O Auto Sport Club (Auto Esporte Clube) foi uma agremiação da cidade do Recife (PE). Conhecidos por algumas alcunhas, como ‘Meninos da Gasolina’, ‘Motoristas’ ou ‘Alvi-azulino’, o clube foi Fundado na quinta-feira, do dia 05 de Janeiro de 1922, por motoristas de carro de aluguel (na época, hoje táxis).

O Auto também possuía categoria de base, onde disputavam os estaduais juvenis. Em 1927, ingressou na Associação Suburbana de Desportes Terrestres (ASDT). Foi reorganizado em 1939, com a sua Sede localizada na Avenida Rio Branco, 66 – 1º andar, no Recife.

Time-base de 1939: Milton; Carlos Bomba e Novato; Leleco, Aprígio e Tota; Arnulpho, Zéleanda, Côco, Nepomuceno e Gerson.

MUDANÇA DE NOME GERA RENUNCIA DO PRESIDENTE

Na sexta-feira, do dia 04 de Julho de 1952, o então presidente do Auto Esporte, Osano Braga convocou uma assembleia para propor a mudança de nome. Caso fosse aceita, o clube passaria a se chamar Associação Esportiva do Comercio.

Segundo o dirigente, a mudança tinha o objetivo de atrair comerciantes de diversas classes sociais, uma vez que até aquele momento apenas 15 sócios contribuíam mensalmente pertencentes a classe dos motoristas.

Foi uma batalha dura e acirrada que terminou a uma hora da manhã de sábado. Com a presença de 91 sócios. No final, a proposta foi rejeitada e o nome Auto Esporte foi mantido. Em consequência do resultado Osano Braga renunciou a presidência. Com isso, o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Laércio Sampaio assumiu provisoriamente o cargo vago.

Sete dias depois, no dia 11 de julho de 1952, foi realizada novas eleições para a presidência, e, teve como vencedor Aldemar Costa Almeida. Rubens Morais assumiu a vice-presidência.

CRISE

Em 1951, o clube já acusava o golpe por não ter uma sede própria e contava com a ajuda do governo para equacionar essa questão. Em 14 de janeiro de 1953, numa ampla reportagem do Diário de Pernambuco, dava conta que os anos de más administrações estava levando o clube ao precipício.

Os jogadores não estavam mais concentrando, não recebiam sequer o café da manhã, entre outras carências. Diante desse quadro, alguns dirigentes já ventilavam que a extensão era o caminho eminente.

Contudo, com a eleição de Rosemiro Rodrigues para a presidência em 1953, o Auto Esporte esboçou uma melhora. No dia 18 de outubro do mesmo ano, o clube inaugurou a sua nova Sede na Avenida Visconde Suassuna, 808, no Bairro de Santo Amaro, no Recife, ganhando o singelo apelido de o ‘Palacete dos Motoristas‘.

No entanto, em junho de 1957, a crise ganhou proporções ao ponto do dirigente, Manoel Espinelli ter afirmado que o clube estava prestes a fechar as portas, devido as dividas. Dois meses depois, em Assembleia geral na Sede da Federação Pernambucana de Desportos (FPD), a entidade decidiu congelar os débitos do Auto Esporte até 1958. Essa decisão foi tomada após o clube ter pedido o afastamento do campeonato.

DEPUTADO, COM O DINHEIRO DO POVO, TENTOU AJUDAR O CLUBE

O Deputado Alcides Teixeira encaminhou a Assembleia Legislativa de Pernambuco, no dia 29 de agosto de 1957, um requerimento pedindo a abertura de um credito especial de 30 mil cruzeiros (com o dinheiro do povo!!) para atender as despesas do Auto Esporte

 

1958: O COMEÇO DO FIM

Apesar de todas as tentativas, o Auto Esporte não conseguia fugir da crise financeira e, cada vez mais, se aproximava do seu fim. O Diário de Pernambuco, assim noticiou na  quarta-feira, do dia 26 de fevereiro de 1958, quando o clube acusou o golpe:

Tendo em vista que não dispõe de condições para continuar disputando o certame da Primeira Divisão e como não tem como pagar o débito que possui com a F.P.F. (Federação Pernambucana de Futebol), o Auto Esporte acaba de dispensar todos os jogadores.

Ocorre assim o primeiro desfalque no grupo de concorrentes ao certame final da cidade, fato até certo ponto lamentável, uma vez que os alvi-azulinos já se tornaram tradicionais nas nossas canchas.

O desaparecimento do Auto Esporte Clube poderá marcar o início de uma nova etapa no futebol pernambucano, que terá  que se reger por bases mais sólidas futuramente“.

Apesar dessa decisão, A FPF fez a última tentativa de não deixar o Auto Esporte sucumbir e fez diversas concessões. Já em frangalhos,  o ‘Motoristas’ conseguiu montar um time com jogadores que não tinham arrumado outro time e disputou o Estadual. No começo contava com apenas sete jogadores que posteriormente foram agregados com juvenis. Na estreia, sofreu uma sonora de 7 a 0 para o Náutico, demonstrando como seria o certame. Apesar de todo esforço o panorama não se alterou, e o clube passou a se mudar para outros bairros, disputando competições amadoras até fechar as portas no final de 1970.

 

PARTICIPAÇÕES ESTADUAIS

8 participações na 1ª divisão do pernambucano: 1951: 5° (em 5 participantes); 1952: 5° (em 7); 1953: 4° (em 7); 1954: 5° (em 7); 1955: 8° (em 8); 1956: 8° (em 8); 1957: 8° (em 8); 1958: 9° (em 9).

Nessas 8 participações fez 131 jogos, com 18 vitórias, 21 empates, 92 derrotas, 122 gols pró, 367 gols contra, saldo negativo de 245 gols.

 

TÍTULOS

Campeão Estadual de Amadores: 1950

1 vez campeão do Torneio Início: 1951 (ano de estreia na 1ª divisão do estadual).

DÉCADA DE 50: AMISTOSOS CONTRA EQUIPES PARAIBANAS

31 de outubro de 1954 - Auto Esporte-PB 3 x 1 Auto Esporte -PE, em João Pessoa.

Em 1951 – Auto Esporte-PB 1 x 1 Auto Esporte -PE, em João Pessoa.

13 de julho de 1952 - Treze-PB 2 x 1 Auto Esporte-PE, em Campina Grande.

21 de setembro de 1952 - Treze-PB 0 x 1 Auto Esporte-PE, em Campina Grande.

02 de março de 1953 - Treze (PB) 3 x 2 Auto Esporte (PE), em Campina Grande

18 de abril de 1954 - Botafogo  (PB) 4 x 1 Auto Esporte (PE), em João Pessoa

 

FONTES: Jornal de Recife – A Província – Diário de Pernambuco

   
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