Um zagueirão raçudo e que não parava de fungar no cangote dos atacantes adversários. Este era Orlando Fumaça, que defendeu o América entre 1983 e 1986 e retornou nos anos 90. Formou com Jorge Lima a dupla “Faísca e Fumaça”, no início dos anos 80. Até o temido e trombador Serginho Chulapa respeitava os dois criolões americanos. Orlando Monteiro do Nascimento Filho iniciou a carreira no time amador de Miracema, cidade do Interior do Rio de Janeiro, onde nasceu em 30 de outubro de 1960. Paulo Henrique, ex-jogador do Flamengo e que tomava conta das categorias de base do Goytacaz, de Campos, gostou do desempenho dele num amistoso entre as duas equipes. Levado para o Goytacaz em 1976, permaneceu no clube três anos até ser comprado pela Ponte Preta, onde jogou com o goleiro Carlos e o zagueiro Oscar, ambos da Seleção Brasileira. No ano seguinte, o clube campineiro o emprestou ao Mixto, de Cuiabá.

Depois, Eduardo Viana, o Caixa D’Água, assumiu a presidência do Americano e o levou para Campos. Em 1982, Orlando foi vendido ao Vasco, onde atuou com Roberto Dinamite e outras feras. No clube de São Januário, ele ganhou a alcunha de Fumaça. “Eu ia treinar com uma moto CB400 que soltava muita fumaça e o Rosemiro (ex-Palmeiras) me botou o apelido”, diz. Foi apontado como um dos principais zagueiros do Campeonato Carioca e defendeu a seleção fluminense no empate de 2 a 2 com os paulistas, em jogo amistoso, no Maracanã. Zico e Júnior fizeram para o time do Rio e Casagrande marcou os dois gols dos bandeirantes. Em 1983, o América estava na lanterna do Paulistão, com 8 pontos em 12 jogos. Sentindo a ameaça de rebaixamento, o presidente Benedito Teixeira e o vice Joaquim Sequeira Dias foram buscá-lo no Vasco, na terça-feira, dia 12 de julho.

No sábado seguinte, o América empatou em 1 a 1 com o Palmeiras, mas a documentação dele não ficou pronta. Depois, o time rio-pretense perdeu de 2 a 1 do XV, em Jaú, e a diretoria demitiu o técnico Ernesto Guedes. João Avelino assumiu e de cara afastou o zagueiro Vantuir, contratado a peso de ouro junto ao Atlético- MG e com passagens pelo Grêmio. O “velho 71” promoveu a estréia de Fumaça no empate sem gols contra o São Bento, em Sorocaba, dia 31 de julho. Fumaça permaneceu no América, mas atuou emprestado no Cruzeiro e no Atlético- PR. Em 1987, o Novorizontino pagou Cz$ 2 milhões pelo passe do zagueirão. Ele ainda jogou no Boa Vista e no Amarantes, ambos de Portugal, Matonense, Tanabi e pendurou a chuteira em 1992, no América. Uma contusão no ligamento cruzado posterior do joelho direito abreviou a carreira dele aos 32 anos. Fumaça tem os filhos Marcele, Orlando Neto, Natália, Ulisses e Mariana. Ele mora na Vila Ercília, em Rio Preto, com a mulher Neusa Zen e ganha a vida como corretor de veículos.

Ouvia-se exageros nas comparações, de que Orlando Fumaça e Jorge Lima, da conhecida dupla Faísca e Fumaça, eram mais bravos que cachorro de japonês e que seriam discípulos de Lampião e Corisco, etc. Evidentemente esta última frase faz parte do folclore de nosso futebol. Mas tem algo a ver, pois Serginho Chulapa respeitava a dupla.

  One Response to “Até Serginho Chulapa temia Orlando Fumaça”

  1. gilberto gosto muito quando você escreve seus próprios textos como este.
    São estes casos que bem contados e escritos fazem a verdadeira história do futebol.
    Abraços]
    Falcon

   
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