Devidamente credenciado, os rapazes do Bela Vista estiveram uniformizados no Rio, concedera, entrevistas e posaram para fotografias. Anunciaram que excursionariam pela Europa com um plantel de 16 jogadores para um mínimo de trinta jogos. Claro que todos ficam atônitos. Foi quando nasceu a conciliação – “O Bela Vista não enfrentará grandes times da Europa”. – Acontece que o maior clube daquele continente, o Real Madri foi o primeiro adversário. Por sinal, o Bela Vista perdeu de pouco: 2×1. Daí para frente a debâcle foi crescendo até que…o Bela Vista, já sem técnico, com um elenco dizimado, enfrentou o Newcastle na Inglaterra diante de 25 mil torcedores e foi ridiculamente esmagado por uma dúzia de tentos e um.
Nisto tudo naturalmente sobra à pergunta: “O CND não poderia manda-los de volta?” A verdade é que não pôde. O diretor do Bela Vista, Ronaldo Pontes, disse que tinha um contrato celebrado, com autorização do próprio CND e que seu clube não iria, em hipótese nenhuma quebrar compromissos. Veio então o pedido de intervenção do Itamarati. Lauro Muller Netto entrou em contato com dirigentes do CND e nada de positivo foi consagrado.
Depois de muitos apelos, o Bela Vista concordou em regressar ao Brasil. Não o fez imediatamente porque não encontrou lugares no avião e aproveitou para realizar mais dois jogos que não estão computados na relação dos jogos abaixo. Também os resultados destes dois últimos jogos não foram dados a conhecer pela imprensa brasileira.
No meio de toda essa confusão um homem estava felicíssimo: Fauszlinger, o homem que empresou o Bela Vista. Para que se tenha uma pálida idéia dos seus suculentos lucros aí vai algo que ele ganhou nas costas inexperientes dos mineiros de Sete Lagoas. Contra o Real Madri o Bela Vista arrecadou 35 mil cruzeiros e o empresário 365 mil cruzeiros. No primeiro jogo dos brasileiros em Londres, o empresário levou quase meio milhão. O Bela Vista voltou a ganhar sua cota de 35 mil cruzeiros por jogo. O clube mineiro foi explorado até a última gota.
Finalmente foi encerrada a aventura do Bela Vista. Depois de sofrer as mais estarrecedoras surras, sua licença foi cassada. Assim, de forma patética, melancólica termina uma aventura em pleno reinado do futebol brasileiro. Os jogadores são os menos culpados, Culpa grande, culpa gorda, cabe aos que, mesmo sabendo que o Bela Vista, segundo colocado num campeonato de classificação apenas, permitiram a consumação desta verdadeira palhaçada. Os dirigentes acusam o técnico que não soube escolher um plantel a altura. O técnico acusa os dirigentes dizendo que são um bando de viciados que preferiam freqüentar hipódromos franceses a tomar conta do time. Os jogadores se dividiram: meta a direção. Metade o técnico. O melhor mesmo é colocar uma pedra em cima deste caso. O julgamento caracterizará a farsa.

Campanha do Bela Vista –
Bela Vista 1 x Real Madri 2 – em Madri
Bela Vista 1 x Olimpique de Marselha 3 – em Marselha
Bela Vista 1 z Aachen 2 – em Evian
Bela Vista 3 x Lousane 2 – em Evian
Bela Vista 0 x Vib Lubeck 2 – em Lubeck
Bela Vista 1 x Hayde 0 – em Hayde
Bela Vista 1 x Grashoppers 2 – em Bolonha
Bela Vista 3 x Bolonha 3 – em Bolonha
Bela Vista 1 x Leipzig 1 – em Leipzig
Bela Vista 1 x Tênis Borussia 4 em Berlim
Bela Vista 1 x Alianceu 2 – em Copenhague
Bela Vista 3 x Holstein 5 – em Kiel
Bela Vista 1 x Wender Bremem 3 – em Bremem
Bela Vista 0 x Concórdia Hanburgo 1 – em Hamburgo
Bela Vista 0 x Braunschweig 2 – em Braunschweig
Bela Vista 0 x Blan-Wittamsterdan 6 – em Amsterdã
Bela Vista 0 x Birminghan 5 – em Birminghan
Bela Vista 1 x Newcastle 12 – em Newcastle
Bela Vista 0 x Midlesbrough 4 – em Midlesbrough
Bela Vista 0 x Sheffield 4 – em Sheffield

Jogos: 21

Vitórias: 2
Empates: 2
Derrotas: 17
golsmarcados = 64

gols sofridos = 17

  One Response to “EXCURSÃO DO BELLA VISTA A EUROPA EM 1958”

  1. Posso estar equivocado, mas acho que este artigo já foi postado pelo Edu Cacella há cerca de um ano.

   
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