Agência Minas Gerais | Minas Gerais avança na segurança hídrica com base inédita de dados sobre barragens
Minas Gerais deu um passo decisivo para fortalecer a segurança hídrica com a criação de uma base geoespacial integrada que reúne, de forma inédita, dados detalhados sobre massas d’água, estruturas de barramento e ocupação humana. Desenvolvida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), a plataforma consolida informações antes dispersas e amplia a capacidade de monitoramento, fiscalização e planejamento no estado.
A ferramenta foi apresentada durante webinar da Semana da Água pelo geógrafo e especialista em geoprocessamento do Igam, Robson Morato. Segundo ele, o trabalho representa um avanço institucional na consolidação de inteligência territorial voltada à prevenção de riscos. “Ao reunir informações estratégicas sobre estruturas hídricas, hidrografia e ocupação humana, ampliamos a capacidade do Estado de qualificar a fiscalização e orientar decisões com base em evidências”, afirmou.
Integração de dados amplia controle e planejamento
A iniciativa atende às exigências da legislação federal de segurança de barragens e resolve um desafio histórico: a fragmentação de dados. O sistema transforma bases isoladas em uma plataforma única para subsidiar decisões estratégicas.
A estrutura está organizada em três frentes: mapeamento atualizado de barragens e massas d’água, espacialização de unidades habitacionais e modelagem da densidade populacional por malha padronizada.
Minas passa a contar com inventário ampliado que identifica mais de 41 mil massas d’água e cerca de 2,1 mil barragens cadastradas. A integração permite cruzamentos inéditos entre características das estruturas, ocupação humana e pressão territorial.
Um dos avanços é a incorporação de cerca de 12 milhões de unidades habitacionais georreferenciadas, com base no Censo 2022. Os dados permitem identificar com maior precisão a população potencialmente exposta em caso de incidentes, especialmente em áreas a jusante de barragens.
Outro diferencial é o uso da modelagem espacial em hexágonos (H3), que padroniza a análise da densidade demográfica e elimina distorções causadas por limites administrativos, permitindo comparações mais consistentes entre regiões.
A combinação das bases gera índice de risco por barragem, considerando características estruturais, número de pessoas potencialmente expostas e densidade populacional. Em emergências, como rompimentos ou eventos extremos, o sistema permite estimar impactos e definir prioridades de resposta.
Apoio direto às ações emergenciais
A nova base traz ganhos operacionais para a Defesa Civil de Minas Gerais, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e a Polícia Militar de Minas Gerais. Entre as aplicações estão a definição de rotas de evacuação por bacia hidrográfica — e não apenas por limites municipais — e a criação de protocolos de acionamento conforme o nível de risco.
O sistema também orienta estratégias de monitoramento: em áreas pouco povoadas, o acompanhamento pode ser remoto; em regiões densas, permite acionamento imediato de equipes e ativação de planos de contingência. Outra funcionalidade é a criação de painéis operacionais para salas de situação, integrando dados em tempo real e apoiando decisões durante eventos críticos, como períodos de chuvas intensas.
Próximos passos
Entre os próximos avanços estão a disponibilização da base na Infraestrutura de Dados Espaciais do Sisema e a institucionalização de rotinas de atualização periódica. A longo prazo, a expectativa é incorporar monitoramento em tempo real por sensores e imagens de satélite.
A iniciativa marca uma mudança de paradigma na gestão pública: da cartografia isolada para uma atuação integrada, orientada por dados e evidências.
Semana da Água
Ao longo da semana, especialistas e representantes do setor discutem desafios da gestão de recursos hídricos no estado. A programação completa da Semana da Água 2026 está disponível neste link.