Para que achou estranho o resultado do jogo GUAMANBI 10 X 0 LEÔNICO pela segunda divisão baiana ano passado, vejam o que aconteceu com a Espanha em 1983 pelas eliminatórias da eurocopa de 1984.

É quase senso comum de que a Espanha, por mais que se esforce, nunca monta seleções vencedoras. Pior, quando a equipe é boa, cede às pressões do favoritismo e da responsabilidade. Mas, há 24 anos, os espanhóis conseguiram fazer o que muitos consideravam impossível e buscando um resultado dos mais improváveis. E foi um feito tão inesperado que suscitou dúvidas – até justificáveis – a respeito da lisura do resultado.

Tudo aconteceu em 21 de dezembro de 1983. Mas, para entender essa história, é necessário voltar um pouco mais no tempo, a 5 de junho de 1982. A Copa da Espanha nem começara, mas Malta a Islândia já haviam aberto o Grupo 7 das Eliminatórias para a Eurocopa de 1984, a ser realizada na França. Com gols de Spiteri-Gonzi e Fabri, os malteses surpreenderam e vencem por 2 x 1 (Geirsson descontou para os escandinavos).
Como os outros integrantes do grupo eram Holanda, Espanha e Irlanda, e apenas uma seleção teria á vaga no torneio continental, estava claro que aquele jogo não teria maiores conseqüências. Na partida seguinte, ainda havia espaço para mais surpresas, quando a Islândia empatou em um gol com a Holanda. Mas parou por aí. De resto, o que se viu foi um domínio de espanhóis e holandeses, com os irlandeses tentando acompanhar sem muito sucesso. Assim, a Holanda bateu a Irlanda, que empatou com a Espanha em um emocionante 3 x 3 em Dublin e passou pela Islândia. Os ibéricos também venceram os escandinavos.
Foi quando começaram os fatos fora do programado. Malta receberia a Holanda, mas estava proibida de mandar essa partida em seu território pois o único estádio internacional do país, o Ta’Qali, estava em reformas. Por proximidade geográfica, os insulares pretendiam levar a partida para o sul da Itália continental ou para a Sicília. Os holandeses aproveitaram a oportunidade e ofereceram £ 20 mil (em valores da época) para que o jogo fosse realizado mais ao norte, onde a torcida laranja poderia comparecer. Os malteses aceitaram e levaram a peleja para Aachen, na Alemanha Ocidental.

Foi um massacre e o placar final – 6 x 0 para os laranjas – só não foi mais largo porque o goleiro maltês Bonello fez diversas defesas extraordinárias. Quem não gostou disso foi a Espanha, que se sentiu prejudicada. Os ibéricos protestaram na Uefa, pedindo a anulação da partida ou, então, que seu jogo como visitante contra Malta também tivesse o local convenientemente alterado. Em vão.
Com essa vitória, a Holanda começava a se destacar no grupo, com um saldo de gols bastante avantajado. Na partida seguinte, a Holanda foi a Sevilha com 6 jogadores de características defensivas, em busca de um empate precioso com a Espanha. Mas não funcionou e, com um gol de pênalti de Señor, os ibéricos alcançaram os laranjas na liderança do grupo.

A Irlanda ainda daria um último suspiro ao vencer Malta, mas uma derrota para a Espanha deixava os verdes fora da briga. Depois, foi a vez de os espanhóis irem a Malta. O estádio Ta’Qali (na foto como está hoje, após novas reformas) continuava em más condições, o que motivou mais reclamações da Espanha. Mesmo assim, o jogo foi realizado. Malta surpreendeu e chegou a fazer 2 x 1, mas a Espanha ainda conseguiu virar para um suado 3 x 2, com o gol da vitória marcado por Gordillo aos 40 minutos do segundo tempo.
A Espanha disparava na liderança, mas a Holanda estava com várias partidas a menos. Os laranjas se recuperaram, vencendo a Islândia e a Irlanda em Dublin. E novamente os dois líderes se enfrentam. Em Roterdã, Houtman pôs a Holanda na frente, mas Santillana empatou. No segundo tempo, Gullit fez o gol da vitória da Holanda, que igualava os pontos espanhóis, mas estava com clara vantagem no saldo de gols, por conta, principalmente, dos 6 x 0 sobre Malta.
Faltavam apenas 3 jogos para definir o grupo, todos com Malta como visitante. Em um jogo de eliminados, a Irlanda fez 8 x 0 em Malta. A seguir, a Holanda quase repetiu a goleada de Aachen ao fazer 5 x 0. Os holandeses comemoraram a classificação, pois abriam dois pontos e 11 gols de saldo de vantagem em relação à Espanha, que receberia os malteses em Sevilha no jogo decisivo.
E daí voltamos ao 21 de dezembro de 1983. Atuando em casa, a Espanha tem de vencer por improváveis 11 gols de diferença para se classificar à Eurocopa. Por isso, começam pressionando e, logo aos 3 minutos, conseguem um pênalti. Señor perde. O 0 x 0 permaneceria no marcador até o 16º minuto, quando Santillana põe a Espanha na frente. O problema é que, aos 24, Degiorgio empata para Malta. Os espanhóis teriam pouco mais de 60 minutos para marcar 11 gols.
Só conseguiram fazer mais dois no primeiro tempo, sempre com Santillana. Aos 4 do segundo tempo, Rincón faz o 4º gol espanhol. O goleiro maltês Bonello reclama que é alvo de mísseis atirados pela da torcida da casa, a ponto de levar um cartão amarelo. Com isso, não só ele, mas toda a defesa de Malta se enerva e a seleção alvirrubra leva 4 gols – dois de Rincón e outros dois de Maceda – em apenas 7 minutos (dos 12 aos 19 da segunda metade da partida).
A 15 minutos do fim, os ibéricos ainda precisavam de 4 gols para eliminar a Holanda. Santillana diminuiu o déficit espanhol marcando seu 4º gol na partida. Logo depois, o atacante maltês Degiorgio é expulso por fazer cera em uma cobrança de lateral. Malta acabou naquele momento. Rincón também fez seu 4º na partida e Sarabia, aos 35, deixou a Espanha a um gol da façanha histórica. E esse gol veio aos 41, com Señor, o mesmo que perdera um pênalti logo no início da partida. Com esse 12 x 1, a Espanha chegava a 13 pontos e saldo de 16 gols, os mesmo números da Holanda. Mas como os espanhóis haviam marcado 24 gols – dois a mais que o holandeses – garantiram a vaga.
Foi a vez de a Holanda protestar na Uefa. Muitos acharam estranho o resultado da partida de Sevilha, insinuando que o teria sido combinado. A entidade européia analisou o vídeo-teipe do jogo e manteve o placar e a classificação espanhola.

FICHA TÉCNICA
Espanha 12 x 1 Malta
Eliminatórias da Eurocopa de 1984
Local: Estádio Sánchez Pizjuan (Sevilha-ESP)
Público: 25 mil
Árbitro: Erkan Göksel (TUR)

Espanha: Buyo; Señor, Goicoechea e Camacho; Victor, Maceda e Gordillo; Rincón (Marcos Alonso), Sarabia, Santillana e Carrasco

Malta: Bonello; E. Farrugia, Tortell, Holland e Azzopardi; Buttigieg, Demanuelle, Fabri e R. Farrugia (M. Farrugia); Degiorgio e Spiter-Gonzi

Gols: Santillana (16/1º), Degiorgio (24/1º), Santillana (26 e 29/1º), Rincón (2 e 12/2º), Maceda (17 e 18/2º), Rincón (19/2º), Santillana (31/2º), Rincón (33/2º), Sarabia (35/2º) e Señor (41/2º)

Expulsão: Degiorgio (32/2º)

Entre os argumentos que colocavam e dúvida a honestidade daquele 12 á 1, foi lembrado o fato de que os espanhóis não venciam por mais de 5 gols de diferença desde 1978.

E ai o que vocês acham deste jogo?

  3 Responses to “O JOGO EM QUE A ESPANHA PRECISAVA VENCER POR 11 GOLS E VENCEU”

  1. Tomara que não seja brincadeira de 1º de abril.

  2. Olha acho muito improvável ter ocorrido isso,não que seja novidade mesmo em termos de seleções esta desconfiança,tivemos vários jogos polêmicos ,inclusive em Mundiais.Vide aquele Alemanha x Austria em 1982,acho que é a mesma coisa,o cara não se esforça,mas tbm n se pode provar que rolou grana.Na regra não está dizendo que os times são obrigados a botar sangue pela boca.Até porque por curiosidade fui ler a história do país na época do jogo,ele era governado meio a mão-de-ferro chegado ao socialismo apesar de sempre ter sido um país monarca,só em 1984 o Malta voltou a se aproximar do mundo capitalista.Acho dificil em um regime assim,totalitário, em 1983,onde o patriotismo é elevado isso ocorra.
    Ou como disse o Vampeta aquela vez;”Eu finjo que jogo” e eles “Finjem que pagam” é por aí e meu ver.

  3. Acho que no intervalo rolou ” algum ” . Parece-me que em Malta a vida não é assim tão boa e a seleção desclassificada…

   
© 2017 História do Futebol Suffusion theme by Sayontan Sinha