24 de junho de 2024

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Agência Minas Gerais | Campanha, no Sul de Minas, recebe força-tarefa contra o HLB/greening

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Com o objetivo de minimizar os danos causados pelo HLB/greening à cultura de citros no estado, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), autarquia vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), desenvolve uma força-tarefa na cidade de Campanha, no Sul de Minas. 

Na ação, técnicos do IMA vão às propriedades identificar a doença e notificar produtores, dando um prazo para a regularização. A iniciativa teve início na segunda-feira (18/3) e conta com o apoio de associações, sindicatos e prefeitura municipal.

A sigla HLB vem do nome de origem chinesa Huanglongbing, mas a praga também é conhecida como greening ou amarelão, doença que acomete citros e plantas de murta. 

Transmitida por um vetor, o psilídeo – espécie de cigarra de cerca de três milímetros – , a bactéria ataca os vasos principais da planta e, por isso, se distribui muito rápido. Por isso a poda não é suficiente para que o vegetal sobreviva. Quando atacada pelo HLB, a planta precisa ser erradicada.

Por ser fatal e trazer inúmeros prejuízos para o setor, o IMA elaborou, no fim de 2023, um projeto piloto na região Sul do estado, onde a produção citrícola se destaca. 

Para essa ação, o instituto reuniu produtores rurais, prefeituras e órgãos correlatos ao assunto, como Emater e Epamig, e estabeleceu dez metas, entre elas o incentivo ao cadastro de produtores no IMA.

Resultados

O resultado desta primeira etapa foi a regularização de mais de 30 produtores rurais de citros da região, que realizaram seus cadastros no IMA. Este trabalho em conjunto não rendeu sequer um auto de infração.

O cadastro no IMA, além de ser exigência legal, permite que o órgão monitore as produções no estado e, assim, consiga conter possíveis focos da doença. O estado tem algumas regiões críticas, aquelas que produzem tangerina, cultura mais atingida pela praga. 

Estão entre as áreas com maior incidência do HLB o Triângulo Mineiro, o Sul de Minas, o Alto Paranaíba, a Zona da Mata e a região Central do estado. A cidade de Belo Vale, na região Central do estado, é a que mais sofre por ser grande produtor de tangerina, já a área com menor incidência é o Triângulo Mineiro.

O controle do vetor da doença pode ser feito com a aplicação de agrotóxicos nos pomares. O produto deve ser indicado por um engenheiro agrônomo por meio do receituário agronômico, que deve acompanhar a aplicação, como exige a legislação.

Fiscalização

O trabalho do IMA é fiscalizar as propriedades em regiões com maior incidência da praga para verificar se estão sendo adotadas as medidas sanitárias previstas em lei. 

O órgão também faz o levantamento fitossanitário nessas regiões para tomar as medidas protetivas o quanto antes, além de trabalho de conscientização dos produtores e entidades de classe do setor.

A recomendação oficial é que o produtor vistorie seu pomar de forma recorrente, porém a legislação exige que haja uma vistoria documentada trimestralmente nos municípios em que há a ocorrência do HLB e nos municípios limítrofes. 

Para isso, o produtor deve contratar um engenheiro agrônomo que tenha passado pelo curso de CFO, ministrado pelo IMA. 

Há cada seis meses, o produtor deve enviar ao órgão um relatório com as informações desta vistoria. O relatório referente ao primeiro semestre deve ser enviado até 15/7 e as do segundo semestre, até 15/1 do ano subsequente.

Impactos no setor

O impacto da presença do HLB/greening na produção citrícola é grande. O fruto, tanto para indústrias, quanto para a mesa do consumidor não tem saída no mercado. Não é possível acabar com a doença, porém é possível, por meio do monitoramento das plantações, diminuir a incidência da praga, diminuindo as perdas dos produtores.

Para se ter uma ideia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em 2022, o setor citrícola brasileiro movimentou mais de R$ 14 milhões. No mesmo ano, Minas Gerais foi responsável por pouco mais de R$ 1 milhão, sendo o segundo maior produtor de laranja do país, ficando atrás, apenas, de São Paulo, com quase R$ 11 milhões.

Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), em 2023 o cinturão citrícola, composto por São Paulo, Triângulo Mineiro e Sudoeste de Minas produziu o equivalente a 314 milhões de caixas de laranja. 

A previsão para 2024 é de 307 milhões de caixas da fruta, uma queda de 0,7%. Ainda segundo o Fundecitrus, a incidência do greening é, também, um dos fatores que explicam a baixa na estimativa de produção deste ano.

A doença

Um dos grandes perigos do HLB/greening é que a planta pode permanecer assintomática pelo período de seis meses a dois anos, dificultando a detecção da doença. Quando se manifesta, a doença pode ser identificada por ramos mais amarelados, o que os técnicos chamam de mosaico, onde é possível identificar diversas colorações de verde dentro de uma mesma folha de forma simétrica nos lados direito e esquerdo. Já no fruto, há uma deformação em que um dos lados fica maior que o outro e as sementes estão abortadas.

Uma outra característica da doença é a preferência dos vetores por folhas mais jovens. 

Por isso, o período de chuvas, quando há mais brotos, é o mais propício para a contaminação. Se o período de maior contaminação pelo HLB é o período chuvoso, o que mais se percebe a doença é o período de seca, quando a planta, em estado de estresse, consegue mostrar os sintomas com maior facilidade.

O trânsito de vegetais é uma das grandes preocupações do IMA, pois as mudas contaminadas, quando transportadas de um lugar para o outro, podem disseminar a doença. 

A doença se alastra pelo chamado “efeito raio”, que, a partir de um ponto central, atinge o entorno das plantações por meio da disseminação natural, ou seja, o psilídeo instalado em determinado local voa e procura outras áreas próprias para sua instalação.

Caso haja suspeita de HLB em áreas de incidência da praga, o produtor deve entrar em contato com o responsável técnico de sua produção, um engenheiro agrônomo, que fará a vistoria das plantas e, se confirmada a doença, deve proceder com a erradicação. 

Em áreas em que não há histórico da doença, o produtor deve procurar o IMA imediatamente. Se o diagnóstico for positivo, o IMA comunica a toda a cadeia produtiva da região para que todos adotem as medidas sanitárias necessárias.

Produtores que vão trazer mudas de outros estados do Brasil devem, antes, entrar em contato com o IMA e solicitar autorização. 

 

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