curso técnico em Mecânica integrado ao ensino médio. Integram o time Emanuel Velasco Rodrigues, Fernando de Oliveira Penaforte, Kleuson Lucas Arteiro Pereira, Marcelly Cardoso Ramos de Morais e Pérola Silva dos Santos, todos com 16 anos e matriculados no 2º ano. Também fazem parte Lucas Ribeiro e Silva e Miguel Rosa Cardoso, ambos com 17 anos, estudantes do 3º ano, e coodenada pela profesora Maria Tereza Fabbro que também é idealizadora dos projetos Clube de Ciências e Meninas nas Exatas e Jovens Cientistas.
A seleção dos participantes considerou o desempenho ao longo da temporada, com critérios como frequência mínima de 70%, engajamento, comprometimento e evolução individual, além da função exercida por cada integrante na equipe. A preparação exigiu intensa dedicação técnica e organizacional, especialmente no desenvolvimento e nos testes do robô utilizado na competição.
Entre os principais desafios enfrentados esteve a gestão do tempo. Conciliar as demandas escolares com a preparação técnica exigiu disciplina e organização, contando com o apoio fundamental dos professores do IFSP.
Embora não tenha conquistado premiação, a equipe alcançou um bom desempenho, posicionando-se à frente de grupos experientes. Um dos destaques foi a apresentação de uma manifestação cultural brasileira relacionada ao conceito de “Gracious Professionalism”, que foi adotada por outras equipes e mencionada pelo narrador do evento, ampliando a visibilidade internacional do grupo.
A participação internacional também reforça o protagonismo feminino nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), uma das bases do projeto Meninas nas Exatas e Jovens Cientistas, que atua em parceria com a equipe desde o início de 2025.
Na prática, o projeto é resultado de uma colaboração entre o IFSP, a Escola Estadual Alceu Maynard Araújo e a Associação Joseense para Apoio à Pesquisa e Ensino em Tecnologia (AJAPET). A escola estadual funciona como sede das atividades, abrigando o Clubinho de Robótica, realizado aos sábados com estudantes do 6º ao 9º ano, além de oferecer infraestrutura para o desenvolvimento dos projetos.
O modelo de atuação promove um ciclo formativo contínuo: estudantes do IFSP integram a equipe competitiva e também atuam como mentores de alunos mais jovens, fortalecendo valores como inclusão, equidade e respeito.
A viabilização da participação internacional contou com o apoio de patrocinadores, responsáveis por custear despesas como inscrição e deslocamento. O IFSP também contribui institucionalmente, por meio de editais de apoio a discentes.
A expectativa é de continuidade. O grupo pretende participar de novas competições e expandir suas ações, ampliando o alcance da formação científica e tecnológica de jovens.
Para Fernando de Oliveira Penaforte, a experiência vai além da competição. “A iniciativa dos times Brazilian Storm e Sanja Storm é excepcional. Tornar uma competição de robótica acessível, sediada em escola pública e aberta a diferentes estudantes, nos dá clareza sobre caminhos profissionais. Aprendemos a desenvolver projetos, apresentar ideias e nos conectar com empresas, o que abre portas para o futuro”, afirma.
Já Pérola Silva dos Santos destaca o aprendizado coletivo. “Estar nessa disputa em Miami foi uma experiência incrível e um marco importante para o nosso time. Sabíamos que o nível seria alto, então focamos ao máximo em testar o nosso robô. Tivemos um bom desempenho e ficamos bem colocados. O maior ganho foi a troca de experiências e o aprendizado. Voltamos com novas ideias para melhorar o projeto. Nada disso seria possível sem o apoio de familiares, mentores, patrocinadores e, especialmente, do Instituto Federal de São Paulo”, relata.
A participação na competição internacional simboliza mais do que um avanço técnico: representa a construção de oportunidades, o fortalecimento da educação pública e a certeza de que investir em jovens talentos é apostar em futuros possíveis.