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A CCS era uma pequena marca paulistana, surgida no início dos anos 90, sediada na rua Pinhalzinho, no Belém, que fornecia camisas para times pequenos e medianos por todo o Brasil. Os uniformes eram pouco comuns no seu design porém, bem práticos e criativos, o que barateava as produções, além de permitir a ela a confecção de diversas réplicas dos uniformes dos clubes nacionais e até da seleção canarinho. As camisas ficaram conhecidas, além do seu baixo custo,  por serem bem diferentes de quaisquer outras feitas no Brasil, já que na época era muito mais fácil imitar os desenhos europeus, como faziam as outras marcas.

Em uma época onde os materiais esportivos eram baratos e, em vários casos, beiravam a tosquice Brasil afora (mesmo em grandes clubes), a pirataria era rara e, talvez por isso, existisse essa espécie de tolerância com as réplicas de fabricantes nacionais com um mínimo de esmero, pelo menos.

Possivelmente, a grande façanha da CCS foi fabricar o uniforme do Vitória da Bahia, vice-campeão Brasileiro de 1993; tempos de Alex Alves, Dida, Edílson, etc…

Porém, clubes tradicionais do futebol nacional e, essencialmente, nordestino, também tiveram sua trajetória marcada por esse fabricante. É o caso do do Sampaio Corrêa-MA e do Volta Redonda-RJ, ambos em 1992:

Mas a grande contribuição da CCS mesmo foi dar um certo profissionalismo a clubes já muito tradicionais, porém pequenos! A sua vasta, barata e criativa linha de materiais proporcionava o desapego a uma preocupação antes muito notada nesses clubes, que era a confecção dos seus uniformes e trajes.

A CCS se espalhou por, praticamente, todo o território nacional ao fazer uma espécie de “pacote” e assinar contrato com um número enorme de clubes para fornecimento dos seus produtos.

Li que a fábrica deu seus últimos suspiros há uns 10 anos atrás e faliu por conta da concorrência, não conseguindo manter o padrão de qualidade. Li também que ainda se encontra material esportivo da CCS para clubes amadores em algumas lojas. Não sei ao certo…

O certo mesmo é que o futebol brasileiro deve muito a esse fabricante, que pouca gente recorda e cujo design inovador para a época e mentalidade altamente profissional de difusão dos seus produtos ajudou a divulgar clubes que antes mantinham-se restritos a um patamar amadoresco e, por que não dizer, artesanal no tocante ao seu uniforme de jogo.

RAMSSÉS SILVA.

FONTE:

http://www.minhascamisas.com.br/wordpress/2008/12/09/ccs-uma-marca-peculiar

FOTOS:

Catálogo da CCS de 1994; imagens da internet.

 

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No próximo dia 25 de Fevereiro, um dia após a estréia do Sampaio Corrêa na Copa do Brasil, em São Luís, contra o Sport, o torcedor boliviano ganhará mais um presente. Trata-se do lançamento do livro Sampaio Corrêa: uma paixão dos maranhenses.

O meu amigo e escritor Hugo José Saraiva Ribeiro conseguiu, de forma magnífica, contar a história dos 88 anos do clube mais tradicional do Maranhão, suas glórias, seus ídolos, seus recordes, seus jogos importantes e bastidores.

O livro, com cerca de 200 páginas, conta com uma coleção rara de cerca de 70 fotos e segue a cronologia de evolução do clube desde a sua fase amadora, nos primórdios do futebol no Maranhão, até os dias de hoje. Peculiaridades e passagens curiosas, além de uma leitura agradável e linguajar acessível serão encontrados nesta obra que é fonte indispensável de pesquisas do boliviano de verdade e de quem mais quiser se aprofundar na história do time mais antigo em atividade no Maranhão.

Sampaio Corrêa: uma paixão dos maranhenses. Uma boa pedida!

 

Tempos atrás, foi levantada uma questão importante no Blog; a veracidade das cores e do escudo do extinto clube maranhense Fênix Football Club que circulavam pela internet. Pois bem. Fiquei de pesquisar mais sobre o assunto e complementar o primeiro artigo sobre o Fênix, que inclusive foi o artigo da semana, com as informações pertinentes.

Primeiramente conversei com o colega e pesquisador ludovicense Claunísio Amorim, autor de “Terra, Grama e Paralelepípedos” na Feira do Livro em São Luís que me veio com a primeira descoberta e surpresa; as verdadeiras cores do Fênix eram semelhantes às do Peñarol, do Uruguai, ou seja, o amarelo e o preto, diferentes das conhecidas cores difundidas para esse clube na internet, que são o azul e o branco.

Claunísio falou-me também sobre um pesquisador, pernambucano de Itamaracá, de nome Luciano da Silva, amigo do falecido Dejard Ramos Martins, autor do clássico “Esporte, um Mergulho no Tempo“, que havia recebido deste falecido jornalista ludovicense alguns escudos de clubes maranhenses das primeiras eras e já extintos, que Dejard adquiriu quando de sua pesquisa na década de 80.

Entrei em contato através de e-mail com o Sr. Luciano da Silva, que me respondeu pronta e educadamente, enviando-me os escudos raros, alguns dos quais já postados aqui, que havia adquirido do saudoso Dejard Martins.

Mais uma surpresa! O escudo do Fênix veiculado nos sites, com a ave mitológica pousada sobre um brasão azul e branco, com as iniciais FAC (Fênix Athletic Clube, o 2º nome do Fênix), em nada lembra o verdadeiro escudo do pioneiro Fênix, que consiste em um distintivo em amarelo e preto, com a figura da fênix em alto relevo, centralizada, em cor branca.

Fiquei muito feliz com a contribuição do Sr. Luciano da Silva, grande pesquisador do futebol, e feliz também por poder compartilhar com todos aqui do Blog HF mais esta interessante descoberta. Agradeço em especial ao Mário Ielo, que tanto me cobrou e me fez correr atrás de mais um escudo perdido e desmistificado!

Só não sei se, depois do ressurgimento do Fênix com o 2º nome, houve também mudança nas cores, o que explicaria o escudo em azul e branco. Se não, podemos jogar por terra o dito escudo e eleger, a partir de agora, este aqui como escudo oficial do extinto clube…pelo menos de sua primeira formação.

A foto de 1924 está aí pra comprovar a conformação do uniforme e do escudo, pelo tosco contorno que existe na camisa do goal-keeper; mesmo com a péssima qualidade, dá pra notar o contorno igual ao escudo que aqui vos trago. Além disso, vos deixo o contato do Sr. Luciano e do Claunísio para quem quiser tirar as dúvidas sobre a veracidade dos escudos, ou mesmo quiser recebê-los. Eles fazem falta aqui no Blog, podem ter certeza!

Luciano da Silva: mayrik@oi.com.br

Claunísio Amorim: claunisio@hotmail.com

ESCUDO QUE CIRCULA PELA INTERNET (possivelmente falso ou pertencente ao 2º Fênix):

ESCUDO VERDADEIRO DO FÊNIX FOOTBALL CLUB (Fundado em 1918):

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Ajudem a divulgar, citando as devidas fontes…obrigado e abraços a todos,

Ramssés.

 

Tempos atrás, em um artigo sobre o Fênix Football Club, surgiu a discussão sobre o seu escudo e sobre o verdadeiro escudo do Fabril Athletic Club (posteriormente denominado Football Athletic Club, após reinauguração), o saudoso FAC (leia-se “éfe á cê”, visto que, se observarmos no hino do clube já postado por mim, essa é a única forma que induz à rima na estrofe seguinte, foi também o que me disse o pesquisador com o qual conversei).

Pois bem. Fiquei sabendo pelo Mário Ielo que é divulgado por aí, em alguns sites especializados em escudos e distintivos, um escudo “fake” do Fabril aos moldes do escudo do São Paulo da Floresta, o que é impossível, já que o FAC é bem anterior ao surgimento deste clube e remonta a 1906!

Por isso, venho através deste artigo, além de atender a um pedido do Mário Ielo, desmistificar de vez a dúvida sobre o verdeiro distintivo do FAC, trazendo, inclusive, a citação da fonte ( a ilustração em uma edição do Jornal Pequeno de 1957) no livro do Claunísio Amorim, um dos maiores pesquisadores do futebol maranhense.

Peço desculpas pelo desenho pois, como sou leigo em “Photoshop”, resolvi fazer à mão livre mesmo então, caso achem a ilustração de baixa qualidade, tenham a total liberdade de manipular em algum software para deixá-lo mais adequado à divulgação posterior.

Enfim, final de polêmica, espero que divulguem o verdadeiro escudo (se é que não já foi postado aqui no Blog anteriormente) e tenham gostado do artigo…

 

FONTE:

“Terra, Grama e Paralelepípedos”, de Claunísio Amorim Carvalho. Edit. Café & Lápis, São Luís, 2009.

 

A aura que envolveu aquele Campeonato Brasileiro da Série C de 1997 foi diferente, de um misticismo que não há como explicar, a não ser pelo sentimento vivido por aqueles que lá estavam. E eu era um deles; a inédita possibilidade de presenciar um momento glorioso de um clube do meu Estado dava o toque ufanista que faltava à essa mistura de sensações…

O Clube já havia passado por uma situação igual em 1972, é verdade, quando vencera a Segundona e fora elevado à elite do futebol brasileiro, com várias pratas da casa em um talentosíssimo elenco. Mas dessa vez era diferente, era algo palpável, discernível, crível e, por que não, indescritível?!

Lembranças de um Estádio Castelão lotado, mesmo em campeonatos locais. Lembranças das “gerais”, já quase extintas Brasil afora e seus personagens emblemáticos, sua “ola”, seus irritantes apitos a confundir a tudo e a todos, seus tradicionais lançamentos de sacos cheios de urina arquibancada abaixo…tempo bom que, apesar de recente, talvez nunca volte.

A irretocável campanha do clube não deixou dúvidas quanto à sua capacidade tática e técnica e força de planejamento. Só que todos esquecem de um detalhe precioso nessas horas; no futebol, depois da bonanza é que vem a tempestade! O plantel seria inevitavelmente desestruturado no ano seguinte, deixando para trás títulos e, com certeza, alguns prejuízos. Mas torcedor não lembra disso; o imediatismo é o maior dos pecados futebolísticos! Nada estragaria aquela festa, e foi o que aconteceu!

Depois de uma 1ª fase mais regionalizada e de árduos confrontos nas fases de “mata-mata”, o time havia chegado invicto no último jogo do Quadrangular Final contra a Francana, de São Paulo. Havia a possibilidade real de igualar o feito histórico e, até então, único do Sport Club Internacional em 1979. Em um Castelão abarrotado com aproximadamente 70.000 “bolivianos”, o Sampaio desfilou talento em gramado timbira, abrindo 2 gols contra nenhum da Francana, que só diminuiria o placar no 2º tempo, com um gol de pênalti. O tempo de jogo estava se exaurindo…a euforia tomava conta de uma enorme platéia sedenta e carente de títulos, mas historicamente amadora do tão refinado esporte bretão.

Foi quando, faltando poucos minutos para o término da partida, um infernal atacante de nome Cal sacramenta a vitória, o título e uma delirante invasão ao campo, tudo de uma só vez! Eram heróis! Talvez até desconhecidos de muitos que ali estavam, mas ainda assim heróis…não tinham idéia da dimensão daquilo que haviam acabado de fazer! A imensa massa tricolor veio abaixo…era mesmo o maior do Maranhão, o maior do Brasil! E pensar que tudo aquilo havia começado entre gente humilde, funcionários fabris, carvoeiros, peladeiros e pescadores, muitos anos atrás…a iniciativa de pioneiros havia construído uma nação, tijolo por tijolo, em três cores intercaladas; o encarnado, o verde e o amarelo.

Saí do estádio com meu pai naquele dia enebriado com o clima do acontecido. Os torcedores sem saber o que fazer, ou mesmo sem acreditar, comemoravam a esmo, como se expressassem a carência de eventos tão gloriosos como aquele. Naquele dia havia virado, definitivamente, mais um “boliviano”. Quem sabe fadado ao sofrimento…mas qual torcedor não é fadado a tal “sorte”? Futebol sem sofrimento não é futebol, é simples mecanismo!

Desde então venho sofrendo, na ânsia de um novo e duradouro período de bonanza, sempre na esperança de que não haja tanta tempestade…

Ramssés Silva.

** BÔNUS:

Vídeos

http://www.youtube.com/watch?v=ESY0omy5EHg

http://www.youtube.com/watch?v=etRUEhB7i5M

http://www.youtube.com/watch?v=EYX4x9SeGUo

Resultados

Primeira Fase
Santa Rosa/PA 0×0 Sampaio
Sampaio 1×0 River/PI
4 de Julho/PI 0×1 Sampaio
Sampaio 4×0 Santa Rosa/PA

Segunda Fase
Sampaio 1×1 Quixadá/CE
Quixadá/CE 0×1 Sampaio

Terceira Fase
Santa Rosa/PA 0×0 Sampaio
Sampaio 3×2 Santa Rosa/PA

Quadrangular Final
Francana/SP 1×1 Sampaio
Sampaio 3×0 Tupi/MG
Sampaio 1×1 Juventus/SP
Juventus/SP 2×2 Sampaio

Tupi/MG 0×1 Sampaio
Sampaio 3×1 Francana/SP

Estatísticas

Jogos: 18
Vitórias: 12
Empates: 6
Derrotas: 0
Gols pró: 31
Gols contra: 11
Saldo de gols: 20

Artilheiro: Marcelo Baron (Sampaio Corrêa): 9 gols

Maior média de Público da Série C 1997.
Maior público (70.000) Sampaio 3×1 Francana

Jogadores

Geraldo, Erly, Ney, Gelásio e Lélis; Luís Almeida, Renato Carioca, Ricardo (Edmilson) e Adãozinho; Jó (Cal) e Marcelo Baron.
Técnico: Pinho.

 

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O Fênix Foot-ball Club surge já em um período de popularização do esporte bretão na capital maranhense. Isso tudo após domínio absoluto do FAC desde os idos de 1906 e, anos mais tarde, do Luso Brasileiro.

Segundo o principal jornal da época, “A Pacotilha” (que também foi o principal veículo de comunicação do FAC defendendo, por muito tempo, seus interesses), o Fênix F. C. foi fundado em 1918, juntamente com outros inúmeros clubes futebolísticos e associações desportivas que se multiplicavam, denotando o “engatinhar” da massificação e, consequentemente, do profissionalismo, e o “princípio do fim” do amadorismo relacionado a esse esporte em terras timbiras.

O Fênix surgiu como um clube de pequeno porte, provavelmente sem sede adequada e locatário de campos de outras equipes para o mando dos seus jogos. Como exemplo disso, um jogo entre FAC e Fênix foi assim descrito na imprensa: enquanto o FAC era chamado de “o veterano no foot-ball do Maranhão” ou o “grêmio milionário”, o Fênix era tido como “um clube pequeno, apesar de esforçado”.

É preciso entender que o  início da popularização do “foot-ball association” em São Luís foi fortemente influenciado pela figura de Gentil Silva (de pensamento contrário ao do elitista e conservador sportman Nhozinho Santos, que foi fundador do FAC) que, ao sair do FAC, acaba fundando o Onze Maranhense Foot-ball Club e induzindo o surgimento de outras agremiações, com a inclusão de atletas não mais obrigatoriamente pertencentes à elite local; peladeiros, funcionários das fábricas, pescadores, ambulantes. Além da participação de jogadores das mais diversas etnias.

O time do Fênix não fugiu à essa regra de massificação; boa parte do seu elenco era composto de afrodescendentes e foi com esse plantel miscigenado que o clube conquistou o Campeonato Maranhense de 1921, vencendo clubes tradicionais e protecionistas quanto ao “não amadorismo” e “miscigenação” no foot-ball local.

A partir do final da década de 10 e início da década de 20, o que se viu nos campos maranhenses foi o negro, o mestiço e o pobre ocupando cada vez mais espaço dentro do foot-ball…e ganhando respeito e admiração, dentro e fora das 4 linhas! As aclamadas seleções maranhenses de 1927 e 1928 eram já quase que compostas em sua totalidade por afrodescendentes, indivíduos estes que gozavam de grande prestígio em São Luís.

Quanto ao Fênix F. C., faltam mais dados para uma “biografia” definitiva do clube, a serem aqui acrescentados assim que necessário. O certo é que o aspecto multiracial do plantel permaneceu intacto até os dias da foto acima postada e, com certeza, continuou até o fim das atividades da saudosa agremiação, provavelmente no final dos anos 20 ou início dos anos 30.

Era o aparecimento do profissionalismo no foot-ball maranhense. E era um caminho sem volta…

FONTE:

Claunísio Amorim Carvalho. Terra, Grama e Paralelepípedos. Ed. Café e Lápis, 2009. São Luís.

 

O Botafogo Futebol Clube, carinhosamente denominado Botafogo do Anil, o mais antigo e tradicional clube amador em atividade em São Luís, foi fundado no dia 15 de setembro de 1933, por torcedores fanáticos do Botafogo Football Club, do Rio de Janeiro. Entre esses estavam: Zé Veiga, Engole Cobra e Geraldo Preto, a quem a família botafoguense do Anil agradece, por proporcionar a oportunidade de participar de uma extensa família.

Na década de 40, graças ao apoio oferecido pelos proprietários da Fábrica Têxtil Rio Anil, o Botafogo do Anil chegou a disputar o campeonato maranhense da primeira divisão no ano de 1944, sagrando-se vice-campeão, tendo sido derrotado apenas pelo – na época imbatível – Moto Club, comandado pelos proprietários da fábrica Santa Isabel – família Aboud. O maior destaque da equipe era o meia Inaldo Veiga.

Passada essa fase, o Botafogo retornou ao amadorismo, conquistando vários torneios, dos quais o mais importante foi o que incluiu representantes de todos os bairros, tendo sido considerado o melhor clube amador de São Luís.

Em 1953 foi fundada a LADE (Liga Anilense de Desportos), com a finalidade de promover o campeonato anilense. No mesmo ano foi realizado o primeiro campeonato anilense, contando com a participação do Botafogo, Cruzeiro, Nascente, 1º de Maio, Bahia e outros, tendo o Botafogo do Anil se sagrado campeão. Em 1954 o Botafogo sagrou-se campeão invicto e eram destaques os atletas Aú, Zé Agarrô, Valfredo, Bi, Hélcio, Carrinho Sales, Alemão e Zé Lisboa.

No início da década de 70 o Botafogo filiou-se na FMD, onde disputou o campeonato da segunda divisão. Ali, o alvinegro anilense foi campeão de 1975, 1987 e 1988 e vice-campeão em 1976, 1980 e 1984.

Em 1989 o Botafogo retornou ao futebol do Anil, filiando-se ao DADA onde permanece até hoje. Além do futebol, o Botafogo desenvolve outras atividades culturais e sociais na sede social localizada na Avenida São Sebastião, nº 5, Anil.

A diretoria atual é composta por pessoas de dinamismo e abnegação, com destaque para Augusto Pereira, Murilo Mendes, Monteiro, Bolão (Joselito Veiga), Balula, Dionísio, Aguiar, Cleverson, Zé Luiz, Sandro, Eraldo, Fátima, Pingo, Bastos, Dorgival, Josélia, Assis, Abraão, César, Leônidas, Boréu (Raimundo Nonato Buna), William Veiga, Augusto Veiga e Augusto Moraes.

Ligado desde a fundação à família Veiga, o Botafogo tem na sua tradição a medida dos 77 anos de contribuição ao futebol maranhense, formando jogadores de nome nacional. Pelas hostes alvinegras anilenses passaram jogadores como Carlos Alberto, Tatu, Cachaça, Zeca Moleza, para ficar apenas nesses poucos.

Hoje o alvinegro anilense desfruta de prestígio no Maranhão, é uma das maiores forças do futebol amador de São Luís e continua de forma célere desenvolvendo o papel de formar jogadores.

FONTE:

http://www.jornalpequeno.com.br/2006/9/20/Pagina42458.htm

 

O hino do FAC, clube de futebol pioneiro em São Luís, (antigo Fabril Athletic Club, resurgido em 1916 como Foot-ball Athletic Club), intitulado “Canto da Vitória”, revelava a força que o clube atribuía a si, fato aliás comum a todos os hinos:

“Aléguap – Aléguap. | Hipp – Hurrah.

Canto:

Ao campo, à luta | A vós se escuta | De uma vitória,

Vamos, gigantes, | E confiantes. | De ter a glória

Lutar, lutar.| Sem descansar | Um só momento;

Para vencer,| Tudo fazer,| Sem desalento!

(coro estribilho)

Lutemos todos pela vitória,| Guardando a glória|

Que ela nos dê:

Voltando grande, puro e eloqüente| Somos ardente|

Ao F.A.C.| Mostremos que na nossa camisa,| Uma divisa| Nobre se lê

Por juventude forte e viril!| Pelo Brasil!| Pelo F.A.C.

(canto)

E tremular| Com honra e valor,| Sempre a bandeira

Linda, altaneira,| Do tricolor.| Que cada um,

Dizê-lo possa,| Forte e potente| E altivamente:|

Aquela é nossa!!!

(coro estribilho)

Lutemos pela vitória,| Guardando a glória| Etc., etc., etc.”

O FAC dominou o cenário futebolístico local durante muito tempo, ficando conhecido, inclusive, fora do Estado através de seus intercâmbios e parcerias mas, a partir de 1918, ganhou um adversário de peso na capital maranhense, o SC Luso Brasileiro, com o qual teve confrontos memoráveis, surgindo, daí, grande rivalidade. Isso tudo antes do surgimento de Sampaio Corrêa, Moto Club e Maranhão Atlético Clube ou seja, antes de 1923, mas essa já é uma outra história…

FONTE:

Claunísio Amorim Carvalho

“Terra, grama e paralelepípedos (os primeiros tempos do futebol em São Luís: 1906-1930)”

Ed. Café & Lápis, São Luís, 2009.

 

O F. A. Clube

“Decorreu animadíssimo o baile á fantasia realisado na noite de ante-ontem, pelo F. A. Clube, na sua séde á rua Grande, para comemorar a sua inauguração oficial.

O confortável edifício apresenta garrida ornamentação, quer externa, quer internamente, a par da mais profusa iluminação.

Os seus vastos salões, artisticamente engalanados, realçavam esplendidamente com a bonita ornamentação que ostentavam, com as cores do clube ‘White’, ‘Black’ e ‘Red’, o que lhes emprestava tons verdadeiramente lindos e de grande efeito.

Ás vinte e uma horas era já grande o numero de sócios e convidados, quando se realisou a cerimônia inaugural da sociedade. Á meza, presidida pelo sr. Joaquim R. Lopes da Silva, presidente da assembléa geral, ladeado pelos secretários srs. Joaquim Belchior e Horacio Aranha, tomaram assento os srs. Tenente Bessa Cunha, representante do sr. governador do Estado, e coronel Joaquim M. Alves dos Santos, presidente da diretoria, proferindo o presidente da assembléa rápida alocução alusiva á solenidade, declarando oficialmente inaugurado o F. A. Club.

Minutos após, quando os vastos salões da simpática sociedade já regurjitavam de convidados, tiveram inicio as danças, que se prolongaram até as 3 horas da madrugada, no meio da mais alegre animação.

Foi indubitavelmente uma festa brilhante, a que acorreu o que a nossa sociedade tem de mais seleto, e que marcará, estamos certos, época na vida do Clube, deixando tambem saudosa recordação em quantos lá estiveram, por isso que os distintos moços do Clube não pouparam esforços para o realce que a sua festa obteve, cumulando a todos das mais significativas provas de gentileza e atenções.

Ainda em complemento ao inolvidável baile de antehontem, quizeram novamente os diretores do clube reunir hontem, em volta do ‘ground’ de ‘foot-ball’, a mesma sociedade de escol que sabado freqüentava os seus salões. Deu começo á festa esportiva o 1.º concurso grotesco (maçãs em água salgada), do qual foi vencedor Travassos; em seguida realisaram-se mais quatro concursos (boxe com olho vendado, sem resultado), quebrar botes cheios dagua com olhos vendados, saindo vencedor – Nova; (Place-kick), que ficou tambem prejudicado; luta de tração, entre os ‘teams’ ‘Black’ e ‘Red’, sendo vencedor ‘Red’.

Poucos minutos depois, teve começo o ‘match’ de ‘foot-ball’, entre os ‘teams’ ‘Black’ e ‘White’ e ‘Red’ e ‘White’. Era este o numero do programa que maior interesse despertava entre os jogadores e a assistencia. No primeiro ‘half-time’, os do ‘Black’ lograram vazar, por duas vezes, a área do ‘goal’ dos ‘Red’ e os do ‘Red’ conseguiram marcar um ponto para o seu ‘team’.

No segundo ‘half-time’, porem, os do ‘Red’ conseguiram marcar mais dois ‘goals’ para o seu partido, dando em resultado 3 ‘goals’ do ‘team’ ‘Red’ contra 2 do ‘team’ ‘Black’, sendo portanto o ‘Red’ o vencedor na esplendida festa de hontem, que a simpática sociedade ofereceu á sociedade maranhense.

Estiverem presentes as demoiseles: Virjinia Fernandes, Zezé Jorge, Ana Fonseca, Maria Camões, Amelia Pereira, Herminia Assis, Zila Godinho, Viviva Aranha, Maria da Gloria Aranha, Maria J. Matos, Zulina Aranha, Cecilia e Maria Aranha de Moura, Maria Luiza Braga, Adele Belo, Maria José Belo, Vitoria Gandra, Rosita Castro, Marieta Castro, Maria Galas, Edit e Esmeralda Fernandes, Emilia Andrade, Alix e Esmeralda Estela, Anicota Morais Rego, Suzel Carvalho, Joana Borel, Maria J. C. Castro, Neuza e Amelia C. Cunha, Maria L. Sá, Antoninha Souza, Maria da Gloria Belo, Carmelita Belo, Silvia e Edit Ribeiro, Herminia Veiga, Neide Viana Santos, Santoca Santos, Dora Oliveira, Mundiquinha Blhun, Anabela Fernandes, Zenaide, Carmem e Marieta Lopes, Maria Conceição Machado, Maira Augusta, Anicota e Fracy Godinho, Aldenora Peregrino, e muitas outras.

Madames – Edmundo Fernandes, Henrique Gandra, Horacio Aranha, Almir Valente, José Francisco Jorge, João da Silva Gomes, José de Souza Belo, João Raimundo Pereira, Raul Merys, Albiano Moreira, Jaime Nunes, Carlos O. Morais Rego, Manoel de Carvalho, Artur Meireles, José Lopes da Cunha, Domingos Mendes, Joaquim Pinto Franco de Sá, Artur Belo, Francisco Guimarães de Oliveira, Bernhard Blhum, Manoel G. Moreira Lima, Ezequiel Parada, Francisco Galas, Emilio José Lisboa, Zuleika Beleza, tenente João Duarte, Manoel Pecegueiro, Alfredo Teixeira e outras.

Cavalhairos – entre muitos vimos os srs. dr. Clodomir Cardoso, intendente municipal; dr. Antonio Boas, secretario do intendente; dr. Raul Pereira, oficinete do gabinete do governador e o seu ajudante de ordens, tenente Bessa Cunha, capitão-tenente Artur Lima Meireles, comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, tenente João Duarte, capitão do porto, dr. Alberto Correia Lima, secretario da fazenda, Manoel Gomes de Castro e Licurgo Chagas, representando o Central Caixeiral; coronel Manoel Vieira Nina, Joaquim Ribeiro Lopes da Silva, Joaquim Freitas Belchior e Horacio C. Aranha. Joaquim M. A. Santos, Charles E. Clissold, Humberto Fonseca, Saturnino Belo, Edmundo Fernandes, José da Cunha Santos Guimarães, Charles V. Reade, N. T. Scarniam, W. J. MacDonald, Antonio Alves dos Santos, José Mariano Travassos, João Freitas Jorge, José Alves Santos, Acrisio Lobão, José M. Prado Junior, José Francisco Jorge, Antonio Martins, Nelson Oliveira, Inacio Jansen Ferreira, Afonso Gandra, Henrique Gandra, Antonio Wall, João Marcos Almeida, Edgard Nogueira, Julio Gallas, Francisco Furiatti, Bento Labre, José Nova Alves, Pedro Mendes, José Lopes da Cunha, Almir Valente, Carlos O. Morais Rego, João B. Morais Rego Junior, José Camões, Francisco Souza, Vitor R. Viana, Fran Pacheco, Franklin C. Ferreira, Joaquim M. Gomes de Castro, dr. Joaquim Pinto Franco de Sá, Carlos Alberto Ribeiro, Albino Moreira, João Raimundo Pereira, Artur Belo, tenente Osmundo Anequim, dr. Nelson Jansen, Humberto Jansen Ferreira, tenente Olavo Machado, José de Melo, João Viana da Silva, Clarindo Santiago, Manoel de Carvalho, Cleomenes Costa, Manoel G. Moreira Nina, Domingos Mendes, João Teles de Miranda, Ezequiel Parada, Paulino Lopes de Souza, dr. João Silva Almeida, dr. José Barreto C. Rodrigues, Carlos Rodrigues e Alfredo Teixeira.”

FONTE:

Jornal A Pacotilha, 31 de janeiro de 1916, pág. 4.

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