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Prefeitura do Rio apresenta ações para possível intensificação do El Niño – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

Município faz balanço de ações já realizadas, em andamento e futuras para prevenção aos acidentes climáticos

Diante da possibilidade de intensificação do El Niño e de seus possíveis reflexos sobre aumento de temperatura e intensificação de chuvas, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, apresentou, nesta segunda-feira (20/07), a estrutura de prevenção, monitoramento e pronta resposta da cidade para enfrentar eventuais impactos do fenômeno climático. As projeções apresentadas indicam 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro, novembro e dezembro, com possibilidade de seus efeitos se estenderem pelo verão.

Mais de 50 órgãos e agências municipais atuam de forma integrada, apoiados por sistemas de monitoramento em tempo real, cerca de 50 protocolos operacionais e um conjunto permanente de investimentos em infraestrutura, prevenção de enchentes, contenção de encostas, ampliação das áreas verdes e enfrentamento ao calor extremo.

A coletiva de imprensa, realizada no Centro de Operações e Resiliência (COR), contou com a participação das secretarias municipais de Meio Ambiente, Infraestrutura, Conservação, Saúde, Comlurb e Defesa Civil.

— Estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão, porque esse é um dos efeitos desse super El Niño. Somos uma cidade de clima tropical, úmido, com chuvas intensas, com calor intenso e a gente não consegue impedir que o El Niño tenha efeitos sobre o clima do Rio. Mas temos grandes obras de infraestrutura, como o PAC no Jardim Maravilha, PAC em Acari, na Maré, na Rocinha e o PAC em Realengo, com a construção de dois piscinões, um já em andamento e outro em fase de projeto de expansão. São áreas mais sensíveis, mais sujeitas a eventos extremos e riscos no próximo verão. Todas as ações são feitas justamente para minimizar os impactos desse fenômeno, com estratégias de prevenção, treinamento permanente e contínuo da Defesa Civil, integração dos órgãos e as subprefeituras envolvidas — disse o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.


Rio: uma cidade que se prepara antes da emergência

A capacidade de resposta da cidade passa pelo Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, com monitoramento meteorológico realizado. A cidade conta com radares próprios, pluviômetros, estações meteorológicas e sistemas de acompanhamento de núcleos de chuva, raios e riscos de deslizamentos.

Um novo avanço ocorreu em 2024, com a criação do Protocolo de Calor, que estabeleceu uma metodologia própria para monitorar os impactos das altas temperaturas e definir níveis progressivos de mobilização da Prefeitura. O sistema combina informações meteorológicas e indicadores de saúde para orientar as decisões do poder público e proteger principalmente as populações mais vulneráveis. Tudo isso sendo gerido pelo Comitê De Desenvolvimento de Protocolos para Enfrentamento de Calor Extremo.


Rio tem iniciativas contra o calor

O planejamento combina informações climáticas e dados de saúde para orientar as decisões do poder público, com atenção especial às populações mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua.

A estratégia, reconhecida internacionalmente com o prêmio Bloomberg Philanthropies Mayors Challenge, estabelece níveis de resposta conforme a intensidade e a duração das altas temperaturas, permitindo à rede municipal adotar medidas preventivas, assistenciais e intersetoriais. Os níveis são monitorados pelo Alerta Rio, por meio de um painel e de um sistema de alerta precoce desenvolvido pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS)

São cinco níveis de risco (Calor 1 a Calor 5), definidos pelo índice de calor, que combina temperatura e umidade relativa do ar, e pelo tempo de permanência dessas condições. A classificação considera ainda modelos de previsão para os três dias seguintes, atualizados a cada quatro horas.

A cada mudança de nível, o Centro de Operações Rio comunica a população pelos canais oficiais. O monitoramento meteorológico é feito de forma integrada pelo COR e pela SMS, que também acompanha os indicadores epidemiológicos e assistenciais relacionados aos impactos do calor.

Entre as ações previstas estão o fortalecimento da comunicação de risco, a orientação da população e a preparação das unidades de saúde, com treinamento específico dos profissionais das unidades de urgência e emergência e da Atenção Primária. O protocolo também fortalece a vigilância das arboviroses, por meio do monitoramento contínuo de casos.

A estratégia inclui pontos de resfriamento e ações permanentes de adaptação climática. Clique aqui as ações da Prefeitura do Ri de acordo com os níveis de calor: https://cor.rio/niveis-de-calor/ 

As ações ambientais da Prefeitura do Rio também ajudam a mitigar o calor. O programa Refloresta Rio já plantou mais de 10,8 milhões de mudas, além de contar com o mutirão de reflorestamento e o Planta+Rio, que tem a meta de plantar mais de 200 mil mudas até 2028, pedidas pela população pela Central 1746.

Atualmente, a cidade conta com 41% do seu território protegido por Unidades de Conservação. Recentemente, foram criadas duas unidades, que deram início ao começo da implantação do Corredor Azul: o Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) das Florestas de Jacarepaguá e a Área de Proteção Ambiental das Lagoas de Jacarepaguá (APA).

Outros dois programas da Secretaria de Meio Ambiente e Clima (SMAC) colaboram para os períodos de seca e chuva. O Guardiões dos Rios seleciona moradores das comunidades que ajudam a cuidar dos rios, enquanto o programa Guardiãs das Matas busca lideranças comunitárias femininas para educação ambiental.


Parques: áreas de refrescamento contínuas

Nos últimos anos, a Prefeitura do Rio investiu na entrega de grandes Parques Urbanos, que ampliam a cobertura de vegetação da cidade, além de oferecer conforto térmico aos cariocas. As iniciativas acontecem em toda a cidade, mas sobretudo nas Zonas Norte e Oeste, áreas mais quentes da cidade.

Na Zona Norte, a Prefeitura do Rio inaugurou o Parque Carioca Pavuna. Próximo à comunidade do Chapadão, um antigo terreno baldio foi transformado num espaço arborizado. Já o Parque Piedade ocupa o antigo campus da Universidade Gama Filho, com um espaço arborizado com parque aquático e cachoeira artificial, áreas de lazer, entre outras benfeitorias. A Zona Norte conta ainda com o Parque Madureira Mestre Monarco. Inaugurado em 2012, o Parque atravessa os bairros de Madureira, Turiaçu, Rocha Miranda, Honório Gurgel e Guadalupe.

Na Zona Oeste, em Realengo, foi entregue o Parque Susana Naspolini, uma imensa área verde para a população, com novas árvores e manutenção das que já existiam. Em Inhoaíba, foi entregue a primeira fase do Parque Oeste. O Parque Deodoro também dá opções de lazer numa grande área verde urbana. E, na Barra da Tijuca, foi entregue o Parque Rita Lee, que tem um bosque entre suas atrações.

Parques Futuros

A prefeitura já anunciou as tratativas para a criação de novos Parques Urbanos. Quatro obras já estão em andamento: a expansão do Parque Realengo; a segunda fase do Parque Oeste; o Parque Terra Prometida, em Santa Cruz, que requalifica a área antes ocupada pela Cidade da Criança; e o Parque Linear da Maré.

A Prefeitura também deverá construir cinco novos parques no futuro: o Parque do Tanque; o Parque da Taquara Fazenda Baronesa; o Parque Guadalupe, o Parque Jardim do Amanhã (Cidade de Deus) e o Parque do Saber (Parada de Lucas/Cordovil).


Cidade conta com protocolos para chuvas

O Rio já conta com ações rotineiras e preventivas para os períodos de chuva. O sistema de alerta da Defesa Civil conta com 165 sirenes instaladas em 103 comunidades e protocolos específicos para interdição preventiva de vias em situações de chuva, vento ou ressaca.

A estrutura de prevenção inclui também três reservatórios de controle de enchentes na região da Grande Tijuca e o desvio do Rio Joana, além do monitoramento permanente de áreas de risco. Para reduzir os impactos de possíveis episódios de chuva forte, a Prefeitura mantém uma série de ações preventivas em toda a cidade.

A Defesa Civil conta com 225 pontos de apoio e mantém ações permanentes de vistoria, capacitação e treinamento da população em áreas de risco. Desde 2014, foram realizados 869 simulados de desocupação em comunidades.

A cidade também dispõe do Cell Broadcast, tecnologia que permite o envio de alertas de emergência geolocalizados diretamente para celulares localizados em regiões sob risco.

Na infraestrutura urbana, as ações incluem limpeza e desobstrução da rede de drenagem, desassoreamento de rios e canais, manutenção de encostas, poda de árvores e implantação de novos sistemas para ampliar a capacidade de escoamento da água.

Em 2026, a Operação Ralo Limpo já atuou em mais de 28,7 mil bueiros e 22,4 mil tampões. Foram mais de 51 mil estruturas limpas pelas equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconserva). O trabalho de limpeza de rios e canais retirou cerca de 257 mil toneladas de resíduos e beneficiou aproximadamente 70 quilômetros de cursos d’água.

A Seconserva mais que duplicou o investimento em ações de combate a alagamentos, de manutenção da rede pluvial e com operações preventivas. De R$ 30 milhões investidos em 2025 para R$70 milhões ao longo de todo o ano de 2026.

Outra operação de destaque é a operação Moto Abre Ralo, iniciada em janeiro, para atuar na prevenção e na ação emergencial contra alagamentos. As motocicletas são equipadas com ferramentas específicas para a desobstrução de ralos e bueiros.  Já foram feitos mais de 8,8 mil atendimentos, em 145 bairros da cidade. Com mais de 30 mil quilômetros rodados pelos veículos e mais de 9,6 mil quilos de resíduos retirados.

A Prefeitura também vem implantando mega ralos em pontos estratégicos da cidade, ampliando a capacidade de drenagem em regiões historicamente afetadas por alagamentos.

Obras estruturantes ampliam a proteção da cidade

A preparação do Rio passa também por obras estruturantes destinadas à prevenção de enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Entre as intervenções estão o PAC Realengo, que prevê um reservatório com capacidade para 20 milhões de litros de água e novas obras de drenagem; o PAC Acari, com intervenções em 3,8 quilômetros do rio; e as obras em Jardim Maravilha, com a construção de diques e reservatórios capazes de armazenar 231 milhões de litros de água. Também está prevista a implantação do túnel hidráulico do Rio Maracanã, nova etapa do sistema de controle de enchentes da Grande Tijuca.

Na área de contenção de encostas, a cidade mantém obras em andamento. O PAC Encostas representa um investimento de R$ 258 milhões e deve ampliar a segurança de cerca de 60 mil pessoas em áreas de risco.

O Bairro Maravilha é um programa de requalificação urbana que, desde 2021, já beneficiou mais de 75 localidades nas zonas Norte e Oeste, com mais de 200kms de vias urbanizadas. Atualmente, 28 obras estão em andamento. Já são mais de R$1,1 bilhão investidos nestas obras.

Em parceria com o Governo Federal, a Prefeitura do Rio vai fazer três grandes reformulações em três grandes comunidades cariocas: Maré, Rocinha e Complexo do Alemão. O PAC Periferia Viva vai definir um plano de ação, após diálogo com moradores, lideranças e instituições locais, focado em melhorias de infraestrutura e do espaço urbano de cada uma das comunidades.


O que é o El Niño

Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que influencia os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta. No Rio, os possíveis efeitos incluem períodos de temperaturas acima da média e alterações no regime de chuvas, forçados pelas chuvas no Sul e as secas no Norte e Nordeste do país.

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  • 20 de julho de 2026
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