Em 1954 chega ao Esporte Clube Bahia, um jovem de jeito mirrado e sorridente de peito estufado e pernas arqueadas, saltitante logo no primeiro teste foi aprovado pela maneira agressiva de partir para cima da zaga adversária com seus dribles feito um açougue voraz. Após o teste ele compareceu a sala da diretoria para preencher sua ficha e ao dizer que morava em Itapuã que na época era muito distante do centro de Salvador e ser uma colônia de pesca, quase que o clube perderia um dos seus maiores ídolos da sua história pelo motivo da distância e o transporte não ser fácil naquele tempo. Armindo Avelino de Santana nascido 10 de novembro de 1938 aos 16 anos passou a fazer parte do Bahia filho de pescador e uma lavadeira de roupas do Abaeté Biriba já acompanhava o pai nas pescarias diarias, Entrou para a história como um dos maiores pontas do Bahia em todos os tempos. Preferia jogar na direita, mas aceitou mudar de lado para formar uma dupla infernal com Marito dono da camisa 7 do Tricolor de Aço, nesse inicio Biriba apenas treinava em dias alternados três anos depois em 1957 ele assume a ponta direita no quadro de aspirantes, nesse mesmo ano o time principal do Bahia parti para a Europa para sua primeira excursão ao velho continente em meio ao Campeonato Baiano o jovem time passou a disputar o certame e foi vencendo os jogos e encantando a torcida, ao lado de Bombeiro e Careca que foram campeões da Taça Brasil em 1959 ao seu lado e de outros jovens bons valores como Marivaldo, Aduce, Ruy Tanus e Naninha, Biriba se destacava mais e caia de vez nas graças do público, naquela mesma temporada o Benfica em excursão pelo Brasil faz uma amistoso na Fonte Nova contra o time aspirante do Bahia que passou a ser conhecido como “ A JUVENTUDE TRANSVIADA” por ter os jovens arrebentando como no filme estrelado por James Dean, o Bahia não teve dó e enfiou 4 a 1 nos encarnados de Lisboa e com gol de Biriba claro um dos seus 113 gols pelo tricolor.

biriba 1959

Biriba último agachado com a bola, primeiro jogo contra o Santos em 1959.

Em 20 de julho de 1958, conseguiu a vaga no time principal com atuação de gala num Bavi. Fez um gol e deu passe para o outro gol, de Hamilton, após driblar meio time do Vitória. Caiu nas graças da torcida.

O marco da trajetória de Biriba pelo Esquadrão foi o ano de 1959, quando o clube conquistou o primeiro Campeonato Brasileiro. O ponta fez gols decisivos, como o que garantiu a classificação para as semifinais, contra o Sport/PE, e o de empate na final, contra o Santos de Pelé, na Vila Belmiro. O Tricolor acabaria vencendo aquele jogo.por 3 a 2.Em 14 anos de clube ele venceu os campeonatos baiano de 1958,1959,1960, 1961,1962 e 1967 a Taça Brasil de 1959, o Norte-Nordeste de 1958, 1960 e 1962, fez parte do quadro que foi a segunda excursão do Bahia a Europa em 1960, onde deixou muito gringo com dores no nervo ciático, e jogou duas Libertadores. Biriba transformava os laterais direitos em peixes que caiam nas iscas das suas pernas arqueadas e eram fisgados com facilidade e na sua rede caiam gols e muitos gols, ainda em 1959 o Palmeiras fez um amistoso contra o Bahia devido a transferência do atacante Alencar do Tricolor para o time paulista e Djalma Santos campeão do mundo em 58 sentiu a dureza de marcar Biriba e abusou de jogadas violenta na maioria das vezes para parar o ponta tricolor.

Ainda pela Taça Brasil de 1959 nas semifinais contra o Vasco nas três partidas o lateral vascaíno Paulinho de Almeida ex-treinador, se viu doido para marcar Biriba, disse ele anos depois quando veio comandar o Bahia em 1985: “ Biriba deitou e rolou em cima de mim nas três partidas eu e Coronel sofremos com Biriba e Marito que hora trocavam de pontas e o inferno continuava, na maioria das vezes usei de falta violentas para brecar os moleques atrevidos, foi um dos maiores pontas que tive de marcar”.Biriba era o ponta pescador que com duas pernas multiplicava os dribles em cima de seus marcadores. Biriba não é um dos maiores ídolos da torcida tricolor apenas pela alta técnica e dribles desconcertantes, mas também pela raça. Era um incansável em campo. O que representa bem o espírito de Biriba é o fato de ter jogado com a cabeça enfaixada nas semifinais do Brasileiro de 1959, contra o próprio Vasco.Está presente no time do Bahia de todos os tempos, ao lado de Douglas, Beijoca, Carlitos, Léo Briglia, Mario e Marito.

biriba

 

 

 

Biriba e seu jeito de menino quieto somente até a bola rolar.

Faleceu no dia 25 de outubro de 2006, aos 68 anos, no hospital Jaar Andrade, no bairro de Cajazeiras, em Salvador , após sofrer quatro paradas cardíacas, foi sepultado no bairro onde nasceu Itapuã, local onde jamais deixou de morar mesmo depois de tantas glórias, Biriba era o responsável pelo Estádio Municipal de Itapuã, onde treinava garotos e batia seus babás no finais de semana, ele foi o percussor de uma dísnatia  de pontas canhotos magistrais como Canhoteiro, Marquinhos, Jesum, Gilson Gênio, Sandro e Marquinhos que jogou aqui de 87 a 90 e foi campeão brasileiro de 1988 e parecia muito com Biriba no jeito de jogar com dribles e arrancadas certeiras rumo ao gol.

Biriba o pescador de laterais ídolo eterno da torcida do Bahia.

Textos: Galdino Silva

Pesquisa: Livro Esporte Clube da Felicidade 70 anos de Glória de Nestor Mendes Junior.

Fotos: Arquivo Galdino Silva

   
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