No primeiro título da história do América, o da Segunda Divisão de 1957, o meia-direita era Leal, apoiador atrevido e criativo, que também tinha muita força para ajudar na marcação. Era uma espécie de segundo volante dos tempos atuais. Durante a vitoriosa campanha, ele marcou três gols, inclusive o primeiro da vitória de virada por 3 a 2 sobre o Corinthians, em Presidente Prudente, na última rodada do hexagonal decisivo, que sacramentou o inédito acesso do Rubro para o Paulistão. João Leal Neto nasceu no dia 25 de setembro de 1937 e começou a jogar futebol em Santos, sua terra natal, no time infantil do Brasil. Levado pelo técnico Arnaldo de Oliveira, o Papa, foi para o Jabaquara. Meses depois, o treinador do Santos, Luiz Alonso, o Lula, pediu a contratação dele para a diretoria e foi atendido. Jogou no juvenil e participou de algumas partidas da equipe principal do Peixe. Defendeu a seleção paulista e também a Seleção Brasileira juvenil, vice-campeã sul-americana em Caracas, na Venezuela. Na final, em março de 1954, perdeu para a Argentina.

Ainda precoce (tinha 17 anos), o Santos decidiu trocá-lo pelo experiente zagueiro Ramiro, do Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras era dirigido pelo técnico Adolfo Russo e contava com Bigode, Telê Santana, Vitor, entre outras feras. Não se adaptou ao futebol do Rio de Janeiro e em 1956 disputou o Paulistão pelo Jabaquara. Na temporada seguinte foi contratado pelo América, por intermédio do diretor João Leite de Souza, que possuía uma máquina de beneficiamento de café na rua Pedro Amaral e tinha amizade com João, pai de Leal. “No começo relutei porque Rio Preto era um sertão. Fui para ficar 15 dias e permaneci dois anos”, recorda. Além do título da Segundona, no Rubro Leal também foi campeão do Torneio Início do Paulistão de 1958. Depois do estadual trocou o América pelo Guarani, onde jogou com Paulo Leão, Fifi, Bidon, Beluomini e outros. Em 1960, jogou no Noroeste, do técnico João Avelino, refazendo uma parceria campeã.

Atuou no clube de Bauru até 1962, quando surgiu o interesse de Portuguesa, São Paulo e Palmeiras. Optou pelo Tricolor, comandado pelo técnico Oswaldo Brandão, amigo de Avelino, mas o Noroeste não quis liberá-lo. “Vendi minha casa em Bauru e me mudei para Campinas com minha mulher (Elvira) e minha filha (Lucienne).” Fez um acordo com a diretoria noroestina para poder se transferir ao São Paulo, onde ficou dois anos (63/64). Atuou ainda no Botafogo, de Ribeirão Preto, em 1965, e na Ponte Preta, na temporada posterior, onde pendurou a chuteira, aos 29 anos.

Vitoriosa carreira de técnico
Dez anos depois de ajudar o América a subir para o Paulistão, João Leal Neto retornou ao clube como treinador. Foi em 1967. Ele ainda engatinhava como técnico (havia comandado o Noroeste em seis amistosos), quando o diretor Benedito Teixeira, o Birigüi, apareceu para contratá-lo, com a finalidade de substituir Rubens Minelli no comando do time rio-pretense. A equipe de Bauru integrava a Primeirona (atual A-2). “Além de ser da elite, o América me ofereceu um salário bem maior e pagou a multa rescisória”, informa. Dirigiu o Rubro no Paulistão de 1967, ficando em 7º lugar entre 14 participantes. A equipe permaneceu sob sua batuta até março de 1968, durante o primeiro turno do estadual, quando foi sucedido por Wilson Francisco Alves. “Tive problemas de relacionamento com alguns diretores”, afirma, sem citar nomes. “Eu ainda estava com espírito de jogador e o treinador precisar analisar os dois lados.”

Atuou como árbitro da FPF entre 73 e 75. Também foi treinador do Noroeste por duas vezes, Uberlândia, Gama, São Bento de Sorocaba, Goiânia, Atlético Goianiense e Caldas-GO, entre outras equipes até ser contratado pelo São Paulo em 1981, como auxiliar do técnico Carlos Alberto Silva, com quem formou uma grande dobradinha. Em julho do mesmo ano, retornou ao América, como treinador, para a fase final do primeiro turno e o segundo turno, ficando até novembro. Não renovou e acabou substituído pelo gaúcho Francisco Silva Neto, o Chiquinho. A parceria com Carlos Alberto Silva foi refeita na Seleção Brasileira em 1987. A equipe foi eliminada na primeira fase da Copa América na Argentina, mas foi campeã do Pré-Olímpico da Bolívia e da Copa Stanley Rouss, em Londres, e ganhou a medalha de prata na Olimpíada de Seul em 1988. Eles iniciavam a preparação para a Copa do Mundo da Itália (90), quando Ricardo Teixeira ganhou a eleição para a presidência da CBF e demitiu toda comissão técnica, contratando Sebastião Lazaroni. Leal também foi campeão da 2ª Divisão dos Emirados Árabes de 96, com o Kalba. Seu último clube foi o Santos, como auxiliar de Carlos Alberto. Formado em Educação Física, aposentou-se em 1998. Pai de Lucienne e Lilianne, ele e a mulher Elvira moram em Campinas.

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AMÉRICA – Campeão de 57. De pé: Adésio, Fogosa, Bertolino, Vilera, Ambrózio, Xatara e Gregório (massagista); agachados: Cuca, Leal, Dozinho, Vidal e Oscar

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SÃO PAULO – De 63. Em pé: De Sordi, Deleu, Leal, Roberto Dias, Riberto, Glauco e Serroni (mordomo); agachados: Nondas, Prado, Cido, Baiano e Canhoteiro

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SANTOS – Formação de 1953. De pé, a partir da esquerda: Ivan, Cássio, Urubatão, Barbosinha, Paschoal e Hélvio; agachados: Carlinhos, Leal, Álvaro, Vasconcelos e Tite

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GUARANI – Time bugrino de 1959. Em pé: Garbeline (diretor), Valter, Piracicaba, Beluomini, Eraldo, Bidon e Nica; agachados, na mesma ordem: Paulo Leão, Fifi, Rodrigo, Leal e Goiano

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NOROESTE – Do início da década de 60. Em pé, a partir da esquerda: Adésio, Navarro, Viana, Ademar, Pacheco e Bassú; agachados: Batista, Zé Carlos, Castelo, Leal e Valdo

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APRESENTAÇÃO – Em início de carreira como treinador, João Leal Neto (em pé à direita), ao lado do auxiliar Bertolino, faz palestra aos jogadores do América, após sua chegada para comandar o time rio-pretense no Paulistão, em julho de 1967

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SELEÇÃO – A foto mostra Mirandinha, Júlio César, Careca, Geraldão, Silas, Régis, João Leal Neto e Dunga em treino recreativo da Seleção Brasileira durante a Copa América de 1987, na Argentina. O Brasil foi eliminado na primeira fase

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SELEÇÃO – De pé: Carlos Alberto Silva, Valtinho (mordomo), Leal, Aloísio, Zé Carlos, André Cruz, Nelsinho, Edmar, Valdo, Douglas, Ricardo Gomes, Batista, Muller, e Walter Leal; agachados: Hugo Cheddid, Teotônio (massagista), Giovani, Jorginho, Ademir, Taffarel, Careca, Bebeto Oliveira (fisicultor), Romário, Milton, Gilberto (prep. de goleiros), Ronaldo Nazaré (médico) e jornalista não identificado

Fonte: diarioweb.com.br

   
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