O Amazonas teve o privilégio de revelar alguns bons jogadores que também se destacaram nos gramados do Brasil e do exterior. Como exemplo Berg, que brilhou no Botafogo; Gilmar Popoca no Flamengo e na seleção olímpica do Brasil; Lima que atuou no São Paulo e na Roma; Sérgio Duarte em Portugal e Fábio Bala, que foi artilheiro do campeonato carioca pelo Fluminense.

Além disso, o futebol amazonense revelou dois outros craques, o mineiro Campos e o maranhense França, ambos revelados pelo Nacional e que chegariam á seleção brasileira. Mas o que pouquíssimas pessoas no Amazonas e no resto do Brasil sabem é que, no início do Século XX, um jogador manauara teve o privilégio de brilhar no Flamengo do Rio, chegando inclusive a jogar na seleção brasileira.

Seu nome era Amado Benigno, natural de Manaus, nascido no dia 14 de janeiro de 1903. Nesse ano, a capital amazonense passava por um período de fausto e riqueza proporcionado pela exportação da borracha. Em 1923, Amado já se encontrava na capital federal, o Rio de Janeiro, defendendo a meta rubro-negra.

O seu jogo de estreia aconteceu no dia 06 de maio de 1923, quando o Flamengo derrotou o São Cristóvão por 3 a 1, em partida válida pelo Campeonato Carioca. Amado só jogou atuou no Flamengo (no período de 1923 a 1934) e Seleção Brasileira.

Flamengo campeão carioca de 1927

Com dois títulos cariocas (1925 e 1927), Amado foi um dos maiores goleiros da história do Flamengo, chegando a realizar um total de 124 partidas. Graças as suas atuações, Amado foi convocado para defender a Seleção Brasileira, no amistoso contra o time do Rampla Juniors, do Uruguai.

O jogo se realizou no dia 24 de fevereiro de 1929, no Estádio de São Januário, que contou com a presença de 11 mil torcedores. O Brasil ganhou por 4 a 2, com gols de Martinez (contra), Petronilho, Serafini e Nilo; enquanto Haerbely assinalou os dois tentos dos uruguaios. O time do Brasil foi o seguinte: Amado, Grané e Del Délbio; Nerino, Gogliardo e Serafini; Pascoal, Heitor, Petronilho, Nilo e Teófilo.

Com a realização da Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, Amado era figurinha carimba para defender a meta brasileira. Contudo, devido o goleiro ter preferido disputar um amistoso do Flamengo no dia em que era para se apresentar na seleção, acabou sendo cortado.

Sobre sua trajetória no Flamengo, há duas histórias curiosas de Amado. Na véspera da final do Campeonato Carioca de 1928, no Clássico das Multidões, o Fla-Flu, que poderia dar o bi-campeonato ao rubro-negro, o principal atacante do tricolor, Preguinho (que disputou a copa do mundo de 1930), recebeu um telegrama provocativo assinado por Amado.

Na carta, o goleiro teria afirmado que Preguinho não faria nenhum gol. Revoltado ao ler a audaciosa mensagem, o atacante tricolor profetizou que faria dois gols no mínimo. E cumpriu a promessa, marcando duas vezes, na vitória, que deu o título ao Fluminense por 4 a 1.

Tempo depois é que se veio descobrir que Amado jamais havia mandado algum telegrama, sendo que o verdadeiro autor da mensagem provocativa foi um próprio sócio do Fluminense, chamado Affonso de Castro.

Amado também chegou a ser “olheiro” do Flamengo. Ao observar um colega seu que estudava junto com ele, treinar nas categorias de base do Fluminense, Amado o convidou para vir jogar no Flamengo. Mas o jovem recusou o convite, principalmente pelo fato de ser tricolor do coração.

Esse garoto era nada menos do que o grande arquiteto Oscar Niemeyer que, para o bem da nação, não seguiu a carreira de jogador e se tornaria o maior criador de belas artes da arquitetura no Brasil.

Em 1934, o arqueiro ‘pendurou as chuteiras’, passando a se dedicar totalmente á sua profissão de médico. Como amazonense que era, não se sabe nada sobre a vida de Amado em Manaus, em qual local da cidade em que residia, onde estudou e quando e por que saiu de Manaus rumo ao Rio de Janeiro.

Também não se sabe se Amado chegou a jogar por algum clube de futebol de Manaus ou se disputou alguma edição do campeonato amazonense.Amado Benigno faleceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de setembro de 1965.

Hoje, passados 50 anos de sua morte, nada mais justo do que lembrar a trajetória desse que foi o primeiro a jogar e ser ídolo de um grande clube de futebol do Brasil e também de defender a seleção brasileira.

 

FONTE & FOTOS: Professor e Pesquisador do Futebol Amazonense, Gaspar Vieira Neto 

   
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