Tudo começou no ano de 1903, no Campo da Pólvora, em Nazaré, onde eram disputados os “matchs” de futebol amistosos, desde inícios do século. Numa crônica para a revista Semana Sportiva(1922) o jornalista Aloísio de Carvalho Filho lembrava com saudosismo: ”Para ir ao Campo da Pólvora, o caminho era um só e o veículo unicamente um. Todos iam a pé, desde São Pedro. Iam e voltavam e lá, se não tivessem amigos nas vizinhanças que lhes emprestassem cadeiras, teriam que ficar a tarde toda em pé”.

O Campo se tornou oficial em 09 de abril de 1905 quando se disputaram pela primeira vez os jogos organizados pela Liga Baiana de Esportes Terrestres. Na data a quadra toda embandeirada, cerca de 100 cadeiras de madeira em volta, emprestadas pelo Circo Luzitano, e uma banda de música da Policia Militar para imprimir um ar solene ao espetáculo. O Internacional venceu o Esporte Clube Vitória por 3 a 1, mas o clima de confraternização superava o desanimo do rubro-negro que no jogo seguinte goleou o Baiano.

Em 29 de maio de 1906, conforme revela a foto do jogo entre Santos Dumont e Bahiano, com score de 4 a 0, o Campo da Pólvora assistiu ao último jogo do campeonato.

No ano de 1907 Salvador ganhou seu segundo campo de futebol, então denominado Ground do Rio Vermelho, na Fonte do Boi, para onde a Liga transferiu o certame. Desconfortável para a torcida, tanto quanto o outro, mas já tinha meia grama e isso era um avanço. Inaugurado em 02 de junho de 1907, a princípio não agradou. Era distante e cobrava-se ingresso, uma novidade para quem estava acostumado a assistir sem ônus.

Mais tarde foi montada uma pequena arquibancada de madeira e promovidas melhorias, até Salvador ganhar de fato uma estrutura profissional para o jogo da bola: o Campo da Graça, construído por iniciativa de Arthur Moraes, inaugurado em 15 de novembro de 1920.

De acordo com o jornal Popular da Tarde, a inauguração se deu com um jogo entre dois times: AZUL e BRANCO, sendo que o time AZUL venceu por 3 a 2.

O estádio teve a honra de receber como convidado especial o Príncipe Umberto de Savoia, herdeiro do trono italiano, em 1924. E foi no Campo da Graça,que o Esporte Clube Bahia obteve, em 1931, o primeiro título de Campeão Baiano.

 

Mais de três décadas se passaram até a construção no antigo montouro da cidade, amontoado de lixo à beira do Dique do Tororó, o Estádio Otávio Mangabeira que o povo se encarregou de nominar de Fonte Nova em função da fonte de água existente ali, com seu imaginário de lendas de tesouros escondidos nas galerias do entorno. Inaugurado em 28 de janeiro de 1951, com um anel e capacidade estimada em 30.000 torcedores, tinha acesso apenas pelo bairro de Nazaré. Projeto do arquiteto Diógenes Rebouças que orientou também a sua ampliação vinte anos depois quando construído um segundo pavimento.

 

Fontes: Memórias da Bahia – Jornal Popular da Tarde

  6 Responses to “Os primeiros estádios de futebol na Bahia (BA)”

  1. Diogo,
    Não sabia até aonde vc conhecia a história. Rsrs
    Adivinhar não é o meu forte! rsrs

    O Estádio era de um grupo liderado pelo engenheiro Arthur Morais.
    Ao menos lendo a história, foi esta a interpretação, pois não foi mencionado
    nenhum outro! rsrs

    Abração!

  2. Muito Bom Sergio Mello

    Estas informações eu também conheço… rsrsrs
    Na verdade então, foi uma construção em “comum” e não tem como se definir um proprietário?

    Correto

    Abraços

  3. Olá Diogo, boa tarde!
    Tentarei esclarecer essa questão que você perguntou.
    O Campo da Graça (Estádio Arthur Morais) era particular e foi inaugurado em 15 de novembro de 1920, na Rua da Graça, em Salvador, para os jogos organizados pela Federação Baiana de Desportos Terrestres (F.B.D.T).
    O estádio foi construído por um grupo de abnegados, tendo a frente o engenheiro Arthur Morais, que comprou um terreno na Graça. Esse terreno pertencia à família Rêgo.
    O Estádio da Graça foi inaugurado com a presença do então governador José Joaquim Seabra. Quando Arthur Morais faleceu, em sua homenagem, o estádio passou a chamar-se Estádio Arthur Morais.
    Praticamente, todos os assentos eram de madeira na parte da geral, como as arquibancadas de um circo. Na parte mais nobre, fizeram uma arquibancada em dois andares, ainda em madeira e com cobertura de folhas de zinco. Algo bem mais sofisticado para a época.
    Apesar do material, ao que se sabe, nunca ocorreu nenhum desabamento no velho Campo da Graça. A madeira deveria ser de lei! O Estádio da Graça localizava-se no espaço entre as Ruas Catarina Paraguaçu e Humberto de Campos.
    Os edifícios em frente ao estádio, entre eles o Ed. Dourado e a então sede do Café Rio Branco, ambos ainda conservados, serviam de “arquibancada” particular de onde se assistia aos jogos tranquilamente. No segundo, precisava-se subir no telhado.
    Esquina da Rua Catarina Paraguaçu com a Av। Euclides da Cunha. Atrás fica a Humberto de Campos – Aqui começava o Estádio da Graça. Do lado da Rua Catharina Paraguassú, ficavam as bilheterias de “arquibancadas”. Na frente da Avenida Euclides da Cunha, ficavam as bilheterias da “geral”.
    O Campo da Graça resistiu bravamente às investidas das construtoras até 1970 quando então seu espaço foi vendido e no local se construíram quatro grandes prédios.

  4. Desculpe o erro… Estádio da GRAÇA!

  5. Maravilha de pesquisa!!!

    Porém, alguém sabe dizer quem era o proprietário do Estádio da Garça?

    Grato!

  6. Mandou bem meu irmão Toninho!!

    Abração!!

   
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