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A CCS era uma pequena marca paulistana, surgida no início dos anos 90, sediada na rua Pinhalzinho, no Belém, que fornecia camisas para times pequenos e medianos por todo o Brasil. Os uniformes eram pouco comuns no seu design porém, bem práticos e criativos, o que barateava as produções, além de permitir a ela a confecção de diversas réplicas dos uniformes dos clubes nacionais e até da seleção canarinho. As camisas ficaram conhecidas, além do seu baixo custo,  por serem bem diferentes de quaisquer outras feitas no Brasil, já que na época era muito mais fácil imitar os desenhos europeus, como faziam as outras marcas.

Em uma época onde os materiais esportivos eram baratos e, em vários casos, beiravam a tosquice Brasil afora (mesmo em grandes clubes), a pirataria era rara e, talvez por isso, existisse essa espécie de tolerância com as réplicas de fabricantes nacionais com um mínimo de esmero, pelo menos.

Possivelmente, a grande façanha da CCS foi fabricar o uniforme do Vitória da Bahia, vice-campeão Brasileiro de 1993; tempos de Alex Alves, Dida, Edílson, etc…

Porém, clubes tradicionais do futebol nacional e, essencialmente, nordestino, também tiveram sua trajetória marcada por esse fabricante. É o caso do do Sampaio Corrêa-MA e do Volta Redonda-RJ, ambos em 1992:

Mas a grande contribuição da CCS mesmo foi dar um certo profissionalismo a clubes já muito tradicionais, porém pequenos! A sua vasta, barata e criativa linha de materiais proporcionava o desapego a uma preocupação antes muito notada nesses clubes, que era a confecção dos seus uniformes e trajes.

A CCS se espalhou por, praticamente, todo o território nacional ao fazer uma espécie de “pacote” e assinar contrato com um número enorme de clubes para fornecimento dos seus produtos.

Li que a fábrica deu seus últimos suspiros há uns 10 anos atrás e faliu por conta da concorrência, não conseguindo manter o padrão de qualidade. Li também que ainda se encontra material esportivo da CCS para clubes amadores em algumas lojas. Não sei ao certo…

O certo mesmo é que o futebol brasileiro deve muito a esse fabricante, que pouca gente recorda e cujo design inovador para a época e mentalidade altamente profissional de difusão dos seus produtos ajudou a divulgar clubes que antes mantinham-se restritos a um patamar amadoresco e, por que não dizer, artesanal no tocante ao seu uniforme de jogo.

RAMSSÉS SILVA.

FONTE:

http://www.minhascamisas.com.br/wordpress/2008/12/09/ccs-uma-marca-peculiar

FOTOS:

Catálogo da CCS de 1994; imagens da internet.

 

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No próximo dia 25 de Fevereiro, um dia após a estréia do Sampaio Corrêa na Copa do Brasil, em São Luís, contra o Sport, o torcedor boliviano ganhará mais um presente. Trata-se do lançamento do livro Sampaio Corrêa: uma paixão dos maranhenses.

O meu amigo e escritor Hugo José Saraiva Ribeiro conseguiu, de forma magnífica, contar a história dos 88 anos do clube mais tradicional do Maranhão, suas glórias, seus ídolos, seus recordes, seus jogos importantes e bastidores.

O livro, com cerca de 200 páginas, conta com uma coleção rara de cerca de 70 fotos e segue a cronologia de evolução do clube desde a sua fase amadora, nos primórdios do futebol no Maranhão, até os dias de hoje. Peculiaridades e passagens curiosas, além de uma leitura agradável e linguajar acessível serão encontrados nesta obra que é fonte indispensável de pesquisas do boliviano de verdade e de quem mais quiser se aprofundar na história do time mais antigo em atividade no Maranhão.

Sampaio Corrêa: uma paixão dos maranhenses. Uma boa pedida!

 

Tempos atrás, foi levantada uma questão importante no Blog; a veracidade das cores e do escudo do extinto clube maranhense Fênix Football Club que circulavam pela internet. Pois bem. Fiquei de pesquisar mais sobre o assunto e complementar o primeiro artigo sobre o Fênix, que inclusive foi o artigo da semana, com as informações pertinentes.

Primeiramente conversei com o colega e pesquisador ludovicense Claunísio Amorim, autor de “Terra, Grama e Paralelepípedos” na Feira do Livro em São Luís que me veio com a primeira descoberta e surpresa; as verdadeiras cores do Fênix eram semelhantes às do Peñarol, do Uruguai, ou seja, o amarelo e o preto, diferentes das conhecidas cores difundidas para esse clube na internet, que são o azul e o branco.

Claunísio falou-me também sobre um pesquisador, pernambucano de Itamaracá, de nome Luciano da Silva, amigo do falecido Dejard Ramos Martins, autor do clássico “Esporte, um Mergulho no Tempo“, que havia recebido deste falecido jornalista ludovicense alguns escudos de clubes maranhenses das primeiras eras e já extintos, que Dejard adquiriu quando de sua pesquisa na década de 80.

Entrei em contato através de e-mail com o Sr. Luciano da Silva, que me respondeu pronta e educadamente, enviando-me os escudos raros, alguns dos quais já postados aqui, que havia adquirido do saudoso Dejard Martins.

Mais uma surpresa! O escudo do Fênix veiculado nos sites, com a ave mitológica pousada sobre um brasão azul e branco, com as iniciais FAC (Fênix Athletic Clube, o 2º nome do Fênix), em nada lembra o verdadeiro escudo do pioneiro Fênix, que consiste em um distintivo em amarelo e preto, com a figura da fênix em alto relevo, centralizada, em cor branca.

Fiquei muito feliz com a contribuição do Sr. Luciano da Silva, grande pesquisador do futebol, e feliz também por poder compartilhar com todos aqui do Blog HF mais esta interessante descoberta. Agradeço em especial ao Mário Ielo, que tanto me cobrou e me fez correr atrás de mais um escudo perdido e desmistificado!

Só não sei se, depois do ressurgimento do Fênix com o 2º nome, houve também mudança nas cores, o que explicaria o escudo em azul e branco. Se não, podemos jogar por terra o dito escudo e eleger, a partir de agora, este aqui como escudo oficial do extinto clube…pelo menos de sua primeira formação.

A foto de 1924 está aí pra comprovar a conformação do uniforme e do escudo, pelo tosco contorno que existe na camisa do goal-keeper; mesmo com a péssima qualidade, dá pra notar o contorno igual ao escudo que aqui vos trago. Além disso, vos deixo o contato do Sr. Luciano e do Claunísio para quem quiser tirar as dúvidas sobre a veracidade dos escudos, ou mesmo quiser recebê-los. Eles fazem falta aqui no Blog, podem ter certeza!

Luciano da Silva: mayrik@oi.com.br

Claunísio Amorim: claunisio@hotmail.com

ESCUDO QUE CIRCULA PELA INTERNET (possivelmente falso ou pertencente ao 2º Fênix):

ESCUDO VERDADEIRO DO FÊNIX FOOTBALL CLUB (Fundado em 1918):

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Ajudem a divulgar, citando as devidas fontes…obrigado e abraços a todos,

Ramssés.

 

Bairro ludovicense do Tamancão, 10 de Junho de 1956; nascia ali um dos personagens mais emblemáticos do futebol maranhense, talvez o mais amado e odiado ao mesmo tempo de todos os craques que aqui foram revelados, o saudoso Reginaldo Castro, o eterno Bimbinha! Gênio com a bola nos pés, o endiabrado ponta esquerda talvez não tivesse noção de que suas características físicas e futebolísticas singulares iriam marcar para sempre a sua trajetória dentro e fora das 4 linhas, dentro e fora do seu Estado de origem.

Ainda moleque, Bimbinha sempre ia observar os irmãos bons de bola Reinaldo e Egui nas disputadas peladas do Tamancão, em São Luís. Um dia, Egui não pode comparecer a um dos compromissos do clube amador Atlântico, do qual fazia parte. Na calor do momento, restou ao treinador completar o quadro com um pirralho que viera “vestido de jogador” ao lado dos irmãos, para quebrar um galho. Rapidamente todos notaram que aquele guri era muito mais talentoso do que o irmão titular; não seria fácil retirá-lo agora da equipe que acabara de integrar…

Mas foi defendendo a camisa do Pedrinhas (provavelmente um time interno do famoso presídio da Zona Rural de São Luís), contra o Onze Irmãos (clube de presidiários), que o gigante apareceu de vez para o futebol maranhense. Bimbinha fez e aconteceu neste jogo. Diante de tal feito, o diretor do presídio José Carlos Viana Mendes, que também era dirigente do Maranhão Atlético Clube, proferiu ao nosso ídolo as imperativas palavras: “Moleque, você só vai sair daqui do presídio se der bode!”

O que ele quis dizer, na verdade, era que Bimbinha estava, a partir de então, intimado a vestir a camisa do Maranhão, o famoso Bode Gregório. O garoto, afim de sair daquela “saia justa”, topou na hora. Mas, acostumado a driblar a tudo e a todos, terminou indo jogar mesmo entre os juvenis do Sampaio Corrêa. E não tardou a ocupar o posto de titular da ponta esquerda no time principal.

Com estratosféricos 153 cm de altura e 51 kg no auge da carreira, Bimbinha várias vezes calçou as emblemáticas chuteiras Bubble Gummers nº 34, com as quais entortava quaisquer lateral mais desavisado. Diretamente proporcional ao seu tamanho era também o seu salário, muitas vezes não condizente com o seu talento nato. Era o menor jogador do futebol mundial em atividade na época, e talvez até hoje ninguém tenha batido este curioso recorde.

A verdade é que nunca ninguém o viu jogar mal; ou atuava de forma regular ou brilhantemente, jamais de forma medíocre! Era uma atração à parte nas disputas e clássicos futebolísticos maranhenses ganhando as mais diversas alcunhas a cada apresentação. Era tanto talento que irritava qualquer adversário! “Alegria do Povo“, “Xodó da Vovó” ou  “Pequeno Prodígio“, Reginaldo era assim. Amado e odiado. Respeitado e difamado. Mortal dentro da área, Bimbinha lembra que, nos seus aproximados 250 gols durante a carreira, uma pessoa muito especial teve grande participação; seu falecido amigo e ídolo do Sampaio Campeão Brasileiro de 1972, o saudoso Djalma Campos, um genial armador maranhense.

Foi Djalma que, em 1975, viu Bimbinha fazer desgraça numa pelada na salina do Tamancão e decidiu levá-lo, a todo custo, para defender o tricolor de São Pantaleão. Deu certo, e muito certo!

Houve um jogo contra o Corinthians-SP onde Bimbinha fez uma jogada antológica depois de um drible tão esdrúxulo quanto inesperado. Depois de passar por outros jogadores da defesa corintiana, Bimbinha deu um “drible da vaca” passando por debaixo das pernas do zagueiro Zé Maria! Até hoje essa jogada ecoa na lembrança dos torcedores mais saudosos da capital maranhense, registrada, inclusive, em foto raríssima…Bimbinha era a arma secreta para irritar também outros times que vinham do Sul e Sudeste do país enfrentar o Sampaio Corrêa. Era a cura pra todos os males da apaixonada torcida boliviana!

Infelizmente, quase no fim de sua carreira, Bimbinha foi obrigado a sair do Sampaio por questões trabalhistas; haviam explorado o craque durante anos a fio, deixando-o muito magoado. Foi atuar no arqui-rival Moto Clube, onde viveu ainda efêmeros dias de glória. Jogou também no Expressinho, Tupan e no futebol do Pará.

Tentou a carreira política, com grandes chances de ser eleito vereador de São Luís em 1988, mas foi convencido por um cartola boliviano, que também estava na disputa, a deixar a idéia de lado, visto que a Nação ficaria dividida, arriscando não eleger ninguém ligado ao seu clube de coração.

Pai de Régis e Silvano, Bimbinha tem por ídolos Zico e Roberto Dinamite, outros entortadores natos. Anos atrás, com a perda do emprego, passou por inúmeras dificuldades financeiras e ganhava a vida com as cotas das peladas e Campeonatos de Masters pelo time de veteranos do Sampaio.

Atualmente está bem. Pobre mas bem. Simpático e acessível, sempre é visto nos principais eventos relacionados ao futebol maranhense e será homenageado nesta Sexta-feira, dia 3 de Dezembro, pela torcida organizada do Sampaio Corrêa, a Tubarões da Fiel, por tudo aquilo que já fez pelo clube e pelo futebol do Estado.

Parabéns gigante Bimbinha! Continue sempre driblando as dificuldades da vida com um grande sorriso no rosto…

BÔNUS (Bimbinha atuando na Final do Maranhense de 1982):

http://www.youtube.com/watch?v=2-VljtIYRoY

FONTE:

http://candangol.blogspot.com/2010/04/bimbinha-o-entortador-do-maranhao_08.html

 

O Sampaio Corrêa derrotou a equipe do IAPE na tarde noite deste domingo 28, no estádio Nhozinho Santos pelo placar de 2 a 0 e conquistou o seu 29º título maranhense. Já a equipe do IAPE terminou o estadual na terceira colocação com 29 pontos.

O time Boliviano estava há 7 anos sem conquistar o título do estadual. O último conquistado pela Bolivia Querida foi no ano de 2003, quando a equipe derrotou o Maranhão Atlético Clube pelo placar de 3 a 2 em jogo realizado no dia 30/03 no estádio Castelão.

Os gols da partida no Municipal foram marcados por Edson, aos 28 minutos do primeiro tempo e Wescley, aos 15 minutos do segundo tempo.

A conquista deste domingo garantiu ao Sampaio uma vaga na Copa do Brasil e uma no Campeonato Brasileiro de 2011.

Confira as datas dos outro títulos da Bolívia Querida Maranhense :
1933, 1934, 1940, 1942, 1953, 1954, 1956, 1961, 1962, 1964, 1965, 1972, 1975, 1976, 1978, 1980, 1984, 1985, 1986, 1987, 1988, 1990, 1991, 1992, 1997, 1998, 2002 e 2003.

FICHA TÉCNICA

Sampaio 2×0 IAPE

Local: Estádio Nhozinho Santos

Arbitragem: Robson Martins Ferreira

Renda: Não divulgada

Público: Não divulgado

SAMPAIO: Rodrigo Ramos; Edson, Sílvio, Johildo, Raimundinho; Róbson Simplício, Elanardo (Eloir), Diones e Léo (Lucas); Wescley e Thiago Miracema.
Técnico: Sandow Feques.

IAPE: Flauberth; Carlinhos, Aldinho (Tim Marcos), Hans Muller; Dieguinho, Vagno Pereira, Tica (Valbson), Curuca e Raí; Cleilton (Vanvan) e Róbson.
Técnico: Paulo Cabrera.

CLASSIFICAÇÃO FINAL

Clube PG JG VI EM DE GP GC SG           %A
1 Sampaio Corrêa 35 16 11 2 3 33 14 19 72.9
2 Santa Quitéria 34 16 11 1 4 31 15 16 70.8
3 IAPE 29 16 9 2 5 28 16 12 60.4
4 Maranhão 29 16 9 2 5 27 16 11 60.4
5 Imperatriz 27 16 8 3 5 22 18 4 56.2
6 São José 19 16 5 4 7 23 25 -2 39.6
7 Nacional 13 16 3 4 9 18 37 -19 27.1
8 Bacabal 10 16 3 1 12 18 37 -19 20.8
9 Viana 8 16 1 5 10 7 29 -22 16.7
FONTE:

http://www.futebolinterior.com.br/news.php?id_news=160329

http://www.futnet.com.br/futebolmaranhense/sampaiocorrea/noticias/?120476_sampaio_%C3%A9_campe%C3%A3o_maranhense_2011

http://www.sampaiocorreafc.com.br/

 

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A aura que envolveu aquele Campeonato Brasileiro da Série C de 1997 foi diferente, de um misticismo que não há como explicar, a não ser pelo sentimento vivido por aqueles que lá estavam. E eu era um deles; a inédita possibilidade de presenciar um momento glorioso de um clube do meu Estado dava o toque ufanista que faltava à essa mistura de sensações…

O Clube já havia passado por uma situação igual em 1972, é verdade, quando vencera a Segundona e fora elevado à elite do futebol brasileiro, com várias pratas da casa em um talentosíssimo elenco. Mas dessa vez era diferente, era algo palpável, discernível, crível e, por que não, indescritível?!

Lembranças de um Estádio Castelão lotado, mesmo em campeonatos locais. Lembranças das “gerais”, já quase extintas Brasil afora e seus personagens emblemáticos, sua “ola”, seus irritantes apitos a confundir a tudo e a todos, seus tradicionais lançamentos de sacos cheios de urina arquibancada abaixo…tempo bom que, apesar de recente, talvez nunca volte.

A irretocável campanha do clube não deixou dúvidas quanto à sua capacidade tática e técnica e força de planejamento. Só que todos esquecem de um detalhe precioso nessas horas; no futebol, depois da bonanza é que vem a tempestade! O plantel seria inevitavelmente desestruturado no ano seguinte, deixando para trás títulos e, com certeza, alguns prejuízos. Mas torcedor não lembra disso; o imediatismo é o maior dos pecados futebolísticos! Nada estragaria aquela festa, e foi o que aconteceu!

Depois de uma 1ª fase mais regionalizada e de árduos confrontos nas fases de “mata-mata”, o time havia chegado invicto no último jogo do Quadrangular Final contra a Francana, de São Paulo. Havia a possibilidade real de igualar o feito histórico e, até então, único do Sport Club Internacional em 1979. Em um Castelão abarrotado com aproximadamente 70.000 “bolivianos”, o Sampaio desfilou talento em gramado timbira, abrindo 2 gols contra nenhum da Francana, que só diminuiria o placar no 2º tempo, com um gol de pênalti. O tempo de jogo estava se exaurindo…a euforia tomava conta de uma enorme platéia sedenta e carente de títulos, mas historicamente amadora do tão refinado esporte bretão.

Foi quando, faltando poucos minutos para o término da partida, um infernal atacante de nome Cal sacramenta a vitória, o título e uma delirante invasão ao campo, tudo de uma só vez! Eram heróis! Talvez até desconhecidos de muitos que ali estavam, mas ainda assim heróis…não tinham idéia da dimensão daquilo que haviam acabado de fazer! A imensa massa tricolor veio abaixo…era mesmo o maior do Maranhão, o maior do Brasil! E pensar que tudo aquilo havia começado entre gente humilde, funcionários fabris, carvoeiros, peladeiros e pescadores, muitos anos atrás…a iniciativa de pioneiros havia construído uma nação, tijolo por tijolo, em três cores intercaladas; o encarnado, o verde e o amarelo.

Saí do estádio com meu pai naquele dia enebriado com o clima do acontecido. Os torcedores sem saber o que fazer, ou mesmo sem acreditar, comemoravam a esmo, como se expressassem a carência de eventos tão gloriosos como aquele. Naquele dia havia virado, definitivamente, mais um “boliviano”. Quem sabe fadado ao sofrimento…mas qual torcedor não é fadado a tal “sorte”? Futebol sem sofrimento não é futebol, é simples mecanismo!

Desde então venho sofrendo, na ânsia de um novo e duradouro período de bonanza, sempre na esperança de que não haja tanta tempestade…

Ramssés Silva.

** BÔNUS:

Vídeos

http://www.youtube.com/watch?v=ESY0omy5EHg

http://www.youtube.com/watch?v=etRUEhB7i5M

http://www.youtube.com/watch?v=EYX4x9SeGUo

Resultados

Primeira Fase
Santa Rosa/PA 0×0 Sampaio
Sampaio 1×0 River/PI
4 de Julho/PI 0×1 Sampaio
Sampaio 4×0 Santa Rosa/PA

Segunda Fase
Sampaio 1×1 Quixadá/CE
Quixadá/CE 0×1 Sampaio

Terceira Fase
Santa Rosa/PA 0×0 Sampaio
Sampaio 3×2 Santa Rosa/PA

Quadrangular Final
Francana/SP 1×1 Sampaio
Sampaio 3×0 Tupi/MG
Sampaio 1×1 Juventus/SP
Juventus/SP 2×2 Sampaio

Tupi/MG 0×1 Sampaio
Sampaio 3×1 Francana/SP

Estatísticas

Jogos: 18
Vitórias: 12
Empates: 6
Derrotas: 0
Gols pró: 31
Gols contra: 11
Saldo de gols: 20

Artilheiro: Marcelo Baron (Sampaio Corrêa): 9 gols

Maior média de Público da Série C 1997.
Maior público (70.000) Sampaio 3×1 Francana

Jogadores

Geraldo, Erly, Ney, Gelásio e Lélis; Luís Almeida, Renato Carioca, Ricardo (Edmilson) e Adãozinho; Jó (Cal) e Marcelo Baron.
Técnico: Pinho.

 

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O Fênix Foot-ball Club surge já em um período de popularização do esporte bretão na capital maranhense. Isso tudo após domínio absoluto do FAC desde os idos de 1906 e, anos mais tarde, do Luso Brasileiro.

Segundo o principal jornal da época, “A Pacotilha” (que também foi o principal veículo de comunicação do FAC defendendo, por muito tempo, seus interesses), o Fênix F. C. foi fundado em 1918, juntamente com outros inúmeros clubes futebolísticos e associações desportivas que se multiplicavam, denotando o “engatinhar” da massificação e, consequentemente, do profissionalismo, e o “princípio do fim” do amadorismo relacionado a esse esporte em terras timbiras.

O Fênix surgiu como um clube de pequeno porte, provavelmente sem sede adequada e locatário de campos de outras equipes para o mando dos seus jogos. Como exemplo disso, um jogo entre FAC e Fênix foi assim descrito na imprensa: enquanto o FAC era chamado de “o veterano no foot-ball do Maranhão” ou o “grêmio milionário”, o Fênix era tido como “um clube pequeno, apesar de esforçado”.

É preciso entender que o  início da popularização do “foot-ball association” em São Luís foi fortemente influenciado pela figura de Gentil Silva (de pensamento contrário ao do elitista e conservador sportman Nhozinho Santos, que foi fundador do FAC) que, ao sair do FAC, acaba fundando o Onze Maranhense Foot-ball Club e induzindo o surgimento de outras agremiações, com a inclusão de atletas não mais obrigatoriamente pertencentes à elite local; peladeiros, funcionários das fábricas, pescadores, ambulantes. Além da participação de jogadores das mais diversas etnias.

O time do Fênix não fugiu à essa regra de massificação; boa parte do seu elenco era composto de afrodescendentes e foi com esse plantel miscigenado que o clube conquistou o Campeonato Maranhense de 1921, vencendo clubes tradicionais e protecionistas quanto ao “não amadorismo” e “miscigenação” no foot-ball local.

A partir do final da década de 10 e início da década de 20, o que se viu nos campos maranhenses foi o negro, o mestiço e o pobre ocupando cada vez mais espaço dentro do foot-ball…e ganhando respeito e admiração, dentro e fora das 4 linhas! As aclamadas seleções maranhenses de 1927 e 1928 eram já quase que compostas em sua totalidade por afrodescendentes, indivíduos estes que gozavam de grande prestígio em São Luís.

Quanto ao Fênix F. C., faltam mais dados para uma “biografia” definitiva do clube, a serem aqui acrescentados assim que necessário. O certo é que o aspecto multiracial do plantel permaneceu intacto até os dias da foto acima postada e, com certeza, continuou até o fim das atividades da saudosa agremiação, provavelmente no final dos anos 20 ou início dos anos 30.

Era o aparecimento do profissionalismo no foot-ball maranhense. E era um caminho sem volta…

FONTE:

Claunísio Amorim Carvalho. Terra, Grama e Paralelepípedos. Ed. Café e Lápis, 2009. São Luís.

 

O Botafogo Futebol Clube, carinhosamente denominado Botafogo do Anil, o mais antigo e tradicional clube amador em atividade em São Luís, foi fundado no dia 15 de setembro de 1933, por torcedores fanáticos do Botafogo Football Club, do Rio de Janeiro. Entre esses estavam: Zé Veiga, Engole Cobra e Geraldo Preto, a quem a família botafoguense do Anil agradece, por proporcionar a oportunidade de participar de uma extensa família.

Na década de 40, graças ao apoio oferecido pelos proprietários da Fábrica Têxtil Rio Anil, o Botafogo do Anil chegou a disputar o campeonato maranhense da primeira divisão no ano de 1944, sagrando-se vice-campeão, tendo sido derrotado apenas pelo – na época imbatível – Moto Club, comandado pelos proprietários da fábrica Santa Isabel – família Aboud. O maior destaque da equipe era o meia Inaldo Veiga.

Passada essa fase, o Botafogo retornou ao amadorismo, conquistando vários torneios, dos quais o mais importante foi o que incluiu representantes de todos os bairros, tendo sido considerado o melhor clube amador de São Luís.

Em 1953 foi fundada a LADE (Liga Anilense de Desportos), com a finalidade de promover o campeonato anilense. No mesmo ano foi realizado o primeiro campeonato anilense, contando com a participação do Botafogo, Cruzeiro, Nascente, 1º de Maio, Bahia e outros, tendo o Botafogo do Anil se sagrado campeão. Em 1954 o Botafogo sagrou-se campeão invicto e eram destaques os atletas Aú, Zé Agarrô, Valfredo, Bi, Hélcio, Carrinho Sales, Alemão e Zé Lisboa.

No início da década de 70 o Botafogo filiou-se na FMD, onde disputou o campeonato da segunda divisão. Ali, o alvinegro anilense foi campeão de 1975, 1987 e 1988 e vice-campeão em 1976, 1980 e 1984.

Em 1989 o Botafogo retornou ao futebol do Anil, filiando-se ao DADA onde permanece até hoje. Além do futebol, o Botafogo desenvolve outras atividades culturais e sociais na sede social localizada na Avenida São Sebastião, nº 5, Anil.

A diretoria atual é composta por pessoas de dinamismo e abnegação, com destaque para Augusto Pereira, Murilo Mendes, Monteiro, Bolão (Joselito Veiga), Balula, Dionísio, Aguiar, Cleverson, Zé Luiz, Sandro, Eraldo, Fátima, Pingo, Bastos, Dorgival, Josélia, Assis, Abraão, César, Leônidas, Boréu (Raimundo Nonato Buna), William Veiga, Augusto Veiga e Augusto Moraes.

Ligado desde a fundação à família Veiga, o Botafogo tem na sua tradição a medida dos 77 anos de contribuição ao futebol maranhense, formando jogadores de nome nacional. Pelas hostes alvinegras anilenses passaram jogadores como Carlos Alberto, Tatu, Cachaça, Zeca Moleza, para ficar apenas nesses poucos.

Hoje o alvinegro anilense desfruta de prestígio no Maranhão, é uma das maiores forças do futebol amador de São Luís e continua de forma célere desenvolvendo o papel de formar jogadores.

FONTE:

http://www.jornalpequeno.com.br/2006/9/20/Pagina42458.htm

 

fausto

Sempre que tem oportunidade de participar de encontros envolvendo o futebol brasileiro, o radialista Haroldo Silva, com uma larga folha de serviços prestados a esse esporte, inicia sua participação da seguinte forma:

- “Senhores e senhoras, sintam-se à vontade na terra onde nasceram Fausto dos Santos e Canhoteiro.” Isto, se o evento envolver convidados de outros estados, e acontecer em São Luís.

Quando o evento acontece em outro Estado, Haroldo Silva tem o hábito de se pronunciar da seguinte forma:

- “Senhores e senhoras, permitam-me dizer, inicialmente, que estamos vindo da terra de Fausto e Canhoteiro.”

Com isso, o renomado radialista, com a experiência de ter participado das transmissões de três copas do mundo de futebol, demonstra o respeito e, principalmente, a importância que esses dois nomes têm para o futebol maranhense e brasileiro. Já abordamos, aqui, o ídolo Canhoteiro. Hoje é o dia de Fausto dos Santos, ou simplesmente, Fausto, cognominado de “Maravilha Negra” que, se vivo fosse, completaria em 28 de janeiro de 2008, exatos 103 anos.

Por algum motivo que desconhecemos – e Haroldo Silva qualquer dia desses vai abordar o assunto, e talvez consiga explicar no livro que está escrevendo sobre a exuberância participativa do negro no futebol – os historiadores e pesquisadores do futebol brasileiro nunca revelaram os nomes dos pais de Fausto dos Santos. Permitem, isso sim, imaginar, que Fausto, por ser apenas “dos Santos”, seria filho de mãe solteira. Mas isto não vem ao caso. Pois, Fausto dos Santos nasceu no dia 28 de janeiro de 1905, no município maranhense de Codó.

Afirma o jornalista Dejard Ramos Martins, no seu livro “ESPORTE – Um mergulho no tempo”, editado em 1989, que: “Fausto dos Santos deixou sua terra natal, a então pacata cidade maranhense de Codó, ainda criança. Era filho de pais pobres. No entanto ele seria um predestinado para maravilhar o mundo esportivo. A família arrumou a bagagem e mudou-se. Foi fixar residência no Rio de Janeiro. Na adolescência deu seus primeiros passos no manejo da bola. Aos poucos passou a ser observado pelos olheiros e cobiçado por quase todos os clubes cariocas. Desde os 12 anos chamava a atenção do bairro. Quando chegou à adolescência vieram os elogios da crítica carioca. Na juventude era um craque perfeito. Preto, alto, muito magro, mas muito futebol. Lamentavelmente enveredou por falsos caminhos e tornou-se um boêmio inveterado. A fama subiu-lhe à cabeça. Não estava preparado para ser tão cobiçado. Não soube dosar a consagração.”

Fausto, com absoluta certeza, e por conta do depoimento de muitos que viram a exuberância do seu futebol, foi um dos mais brilhantes meio-campistas de todos os tempos. Convocado para a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1930, conseguiu escapar do fracasso do time nacional e chegou a ganhar da imprensa uruguaia o apelido de “A Maravilha Negra”, pela excelência de sua técnica e a firme liderança que exercia em campo.

“Quando Fausto começou a jogar futebol, em 1926, no Bangu, era meia-esquerda. Transferiu-se para o Vasco da Gama em 1928 e passou a jogar como médio volante. Os analistas consideravam-no o mais perfeito marcador da sua época, o homem dos passes mais preciosos de quantos viveram no seu tempo. Sagrou-se campeão carioca em 1929, pelo Vasco da Gama.” (Esporte – um mergulho no tempo – Dejard Martins).

No dia 14 de julho de 1930, a seleção brasileira perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1, em jogo realizado no Parque Central, em Montevidéu, no Uruguai, jogo da Copa do Mundo. No jogo em que foi registrada a presença de 5.000 torcedores e que teve a arbitragem de Aníbal Tejada, do Uruguai, a seleção brasileira entrou em campo com: Joel; Brilhante e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando Giudicelli; Poly, Nilo, Araken, Preguinho e Theóphilo. O Técnico foi Píndaro de Carvalho Rodrigues. O gol brasileiro foi marcado por Preguinho (filho do escritor maranhense Coelho Netto, aos 16 minutos do segundo tempo, quando o placar era 2 a 0 para a Iugoslávia. Fausto e Preguinho, este pelo gol, foram os únicos do selecionado brasileiro a receber elogios.

Na mesma Copa do Mundo de 1930, o Brasil enfrentaria em seguida o selecionado da Bolívia, vencendo por 4 a 0, com gols de Moderato (2) e Preguinho (2). Píndaro de Carvalho Rodrigues mandaria campo a seguinte formação brasileira: Velloso; Zé Luiz e Itália; Hermógenes, Fausto e Fernando Giudicelli; Benedito, Russinho, Carvalho Leite, Preguinho e Moderato.

Depois de começar carreira profissionalmente no Bangu Atlético Clube, em 1926, Fausto dos Santos se transferiu para o Clube de Regatas Vasco da Gama, onde permaneceu, de 1928 até 1930. Ali foi convocado para a seleção brasileira. Renomado, famoso, transferiu-se para o Barcelona da Espanha, em 1931. Jogou na Europa numa época de muita discriminação racial. A boemia acabou afetando o seu estado físico.

“Entretanto, já famoso no Brasil, Fausto dos Santos só conseguiu se projetar internacional em virtude das boas atuações na Copa do Mundo de 1930, em Montevidéu, no Uruguai. Depois disso, o zagueiro se transferiria para o Barcelona, da Espanha. A tuberculose já acometera Fausto dos Santos, que aproveitou para fazer um tratamento especializado na Suíça, em 1932, atuando também pelo Young Fellows.” (Esporte – um mergulho no tempo – Dejard Martins).

Voltou ao Brasil e ao Rio de Janeiro em 1933, seis quilos mais magro. Eram os sintomas da tuberculose. Entretanto, em 1934, aparentemente recuperado, Fausto voltaria a defender o Vasco da Gama, de onde se transferiria, novamente, em 1935, para o Nacional do Uruguai.

De volta mais uma vez ao Rio de Janeiro, Fausto dos Santos foi contratado pelo Flamengo, onde encontrou o técnico húngaro Dori Krusch que resolveu escalá-lo na zaga, entendo que isso seria menos desgastante para o jogador. Fausto não aceitou a decisão e levou o clube à Justiça, mas perdeu a causa.

Depois de longa internação no Hospital São Sebastião, no Rio de Janeiro, foi transferido para o Sanatório Municipal de Santos Dumont/MG, onde faleceu no dia 28 de março de 1939, aos 34 anos de idade.

Fausto, maranhense de Codó, conseguiu apenas dois títulos nacionais: campeão carioca em 1929 e 1934, ambos pelo Clube de Regatas Vasco da Gama.

FONTE:

http://www.jornalpequeno.com.br/blog/oliveiraramos/?p=98

 

imagesCASJ6VU2Tricolor de São Pantaleão, Bolívia Querida de Maior Torcida, Time de Escol ou, simplesmente SAMPAIO!

Conheça um pouco dos quase 90 anos de história de um dos clubes mais tradicionais do Maranhão e do Nordeste, através de acontecimentos pitorescos, tendo como pano de fundo o Campeonato Brasileiro da Série D, de 2010 e o massacre do 1º jogo das Oitavas de Final, onde o Sampaio venceu o CSA de Alagoas por 5×0 no Estádio Municipal Nhozinho Santos, na capital maranhense:

Clique aqui

FONTE:

Canal faraooh – Youtube

 

O hino do FAC, clube de futebol pioneiro em São Luís, (antigo Fabril Athletic Club, resurgido em 1916 como Foot-ball Athletic Club), intitulado “Canto da Vitória”, revelava a força que o clube atribuía a si, fato aliás comum a todos os hinos:

“Aléguap – Aléguap. | Hipp – Hurrah.

Canto:

Ao campo, à luta | A vós se escuta | De uma vitória,

Vamos, gigantes, | E confiantes. | De ter a glória

Lutar, lutar.| Sem descansar | Um só momento;

Para vencer,| Tudo fazer,| Sem desalento!

(coro estribilho)

Lutemos todos pela vitória,| Guardando a glória|

Que ela nos dê:

Voltando grande, puro e eloqüente| Somos ardente|

Ao F.A.C.| Mostremos que na nossa camisa,| Uma divisa| Nobre se lê

Por juventude forte e viril!| Pelo Brasil!| Pelo F.A.C.

(canto)

E tremular| Com honra e valor,| Sempre a bandeira

Linda, altaneira,| Do tricolor.| Que cada um,

Dizê-lo possa,| Forte e potente| E altivamente:|

Aquela é nossa!!!

(coro estribilho)

Lutemos pela vitória,| Guardando a glória| Etc., etc., etc.”

O FAC dominou o cenário futebolístico local durante muito tempo, ficando conhecido, inclusive, fora do Estado através de seus intercâmbios e parcerias mas, a partir de 1918, ganhou um adversário de peso na capital maranhense, o SC Luso Brasileiro, com o qual teve confrontos memoráveis, surgindo, daí, grande rivalidade. Isso tudo antes do surgimento de Sampaio Corrêa, Moto Club e Maranhão Atlético Clube ou seja, antes de 1923, mas essa já é uma outra história…

FONTE:

Claunísio Amorim Carvalho

“Terra, grama e paralelepípedos (os primeiros tempos do futebol em São Luís: 1906-1930)”

Ed. Café & Lápis, São Luís, 2009.

 

O F. A. Clube

“Decorreu animadíssimo o baile á fantasia realisado na noite de ante-ontem, pelo F. A. Clube, na sua séde á rua Grande, para comemorar a sua inauguração oficial.

O confortável edifício apresenta garrida ornamentação, quer externa, quer internamente, a par da mais profusa iluminação.

Os seus vastos salões, artisticamente engalanados, realçavam esplendidamente com a bonita ornamentação que ostentavam, com as cores do clube ‘White’, ‘Black’ e ‘Red’, o que lhes emprestava tons verdadeiramente lindos e de grande efeito.

Ás vinte e uma horas era já grande o numero de sócios e convidados, quando se realisou a cerimônia inaugural da sociedade. Á meza, presidida pelo sr. Joaquim R. Lopes da Silva, presidente da assembléa geral, ladeado pelos secretários srs. Joaquim Belchior e Horacio Aranha, tomaram assento os srs. Tenente Bessa Cunha, representante do sr. governador do Estado, e coronel Joaquim M. Alves dos Santos, presidente da diretoria, proferindo o presidente da assembléa rápida alocução alusiva á solenidade, declarando oficialmente inaugurado o F. A. Club.

Minutos após, quando os vastos salões da simpática sociedade já regurjitavam de convidados, tiveram inicio as danças, que se prolongaram até as 3 horas da madrugada, no meio da mais alegre animação.

Foi indubitavelmente uma festa brilhante, a que acorreu o que a nossa sociedade tem de mais seleto, e que marcará, estamos certos, época na vida do Clube, deixando tambem saudosa recordação em quantos lá estiveram, por isso que os distintos moços do Clube não pouparam esforços para o realce que a sua festa obteve, cumulando a todos das mais significativas provas de gentileza e atenções.

Ainda em complemento ao inolvidável baile de antehontem, quizeram novamente os diretores do clube reunir hontem, em volta do ‘ground’ de ‘foot-ball’, a mesma sociedade de escol que sabado freqüentava os seus salões. Deu começo á festa esportiva o 1.º concurso grotesco (maçãs em água salgada), do qual foi vencedor Travassos; em seguida realisaram-se mais quatro concursos (boxe com olho vendado, sem resultado), quebrar botes cheios dagua com olhos vendados, saindo vencedor – Nova; (Place-kick), que ficou tambem prejudicado; luta de tração, entre os ‘teams’ ‘Black’ e ‘Red’, sendo vencedor ‘Red’.

Poucos minutos depois, teve começo o ‘match’ de ‘foot-ball’, entre os ‘teams’ ‘Black’ e ‘White’ e ‘Red’ e ‘White’. Era este o numero do programa que maior interesse despertava entre os jogadores e a assistencia. No primeiro ‘half-time’, os do ‘Black’ lograram vazar, por duas vezes, a área do ‘goal’ dos ‘Red’ e os do ‘Red’ conseguiram marcar um ponto para o seu ‘team’.

No segundo ‘half-time’, porem, os do ‘Red’ conseguiram marcar mais dois ‘goals’ para o seu partido, dando em resultado 3 ‘goals’ do ‘team’ ‘Red’ contra 2 do ‘team’ ‘Black’, sendo portanto o ‘Red’ o vencedor na esplendida festa de hontem, que a simpática sociedade ofereceu á sociedade maranhense.

Estiverem presentes as demoiseles: Virjinia Fernandes, Zezé Jorge, Ana Fonseca, Maria Camões, Amelia Pereira, Herminia Assis, Zila Godinho, Viviva Aranha, Maria da Gloria Aranha, Maria J. Matos, Zulina Aranha, Cecilia e Maria Aranha de Moura, Maria Luiza Braga, Adele Belo, Maria José Belo, Vitoria Gandra, Rosita Castro, Marieta Castro, Maria Galas, Edit e Esmeralda Fernandes, Emilia Andrade, Alix e Esmeralda Estela, Anicota Morais Rego, Suzel Carvalho, Joana Borel, Maria J. C. Castro, Neuza e Amelia C. Cunha, Maria L. Sá, Antoninha Souza, Maria da Gloria Belo, Carmelita Belo, Silvia e Edit Ribeiro, Herminia Veiga, Neide Viana Santos, Santoca Santos, Dora Oliveira, Mundiquinha Blhun, Anabela Fernandes, Zenaide, Carmem e Marieta Lopes, Maria Conceição Machado, Maira Augusta, Anicota e Fracy Godinho, Aldenora Peregrino, e muitas outras.

Madames – Edmundo Fernandes, Henrique Gandra, Horacio Aranha, Almir Valente, José Francisco Jorge, João da Silva Gomes, José de Souza Belo, João Raimundo Pereira, Raul Merys, Albiano Moreira, Jaime Nunes, Carlos O. Morais Rego, Manoel de Carvalho, Artur Meireles, José Lopes da Cunha, Domingos Mendes, Joaquim Pinto Franco de Sá, Artur Belo, Francisco Guimarães de Oliveira, Bernhard Blhum, Manoel G. Moreira Lima, Ezequiel Parada, Francisco Galas, Emilio José Lisboa, Zuleika Beleza, tenente João Duarte, Manoel Pecegueiro, Alfredo Teixeira e outras.

Cavalhairos – entre muitos vimos os srs. dr. Clodomir Cardoso, intendente municipal; dr. Antonio Boas, secretario do intendente; dr. Raul Pereira, oficinete do gabinete do governador e o seu ajudante de ordens, tenente Bessa Cunha, capitão-tenente Artur Lima Meireles, comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, tenente João Duarte, capitão do porto, dr. Alberto Correia Lima, secretario da fazenda, Manoel Gomes de Castro e Licurgo Chagas, representando o Central Caixeiral; coronel Manoel Vieira Nina, Joaquim Ribeiro Lopes da Silva, Joaquim Freitas Belchior e Horacio C. Aranha. Joaquim M. A. Santos, Charles E. Clissold, Humberto Fonseca, Saturnino Belo, Edmundo Fernandes, José da Cunha Santos Guimarães, Charles V. Reade, N. T. Scarniam, W. J. MacDonald, Antonio Alves dos Santos, José Mariano Travassos, João Freitas Jorge, José Alves Santos, Acrisio Lobão, José M. Prado Junior, José Francisco Jorge, Antonio Martins, Nelson Oliveira, Inacio Jansen Ferreira, Afonso Gandra, Henrique Gandra, Antonio Wall, João Marcos Almeida, Edgard Nogueira, Julio Gallas, Francisco Furiatti, Bento Labre, José Nova Alves, Pedro Mendes, José Lopes da Cunha, Almir Valente, Carlos O. Morais Rego, João B. Morais Rego Junior, José Camões, Francisco Souza, Vitor R. Viana, Fran Pacheco, Franklin C. Ferreira, Joaquim M. Gomes de Castro, dr. Joaquim Pinto Franco de Sá, Carlos Alberto Ribeiro, Albino Moreira, João Raimundo Pereira, Artur Belo, tenente Osmundo Anequim, dr. Nelson Jansen, Humberto Jansen Ferreira, tenente Olavo Machado, José de Melo, João Viana da Silva, Clarindo Santiago, Manoel de Carvalho, Cleomenes Costa, Manoel G. Moreira Nina, Domingos Mendes, João Teles de Miranda, Ezequiel Parada, Paulino Lopes de Souza, dr. João Silva Almeida, dr. José Barreto C. Rodrigues, Carlos Rodrigues e Alfredo Teixeira.”

FONTE:

Jornal A Pacotilha, 31 de janeiro de 1916, pág. 4.

 

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José de Oliveira Ramos (adaptação: Ramssés de Souza Silva)
Contra a importação de “craques”
O soccer maranhense tinha progredido, lamentando-se apenas a mania que tomava vulto da importação desenfreada de “craques” de outros centros, em detrimento dos nossos jogadores. Isso era um desestímulo ao processo de preparação de bons valores, um desprezo à “safra”. Luso e F.A.C. cada dia mais se reforçavam com as importações, trazendo atletas do Amazonas, Pará e outros centros mais desenvolvidos. A importação, como ainda hoje acontece, não obedecia a uma necessidade premente, dentro de uma programação cuidadosamente feita. Era o mesmo ímpeto de hoje: contratar sempre. Pouco havia a preocupação de entremear-se o atleta importado com os nossos nativos.

(ESPORTE – Um mergulho no tempo – Página 463 – Dejard Ramos Martins – Livro editado em 1989)
Fundado no dia 25 de março de 1923 – 86 anos completados – o Sampaio Corrêa Futebol Clube era o representante maranhense no Campeonato Brasileiro da Série C em 2008, programado para ser iniciado no dia 24 de maio, diante do Paysandu, no estádio Mangueirão (ou seria na Curuzu?) em Belém.
Isto, no aspecto chamado profissional, onde o time vivia às turras para conquistar o primeiro turno do Estadual- tarefa nada fácil, como foi demonstrada, haja vista que, dos 9 pontos disputados o time conquistou apenas 4.
O site oficial do clube divulgava o planejamento traçado, acreditava-se na gestão, onde estava destacado o interesse na ascendência para a Série B do Campeonato Brasileiro no ano de 2009. A pouco mais de um mês para a estréia na competição nacional, percebia-se que ainda existe uma nuvem escura “demorando a passar” sobre as hostes do Tricolor de São Pantaleão. O time estava sem treinador. Isto se considerarmos que Arlindo Azevedo foi contratado para comandar a parte física e atlética do clube.
Pela formação que entrou em campo já sob o comando interino de Arlindo (Rodrigo Ramos; Ricardo Feltre, Robinho, Johildo e Almir; Tica, Cristiano, Marcinho e Juninho; Tico Mineiro e Tiago Miracema) e principalmente em função do resultado obtido (1 a 1) o Sampaio Corrêa teria fatalmente muitas dificuldades para ascender à Série B. Dessa formação, o zagueiro Robinho não “era mais” titular. Essa posição pertencia a Leandro.
Quem observar bem vê que, Rodrigo Ramos, Leandro, Almir, Cristiano, Tico Mineiro e Tiago Miracema não são maranhenses. São seis jogadores “oriundi” e esse número foi ainda aumentado para as disputas da competição nacional. E é neste ponto que pretendíamos chegar. Abordar o assunto da formação do elenco profissional, quase sempre com jogadores provenientes de outros estados. Desse elenco quase não fez parte algum jogador maranhense. E por quê? Porque nenhum é trabalhado de forma adequada, como exige o atual futebol.
O Sampaio Corrêa sempre foi assim. É cultural. Quem lembra da formação do time campeão brasileiro de 1972 e de 1997? Pois aí vai. Depois de empate em 1 a 1 no tempo normal diante do Campinense da Paraíba, o tricolor conquistou a vitória por 5 a 4 na cobrança de penalidades, através do zagueiro Neguinho (frise-se, zagueiro “maranhense”). O time realizou 17 jogos, conquistou 8 vitórias, 4 empates e sofreu 5 derrotas. Conquistou 22 pontos. Marcou 19 gols e sofreu 8. Pelezinho foi o artilheiro do time com 8 gols marcados. O time: Jurandir; Célio Rodrigues, Neguinho, Nivaldo e Valdecir Lima; Gojoba, Djalma Campos e Edmilson Leite; Lima, Pelezinho e Jaldemir. Desses, eram maranhenses Célio Rodrigues, Neguinho, Gojoba, Djalma Campos e Pelezinho.
Em 1997 não foi diferente. Com um time comandado pelo técnico Pinho formando com Geraldo; Erly, Gelásio, Ney e Lélis; Luís Almeida, Renato Carioca, Ricardo (Edmilson) e Adãozinho; Jô (Cal) e Marcelo Baron. No time titular não havia sequer um jogador nascido no Maranhão. Foi campeão invicto. O que ficou para o patrimônio? Só a conquista e, certamente, os prejuízos financeiros.
Mas esse último detalhe só serve para confirmar a cultura “boliviana” de não dar o devido e necessário valor ao jogador nativo. É bem verdade que, em 1972, entre os cinco maranhenses do time (Célio Rodrigues, Neguinho, Gojoba, Djalma Campos e Pelezinho), Gojoba e Pelezinho já estavam na curva descendente, depois de alcançarem sucesso no Sport Recife e na seleção brasileira. Célio Rodrigues, Neguinho e Djalma Campos não eram mais tão jovens.
Atualmente, entretanto, em que pese constar do planejamento (e, pelo visto, isto consta apenas do planejamento mesmo e fica muito distante da prática) no seu item 2 (Gestão Futebol Profissional) que prevê “Valorizar os atletas maranhenses (Prata da Casa), adotando políticas de investimento, oferecendo condições de trabalho, para que no futuro o clube possa contar com o seu patrimônio (atleta) e contar com um elenco de atletas genuinamente maranhenses e com o retorno do investimento garantido.” Ou ainda no item 3 (Categoria de Base) que pretende ” – Aprimorar as instalações do CT com criação de alojamentos e vestiários; – Criar o Departamento de Capacitação de Talentos; – Criar Núcleo/Escolinhas na Grande São Luís em áreas adequadas e Pólos em Municípios do Estado, em regime de parcerias, visando também o social com incremento ainda mais as atividades esportivas; – Criar a Escolinha de Futebol Feminino, investindo nessa categoria, objetivando o fortalecimento dessa equipe para disputas de torneios e competições oficiais, haja vista a projeção nacional que essa modalidade tem proporcionado; – Fomentar a participação das Equipes de Base em torneios nacionais e internacionais dando mais experiência aos futuros craques; – Intensificar a política de investir em treinadores e jovens atletas para fortalecer o clube como um todo; – Mantendo o trabalho ascendente em todas as categorias promovendo ações junto aos atletas de base, preparando-os para chegarem ao time profissional prontos para atuar.” – o certo é que o Sampaio Corrêa não consegue sair do papel. Não sai do planejamento e, tanto isso é verdade que, tão logo conclui-se o primeiro turno do campeonato estadual, dirigentes e funcionários do clube viajam procurando contratar reforços para as disputas do Campeonato Brasileiro.
Estranho de tudo isso é que, oficialmente, ninguém sabe do fim ou da continuidade da parceria com o CEFAMA. Até onde se sabe – em que pese constar do Planejamento a construção de espaços e estrutura para o Trabalho de Base, o Sampaio Corrêa continua usando as dependências do CEFAMA, na Maiobinha em que pese a existência de uma área absurdamente grande no Turu. Não existe nenhuma “capacitação de profissionais” para o tal Departamento de Capacitação de Talentos e ninguém sabe da criação de “Núcleos” em São Luís ou em qualquer município do interior do Estado.
O que se sabe, entretanto, é que, num passado que não está muito distante, sem qualquer condição de trabalho e vivendo exclusivamente do empirismo, o ex-funcionário (???) Gil Babaçu – literalmente carregando um saco de material nas costas -, sem qualquer tipo de formação científica e sem um milímetro de apoio, fez surgir Wamberto (embora esse tenha sido adquirido junto ao extinto Ferroviário), William, Toninho, Izaías, Douglas, Donizete, Ronilson, Raí, Roy, Rubenilson, Hamilton Gomes e pelo menos mais de cinco dezenas de jogadores que, apesar das deficiências e da ausência de trabalho qualificado, andaram defendendo a camisa do Sampaio Corrêa com muita garra.
Era o “encarnado” que valorizava as cores da camisa tricolor.
Afirma-se, portanto, que é cultural em qualquer dirigente do Sampaio Corrêa, o “ato de contratar” e contratar sempre e sem qualquer justificativa, como disse na janela na abertura desta matéria, o falecido “boliviano” Dejard Ramos Martins. Parece que formar a base para, a partir daí formar também patrimônio, não é preocupação “boliviana” que exista além do papel e do Planejamento.
Djalma Campos, Rosclin, Luís Carlos, Ivanildo, Paulo Lifor, Bimbinha, Izaías, Ronilson sempre foram mais jogadores do que Fernando Carlos, Lima, Roberto Barra Limpa, Sabará, Dadá, Massaude, Marcelo Baron. Sabem por que? Porque lhes corre nas veias o sangue maranhense.

FONTE:
Sampaio Corrêa – eterna indecisão na base (José de Oliveira Ramos – Jornal Pequeno on line, 8 de abril de 2009)

http://www.jornalpequeno.com.br/2009/4/8/Pagina104249.htm

 

O futebol no Maranhão, assim como em outros lugares do país, teve seu início vinculado às elites locais e, portanto, de acesso restrito e segregador. Um esporte de cunho tão nobre quanto este, praticado por homens considerados verdadeiros cavalheiros, exigia certo padrão nos nomes dos atletas, e esta influência é notadamente estrangeira, nos quais se sobressaíam os sobrenomes, mas não estranha aos brasileiros, já que este também foi um legado de nossa colonização portuguesa, a exemplo dos nomes dos intelectuais e políticos a seguir: Gonçalves Dias, Gonçalves de Magalhães, Castro Alves, Deodoro da Fonseca, Machado de Assis, Nina Rodrigues, Campos Sales, Rodrigues Alves, Coelho Netto, Paula Ney, Lima Barreto, Medeiros e Albuquerque, Cruz e Souza, Araújo Porto Alegre, Barbosa de Godóis, Gomes de Sousa, Monteiro Lobato, Veiga Miranda, Oliveira Lima, entre outros. No futebol local isto ocorria, mas a forma como eram nominados os atletas deixa clara a forte influência britânica. Basta ver algumas das interessantes escalações dos primeiros tempos, como as destas equipes do FAC (Fabril Athletic Club) e do Maranhense FC (1910):

TEAM “A”
J. Mário, F. Machado, A. Gandra, F. Campos, A. Santos, J. Gomes, A. Faria, T. Downey, C. Reade, A. Figueiredo.
Capitain – J. Gomes.

TEAM “B”
A. Lima, B. Queiroz, M. A. Santos, A. Vieira, José Ferreira, D. Rodrigues, J. Santos, sobrinho, L. Mello, J. S. Soldatt e C. E. Clissold.
Capitain – C. E. Clissold.

Também na composição de times pequenos, como o União S. Club, a tônica ainda predominava: “J. Marinho, J. Meireles, Bilio, Hilton, Francisco, Custodio, F. Guimarães, Edgar, C. Martins, Carlos B. e J. Gomes. Rezervas: A. Valente e H. Gomes” [sic].
O FAC, o mais influente clube de futebol da época, foi o responsável por uma mudança de iniciativa na padronização das escalações, modificando essa desnecessária rigidez e permitindo o uso de nomes mais simples (Reinaldo, Cláudio, Euclides, Quincas) e até apelidos (Totó, Cutuba, Coroca), e isto deve ser datado a partir de 1916, como nestas escalações dos times internos do clube:

Os teams estão organizados da seguinte forma: – Black & White – Tavares (goal-keeper); Leite e Totó (full backs); Reinaldo, Claudio e Ferreira (half backs); Schloback, Fritz, Lebre, Anequim e Euclides (forwards). – Red & White – Avefar (goal-keeper); Cutuba e Lisboa (full backs); Borjes, Paiva e Quincas (half backs); Novas, Galas, Coroca, Bessa e Travasso (forwards) [sic].

Uma semana depois da partida citada, no jogo interno do FAC, já entre os teams White x Blue, a escalação do primeiro foi a seguinte: Torquatinho, Moleiro, Bananinha, Girafa, Cabo Zé, Camorim, Paraguai, Acari, Coutinho, Sepetiba e Terereca. Daí em diante, a nomenclatura dos atletas não mais se modificou, prevalecendo a utilização dos prenomes e apelidos.
Curiosamente, as funções dos jogadores, os lances da partida, a terminologia do campo, as bolas, os gols, tudo ainda continuava sendo expresso à inglesa, rigorosamente, criando um ambiente que relembrava as origens modernas do foot-ball. E isso perdurou ainda por muito tempo nos gramados do Maranhão.
De 1907 a 1930, o que se via nos jornais, não apenas na Pacotilha (uma das maiores referências jornalísticas do início do futebol maranhense), é um desfilar de palavras em inglês. Até durante as partidas, carinhosamente chamadas de matchs, era possível ouvir as pessoas gritando “hip, hip, hurrah!”, e outras expressões, como no jogo FAC 3×4 Tiradentes (navio), quando a torcida não parou de gritar no velho e bom idioma bretão, como relatam os periódicos da época.
Como é de se imaginar, isso tudo devia soar muito estranhamente aos ouvidos dos que integravam as camadas mais populares, assim como o próprio futebol em si, então um esporte novo, mas de acesso restrito aos cavalheiros de “boa estirpe”, caso também estivessem em dia com suas mensalidades nos clubes onde eram sócios…

FONTE:
Claunísio Amorim Carvalho
“Terra, grama e paralelepípedos (os primeiros tempos do futebol em São Luís: 1906-1930)”, Ed. Café & Lápis, São Luís, 2009.

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