Contando com a preciosa colaboração do amigo, membro, pesquisador e historiador Auriel de Almeida… Segue aí mais um escudo raro: o Americano Futebol Clube é uma agremiação da cidade de Macaé, no Norte Fluminense (RJ).A Sede atual do Americano F.C., fica localizada na Rua Coronel Sizenando De Souza, 599 – no Bairro de Visconde Araujo, em Macaé.

 Como é possível notar, que o escudo foi inspirado no vizinho Americano de Campos, que por sua vez, provavelmente copiou o Americano F.C. do Rio (Bairro de Vila Isabel).   A equipe Alvinegra Macaense disputou o Campeonato Fluminense em 1950.

 
O campeonato organizado pela Associação Nictheroyense de Esportes Athleticos, em 1928, é talvez o mais polêmico da história. O título conquistado pelo Byron é tão contestado que muitas fontes preferem considerar o Ypiranga como o verdadeiro campeão – sem asteriscos. E a tendência piorou quando o Byron saiu de cena. Mas gostando ou não, a história deve ser respeitada: o título é mesmo da Cruz de Malta. Vamos ao campeonato.
Campeonato da A.N.E.A. – 1928
Participantes:
Byron F.C. (Barreto)
Canto do Rio F.C. (Icaraí)
S.C. Elite (Centro)
Flamengo S.C. (São Domingos)
Fluminense A.C. (Icaraí)
G.R. Gragoatá (Gragoatá)
Nictheroyense F.C. (Centro)
Rio Cricket A.A. (Icaraí)
C.A. São Bento (Icaraí)
Ypiranga F.C. (São Lourenço)
Torneio Initium (8/4/1928):
Byron 2-0 Nictheroyense
—————————–
Gragoatá 0-1 Ypiranga
Canto do Rio 0-0 São Bento (Corners: 2-0)
Elite 0-0 Fluminense (Corners: 0-1)
Byron 2-0 Flamengo
——————————
Canto do Rio 0-0 Ypiranga (Corners: 1-0)
Fluminense 3-0 Byron
——————————
Fluminense 0-0 Canto do Rio (Corners: 1-0)
Fluminense Athletico Club, campeão do Initium!
Turno:
15/4
Byron 2-2 Nictheroyense
Gragoatá 2-1 Fluminense
Elite 3-3 Rio Cricket
Ypiranga 6-0 Flamengo
22/4
Canto do Rio 4-3 São Bento
Nictheroyense 3-1 Flamengo
Byron 8-1 Elite
Ypiranga 0-wo Rio Cricket (o Rio Cricket não compareceu)
29/4 – sem jogos oficiais, festival esportivo ao prefeito de Nictheroy
6/5
Nictheroyense 2-0 Canto do Rio
Byron 3-0 Gragoatá
Ypiranga 8-3 Elite
13/5
Canto do Rio 6-0 Elite
Gragoatá - Rio Cricket (jogo adiado a pedido dos clubes)
Ypiranga 3-3 Byron (jogo interrompido com a marcação de um penalty para o Ypiranga, torcida, jogadores, dirigentes armaram um sururu e não deixaram o penalty ser batido. A liga deixou para resolver o caso depois)
20/5
Gragoatá 5-4 Nictheroyense
Fluminense 3-3 Byron
São Bento 0-wo Flamengo (o Flamengo não compareceu)
27/5
Ypiranga 4-2 Gragoatá
São Bento 4-1 Elite
Byron 0-wo Flamengo (o Flamengo não compareceu, revelou-se que o clube estava em frangalhos, encerrando suas atividades pouco depois. Seus matches foram desconsiderados)
3/6
Ypiranga 4-2 Fluminense
São Bento 3-2 Rio Cricket
10/6
Canto do Rio 2-2 Ypiranga
Fluminense 0-wo Rio Cricket (mais um não-comparecimento do Cricket)
Nictheroyense 0-wo Elite (e o Elite também se desligou do campeonato, desconsiderando-se os seus resultados)
17/6
Ypiranga 5-1 São Bento
Rio Cricket 2-9 Byron
Nictheroyense 3-5 Fluminense
24/6
São Bento 0-1 Nictheroyense
Canto do Rio 4-3 Byron
1/7
Canto do Rio 1-1 Fluminense
Nictheroyense 0-2 Ypiranga
Gragoatá 3-1 São Bento
8/7
São Bento 2-2 Fluminense
Canto do Rio 0-wo Rio Cricket (mais uma derrota por wo do Cricket, desta vez por chegar dez minutos atrasado e o Canto do Rio, usando o regulamento, recusou-se a jogar)
15/7
Gragoatá 8-3 Rio Cricket (jogo adiado do dia 13/5, pouco depois o Rio Cricket seria o terceiro a abandonar o campeonato e ter os resultados desconsiderados)
22/7 – sem jogos oficiais, festa esportiva
29/7
Canto do Rio 1-2 Gragoatá
Byron 4-1 São Bento
Returno (só começou em 23/9, entre 5/9 e 16/9 houve uma pausa para a realização do Campeonato Fluminense de Seleções):
23/9
Byron 2-1 Ypiranga
Canto do Rio 4-3 Gragoatá
30/9 até 11/11 - campeonato novamente interrompido, desta vez por conta do Campeonato Brasileiro de Seleções
18/11
Fluminense 3-2 São Bento
Ypiranga 10-0 Canto do Rio
25/11
Ypiranga 4-0 Gragoatá
Byron 3-3 Fluminense
São Bento 6-3 Nictheroyense
2/12
Ypiranga 4-2 São Bento
Fluminense 6-0 Nictheroyense
Byron 0-wo Gragoatá (o Gragoatá entregou os pontos, sem explicação)
9/12
Fluminense 2-3 Ypiranga
São Bento 4-0 Canto do Rio
Gragoatá 3-1 Nictheroyense
16/12
Nictheroyense 3-2 Ypiranga
Fluminense 0-wo Canto do Rio (o Canto do Rio entregou os pontos, sem explicação)
23/12
Byron 5-3 São Bento
Nictheroyense 8-3 Canto do Rio
30/12
Fluminense 4-1 Gragoatá
Byron 3-0 Canto do Rio
6/1/1929
Gragoatá 0-wo São Bento (o São bento entregou os pontos)
13/1/1929
Byron 6-1 Nictheroyense
Classificação por pontos perdidos:
1. Byron                      5pp, 11j (*)
1. Ypiranga               5pp, 11j (*)
3. Fluminense          10pp, 12j
4. Gragoatá                12pp, 12j
5. Nictheroyense    15pp, 12j
6. Canto do Rio        16pp, 12j
7. São Bento              19pp, 12j
- Elite, Flamengo e Rio Cricket sem classificação e com jogos desconsiderados
(*) Como se pode ver, só faltava o resultado de Ypiranga versus Byron do turno, não concluído quando estava em 3-3 e com um penalty a favor do Ypiranga. Foram dias e dias sem solução, fizeram uma pausa para o carnaval até que resolveram ANULAR o jogo e disputá-lo novamente do zero no dia 17/3/1929. O Ypiranga não gostou nada e em assembléia geral decidiu não disputar a partida. No dia 11/3 enviou à imprensa e à A.N.E.A. uma carta informando o seu descontentamento e ABRINDO MÃO DO TÌTULO, sugerindo que a A.N.E.A. “dê o título a quem quiser”. Sendo assim, a A.N.E.A. marcou os pontos da partida anulada ao Byron, que se tornou campeão de 1928.
17/3/1929
Byron 0-wo Ypiranga
Classificação Final oficial:
1. Byron                       5pp, 12j
2. Ypiranga                7pp, 12j
3. Fluminense           10pp, 12j
4. Gragoatá                12pp, 12j
5. Nictheroyense    15pp, 12j
6. Canto do Rio        16pp, 12j
7. São Bento              19pp, 12j
- Elite, Flamengo e Rio Cricket sem classificação e com jogos desconsiderados
Time-base do Byron: China; Achilles e Rosa; Djalma, Terrível e Luiz; Miguel, Dias, Fonseca, Hernani e Zacharias
Pouco depois do polêmico wo, o Ypiranga desafiou o Byron para uma taça amistosa (Taça Mme. Ribeiro de Almeida), disputada no dia 31/3/1929. A disputa tornou-se uma “final moral”, e o Ypiranga venceu por 3-1, se considerando, com apoio da imprensa, o “verdadeiro campeão”. Passados os anos, muitos passaram a contar esse jogo como uma final, mas a verdade é que não fazia parte do campeonato, era mesmo uma disputa amistosa.
Outro exemplo do quanto o título do Byron foi desrespeitado foi a criação da Taça Niterói-Campos, organizada pela Associação dos Cronistas Desportivos do Estado do Rio com aval da A.F.E.A. O Byron deveria enfrentar o Rio Branco, mas esse se recusou a jogar, pois “o Byron não merecia ser considerado campeão niteroiense”.
 

 

Pesquisando as páginas do ‘Jornal O Imparcial’ encontrei mais um escudo raro: o Rio Auto Football Club. O time tinha uma ligação com o Sindicato de Motoristas do Rio.

Segundo o nosso amigo, membro de pesquisador, Auriel de Almeida, essa equipe teve vida curta. O começo foi até inspirador, mas logo os seus sócios foram migrando, gradativamente, para o Fluminense Football Clube. Com isso, o Rio F.C. foi perdendo forças até desaparecer nos anos 20.

Em 1905 um jovem Alberto Borgerth participou de um breve reerguimento do mesmo, e o Rio passou a disputar competições juvenis (sub-20), como tinha muitos sócios em comum com o Flu, acabou virando um “Fluminense Júnior”.

Nessa fase tornou-se grande rival do Carioca FC, de Botafogo, este uma espécie de “Botafogo Júnior”. O Carioca FC acabou absorvido pelo Botafogo, e ao que tudo indica o Rio FC foi absorvido pelo Fluminense, isso por volta de 1909.

 

Nessa pesquisa, encontro de tudo um pouco. Um exemplo é a reportagem do Jornal O Imparcial, do dia 24 de Maio de 1927 (nas páginas 9 e 11), no qual aborda o Campeonato da Liga Brasileira.

Além da competição, um escudo novo (pelo menos para mim) do Municipal Foot-Ball Club, que tinha a alcunha de ‘O Veterano clube alvi-verde da Brasileira’, sendo Fundado numa quinta-feira, do dia 28 de Novembro de 1912.

Agregando informações sobre o time e a competição, o nosso amigo, membro e Pesquisador Auriel de Almeida esclarece:

O Municipal era de Santo Cristo… E jogava de camisas verdes. Era um dos melhores clubes da Liga Brasileira.

A Sub-Liga Brasileira servia de “estágio” para os clubes. Eram observados com cuidado pelos membros da liga principal, e os que se destacassem acabavam ingressando na Segunda Divisão.

 A partir de 1929 ou 30, se não me engano, o estágio na Sub-Liga passou a ser obrigatório, pra entrar na segundona tinha que passar pela sub-liga primeiro. De certa forma, a sub-liga acabava sendo uma espécie de “Terceira Divisão“, já que o acesso da segundona para a primeira também dependia de aprovação em vários anos, e sem contar que a implantação da mesma coincide com o fim da terceira divisão original.

 O modelo foi copiado pelas sub-ligas profissionais nos anos 30. Dá pra fazer um paralelo com as ligas de samba atual, onde cada divisão é uma liga separada.

A famosa Liga Suburbana chegou a ser filiada, como sub-liga, também em 1921, mas a experiência foi péssima. Os principais clubes saíram, o campeonato foi de baixo nível e a mesma foi desfiliada (e extinta) em menos de dois anos. A Liga Brasileira realmente foi a que deu certo 

 

Abaixo, a matéria na íntegra:

A partida trava entre grêmios da Sub-liga, foi movimentada e teve desenrolar apreciável, que por certo satisfez a assistência que compareceu ao campo da Rua Sá, na Piedade (zona Norte do Rio).  

Directores, jogadores e assistentes, todos contribuíram para que reinasse sempre a ordem e a disciplina. Boas cargas foram feitas inicialmente, por ambos os quadros, parecendo à primeira vista que difícil seria os locaes perderem a partida.

Um jogo esperto e interessante prendeu a attenção, durante os quarenta minutos do primeiro tempo, que terminou de forma a contentar gregos e troyanos, pois houve um empate de 1 x 1, sendo marcadores: Caetano, do Municipal, e Julio, do Brasil, batendo penalidade maxima.

No segundo tempo, o jogo foi ainda mais attraente e o Brasil, jogando com ardor, teve a felicidade de desempatar – conquista esta que achamos ilegal, pois o jogador que conseguiu estava impedido.

Não intimidaram os visitantes e firmando-se no ataque, foram aos poucos se assenhoreando (dominando) do terreno e obtiveram mais três pontos, por intermédio de Waldemar, Alfredo e Zé Maria, vencendo, pois, por 4 a 2.

 MUNICIPAL: Zezé; Luiz e Elias; Ramos, Quadros e Ferreira; Zé Maria, Waldemar, Alfredo, Freitas e Caetano

 BRASIL: Edmundo; Paulino e Julio; Aristides, Branqueza e Edmundo; Merete, Zoca, Luciano, Alves e Jeronymo.

 Árbitro: José Miranda

 2º Quadro: Municipal 5 x 3 Brasil

3º Quadro: Municipal 2 x 1 Brasil

 Demais resultados:

Benfica 2 x 2 Itamaraty

Dois de Junho 4 x 2 Portugueza

 Classificação geral

Nº.

CLUBES

PG

J

V

E

D

GP

GC

SG

União

6

3

3

0

0

12

07

05

Municipal

6

3

2

0

1

15

08

07

Bemfica

6

4

2

2

0

06

04

02

Dois de Junho

5

5

2

1

2

10

09

01

Africano

3

3

1

1

1

06

04

02

Ferreira Pinto

3

3

1

1

1

03

02

01

Brasil

2

3

1

0

2

10

09

01

Itamaraty

1

3

0

1

2

05

11

-6

Portugueza

0

4

0

0

4

10

23

-13

10º

Luzitano

-

-

-

-

-

-

-

-

11º

Light

-

-

-

-

-

-

-

-

12º

Jacarepaguá

-

-

-

-

-

-

-

-

 

Complementando o meu último artigo, eis alguns detalhes dos campeonatos da Federação Paulista de Football, entidade oficial do futebol paulista em 1933 e 1934.

CAMPEONATO PAULISTA DE FOOTBALL de 1933 – FPF

Participantes (só se inscrevram clubes da capital, não houve campeonato do interior):

- C.A. Albion (São Paulo) – ex-São Paulo Alpargatas, havia vencido a segundona no ano anterior, mas sua participação na primeirona da APEA havia sido vetada pelos “figurões” do conselho técnico, situação bem comum na época. Sua sede era na Rua São Jorge, pertinho do Corinthians.

- A.A. Casale Paulista (São Paulo) – clube do bairro Cambuci.

- Feira Livre F.C. (São Paulo)

- Minas Geraes F.C. (São Paulo) – do bairro do Brás, chegou a disputar outros paulistões e ser campeão de divisões inferiores. No final dos anos 20 mudou de nome algumas vezes, fez fusão, e chegou a se chamar Auto-Audax. Em 1933, por algum motivo, o clube voltou a se chamar Minas Geraes.

- A.A. das Palmeiras (São Paulo) – surpresa para mim. Alguns sócios do veterano e famoso clube de futebol da capital não haviam aceitado o fim da equipe e fuga de sócios para o SFC e resolveram “reerguer” o clube, com sede nova (já que a Floresta ficou com o Tricolor). Infelizmente, durou pouco tempo.

- C.A. Paulista (São Paulo) – fruto da fusão entre o tradicional S.C. Internacional e o Antarctica

- A.A. República (São Paulo) – clube do bairro Aclimação, participou de campeonatos anteriores. Ao que fui informado, ainda existe como time amador.

- São Paulo Railway A.C. (São Paulo) – atual Nacional Atlético Clube, o “Ferrinho”.

- União Guarany F.C. (São Paulo)

- União Vasco da Gama F.C. (São Paulo)

Os seguintes clubes faziam parte do grupo dos “fiéis” à CBD, participariam do campeonato, mas desistiram antes do início da competição, pois temiam que a FPF não fosse reconhecida. Foi um mal movimento, pois a mesma foi filiada pela CBD em agosto, dois meses após o início da competição. Considerados fortes, a ausência deles foi mais do que sentida:

- Guarani F.C. (Campinas)

- C.A. Juventus (São Paulo) – o “Moleque Travesso” só se tornaria o C.A. Fiorentino no ano seguinte

- C.A. Santista (Santos)

 

OS CAMPEÕES DA FPF em 1933

Campeonato Paulista de Primeiros Quadros – Albion (campeão), União Guarany (vice)

Campeonato Paulista de Segundos Quadros – Albion (campeão), São Paulo Railway (vice)

Torneio Início de Primeiros Quadros – Paulista (campeão), Albion (vice)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Notícia sobre a filiação da Federação Paulista de Football, em 1933

 

 

 

Fugindo um pouco do tema “futebol fluminense”, o post de hoje é sobre mais uma injustiça do mundo do futebol.

Todos sabemos que nos conturbados 30 anos iniciais do esporte predileto dos brasileiros foram frequentes as cisões esportivas estaduais, originando ligas rivais e disputas de duas competições em um mesmo ano.

A regra sobre a validade ou não desses campeonatos é simples: foi um clube grande que ganhou? Se sim, o título é contado, se não, é relegado às traças da memória.

Contudo, o caso do futebol paulista em 1933 e 1934 é ainda mais chocante: os campeonatos da Federação Paulista de Football, a entidade OFICIAL do futebol de São Paulo, ou seja, FILIADA E RECONHECIDA pela entidade máxima do país, a Confederação Brasileira de Desportos, esta por sua vez reconhecida pela FIFA, é simplesmente ignorada pela atual FPF, assim como pela imprensa. O motivo original: seus campeões, Albion (33) e Juventus (34) são clubes pequenos. O motivo atual: dirigentes da FPF atual e a mídia em geral nem devem saber que esse campeonato existiu.

 

Juventus, o campeão paulista oficial de 1934, quando se chamava C.A. Fiorentino

Explicando melhor a história:

A Associação Paulista de Esportes Athleticos (APEA), dirigente oficial do futebol paulista, já vinha se aproximando do profissionalismo, para o desgosto de alguns clubes. Em 1926 houve uma séria cisão, quando as agremiações que se diziam verdadeiramente amadoristas abandonaram a APEA e fundaram a Liga de Amadores de Football (LAF). A CBD, no entanto, continuou do lado da APEA, pois o profissionalismo desta não podia ser comprovado. De 1926 até 1929 houveram dois campeonatos paulistas, o da APEA e o da LAF, sendo que apenas o da APEA, filiada à CBD, era oficial. Não obstante, mesmo que a LAF fosse “pirata”, todos, atualmente, contabilizam os dois campeonatos na lista oficial de campeões paulistas. Foram eles:

1926 – Palestra Itália (APEA) e Paulistano (LAF)

1927 – Palestra Itália (APEA) e Paulistano (LAF)

1928 – Corinthians (APEA) e Internacional (LAF)

1929 – Corinthians (APEA) e Paulistano (LAF)

Sem apoio oficial a LAF, enfraquecida, acabou. E seus principais clubes, entre eles Paulistano, AA das Palmeiras, Germânia e Internacional, relevantíssimos no cenário do futebol paulista, infelizmente saíram de cena de nosso futebol, sendo alguns extintos e outros apenas encerrando o departamento de futebol.

De 1930 a 1932 a APEA reinou sozinha no futebol bandeirante. Porém, em 1933, veio a cisão profissionalista. E eis o que aconteceu, contando em paralelo os fatos no Distrito Federal (Rio de Janeiro), para ajudar na compreensão.

Os dois maiores centros de futebol do país eram comandados, até então, pela já mencionada APEA (SP) e pela Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA, do DF/Rio), ambas filiadas à CBD.

Em 1933 alguns clubes do Rio e de São Paulo decidiram implantar o regime profissional. A CBD foi categoricamente contra. O que aconteceu no Rio e em São Paulo, então, de certa forma foram o inverso um do outro.

No Rio de Janeiro a AMEA, entidade oficial, manteve-se do lado da CBD e bateu o pé contra o profissionalismo, por mais que o mesmo já fosse praticado por baixo dos panos. Os clubes dissidentes, então, saíram da AMEA (e, junto, da CBD e da FIFA) e fundaram a Liga Carioca de Football (LCF), profissional e “pirata”.

Em São Paulo foi o contrário. A direção da APEA posicionou-se a favor do profissiolismo, e foi desfiliada pela CBD, tornando-se uma liga não-oficial. Alguns clubes, porém, preferiram ficar do lado da CBD, e fundaram a Federação Paulista de Football (FPF), logo filiada e reconhecida pela CBD como a entidade máxima do futebol paulista. Entre eles o Guarani, a Ponte Preta, o CA Paulista, Hespanha (atual Jabaquara), São Paulo Railway (atual Nacional), entre outros.

Em 1933 e 1934, então, tivemos no Rio e em São Paulo dois campeonatos em cada, sendo um “amador” (em tese) e oficial (reconhecido pela CBD, entidade filiada à FIFA), e o outro profissional e pirata (não-oficial, lembrando que a Federação Brasileira de Football foi criada depois pelos dissidentes, mas jamais reconhecida pela FIFA). Foram campeões:

1933/SP – Albion (“amador”, oficial), Palestra Itália (profissional, pirata)

1933/Rio – Botafogo (“amador”, oficial), Bangu (profissional, pirata)

1934/SP – Juventus (“amador”, oficial), Palestra Itália (profissional, pirata)

1934/Rio – Botafogo (“amador”, oficial), Vasco (profissional, pirata)

Lembrando que o Juventus, quando conquistou o título, chamava-se “Clube Atlético Fiorentino”, jogando com camisa grená e flor-de-lis inspirada no emblema da Fiorentina italiana no peito. Depois de conquistar o título de “Campeão Paulista de Futebol” o Juventus ainda conquistou a Taça São Paulo, novo nome da Taça Competência, ao vencer a AA Ferroviária de Pindamonhangaba, campeã do interior, por 5 x 0 e 3 x 1. Esse título também não é lembrado, pois até da lista de campeões da Taça Competência Albion e Juventus são excluídos…

A história da cisão no Rio de Janeiro é muito bem lembrada, pelo tamanho do Botafogo. Porém, em São Paulo, Juventus (que até então conquistara um terceiro lugar em 1932, em campeonato com todos os grandes) e Albion foram jogados para escanteio.

Em 1935 a facção “cebedista”, como os jornais chamavam, virou o jogo. A CBD finalmente aceitou o profissionalismo (ou melhor, admitiu que este fosse praticado às claras), e muitos dos clubes mais fortes das entidades piratas passaram para o seu lado, exceção feita à Flamengo, Fluminense, América e Portuguesa, que ainda insistiriam com a FBF por mais alguns anos. Um dos motivos da debandada para a CBD: como a entidade era filiada à FIFA, fora dela os dissidentes não conseguiam jogar partidas amistosas internacionais, e a tendência seria um isolamento e enfraquecimento cada vez maior. Bastava a CBD aceitar o profissionalismo para ganhar a parada.

De 1935 a 1936, novamente foram dois campeonatos, desta vez ambos eram profissionais, continuando a APEA e a LCF como “piratas” e com as amadoristas FPF e AMEA sendo “transformadas” em entidades profissionais, sendo elas a Liga Paulista de Football e a Federação Metropolitana de Desportos. Seus campeões:

1935/SP – Santos (profissional, oficial), Portuguesa (profissional, pirata)

1935/Rio – Botafogo (profissional, oficial), América (profissional, pirata)

1936/SP – Palestra Itália (profissional, oficial), Portuguesa (profissional, pirata)

1936/Rio – Vasco (profissional, oficial), Fluminense (profissional, pirata)

Como podemos ver, ao contrário de 33 e 34 todos os campeões do ano são equipes consideradas grandes em seus estados. Logo, nenhum desses títulos são esquecidos na contagem oficial das respectivas federações estaduais.

A situação de esquecimento é tão grave que mesmo o Juventus parece não entender o status do título que ganhou. Na página oficial do clube, informam secamente que foram campeões paulistas amadores, quase dando a entender que era um título de categoria inferior. Ora, todos os campeões pré-1933, em todo o Brasil, eram amadores!

Já o Albion nem existe mais para se defender.

Resta apenas aos que amam o futebol guardar esses fatos com cuidado, e divulgarem sempre que puderem.

 

Seguem alguns escudos de Niteroi, e peço que prestem bastante atenção em uma coisa: eu jamais vi o escudo do Guarani, apenas a descrição. Nós, que gostamos de escudos, sabemos o quanto é difícil o “escudo descrito”. Um a um:

Sport Club Elite – O clube foi fundado no dia 7 de setembro de 1925, por iniciativa de Fernando Simões de Figueiredo, carioca e aparentemente endinheirado, e junto com um grande grupo de desportistas também carioca decidiu montar sua sede na Rua da Conceição, 7, Centro de Niterói (o casarão ainda existe… procurem no Google Maps, quem estiver interessado).O porquê de futebolistas cariocas decidirem montar seu clube em Niterói? Não sei.

O clube entrou na Associação Fluminense de Esportes Athleticos em 1926 e, arrasadoramente, conquistou o campeonato, aplicando sonoras goleadas nos tradicionais times da cidade. Naturalmente, despertou muito rancor entre os niteroienses, pois além de muitos jogadores alvinegros serem nascidos e ter residência na cidade do Rio, um grande número chegava a jogar, também, em clubes cariocas. Por tudo isso, o Elite ganhou a fama de “club carioca infiltrado”. Puro bairrismo?

Mas os efeitos da “carioquice” desandaram logo em 1927: passada a empolgação inicial com a criação de um novo clube, sócios e jogadores cariocas do Elite “enjoaram” de viajar para o outro lado da baía e o clube sofreu uma esvaziada. Tornou-se saco de pancadas e saiu da AFEA em 28 ou 29, aproximadamente. O clube simplesmente sumiu do noticiário.

Comentando sobre o clube, com minha mãe, ela se lembra de já ter escutado algo da mãe dela sobre um certo “Clube Elite” na Rua da Conceição, porém um clube social, onde tinha música, bailes etc. Talvez seja o mesmo e tenha sido esse o destino do Elite, afinal, minha avó nasceu em 1931, e teria lembranças dele já numa fase não-esportiva. Infelizmente minha avó já faleceu, e nunca pude perguntar nada a ela…

Seu uniforme: camisas em listras alvinegras verticais bem finas (estilo “riscadinho”) e calções brancos.

 

Internacional Football Club – Fundado em 1919/20, sua sede ficava em São Domingos. O clube rubro-negro mudou de nome em 1926 para Flamengo Sport Club. Depois sumiu.

Seu uniforme, enquanto Internacional, eram camisas listradas na vertical rubro-negras e calções brancos. Quando tornou-se Flamengo, adotou uniforme idêntico ao homônimo carioca, porém sem as iniciais bordadas no peito. Não sei se o escudo do Flamengo Sport Club seria parecido com o do CRF…

 

Guarany Football Club (*) – Geralmente chamado de “Vovô do Futebol Niteroiense”, o Guarany foi fundado como Guanabara Football Club em 30/06/1908, deixou de existir or alguns anos e foi reerguido em 1912. Foi fundado por iniciativa de um padre e alunos do Colégio Salesiano de Niterói, e a idéia fundadora era inspirada no Mackenzie College, de São Paulo.

Aí vem a grande dúvida: o uniforme do clube, isso é fato, sempre foram camisas vermelhas. Nos anos 10, li a seguinte descrição da camisa: “vermelha, com uma esfera branca no peito e as iniciais, idêntico ao modelo do Mackenzie College”. Porém o Mackenzie College não usava iniciais, mas inicial, no singular. Seria o escudo do Guarany branco com um G? Alguém que entenda de futebol paulista sabe se o Mackenzie já teve um escudo redondo com mais iniciais?

Nos anos 20, já li que “o Guarany usa camisa e escudo idênticos ao América”. Sei que o América inspirou-se no Mackenzie, em relação à camisa, mas e o escudo?

Para confundir mais ainda, uma terceira informação: quando entrevistei o sr. Raulzinho, ex-jogador do Fluminense de Niterói, em 2007/08, perguntei sobre clubes antigos de Niterói e ele me informou que o Guarani, que ficava entre Santa Rosa e Icaraí, disputava apenas torneios juvenis nos anos 40, informação procedente, e tinha camisa rubra, idem. Perguntado se ele se lembrava como era o escudo, ele me falou que era “parecido com o do São Cristóvão, só que vermelho e branco”. Desenhei para ele o escudo do São Cri-Cri, para facilitar a memória, e ele me confirmou que era esse o escudo mesmo. E agora? Seria um escudo dos anos 40? Ou ele confundiu com outro Guarani?

Ficam as dúvidas em aberto.

(*) Amigos, uma pequena adição: em 1926 o Guarany Football Club mudou de nome para Club Athletico São Bento, ao se mudar para a rua Mem de Sá, pertinho do Campo São Bento. Em 1934, aproximadamente, o clube voltou a se chamar Guarany, pois seus sócios acharam que o nome “São Bento”, com o qual o clube apanhava mais do que outra coisa, “dava azar”. Nos anos 40 o Guarany estava na rua Lemos Cunha, também pertinho do campo.

 

Como os amigos bem sabem, na segunda metade dos anos 20 tanto o futebol carioca quanto o paulista estavam dividido em duas ligas.

No Rio de Janeiro, a antiga Liga Metropolitana de Desportos Terrestres, abandonada pelos grandes clubes (incluindo o Vasco, que só a defendeu em 1924) e a CBD, em paralelo com a poderosa Associação Metropolitana de Esportes Athleticos, esta afiliada pela CBD desde 1924.

Em São Paulo existia a Associação Paulista de Esportes Athleticos, que permaneceu filiada à CBD, e a Liga dos Amadores de Football, criada pelo Paulistano e disputada também pelos tradicionalíssimos AA das Palmeiras, Germânia e Internacional, gigantes da primeira fase do futebol paulista.

Como sempre aconteceu, entidades que estavam “do mesmo lado” confraternizavam. E assim, LMDT (Rio) e LAF (SP) disputavam amistosos entre seus clubes e seleções.

Para a sorte do Paulistano, a atual Federação Paulista reconhece os campeonatos da LAF. Para azar do Engenho de Dentro, Modesto e outros campeões da LMDT depois que esta foi desfiliada, a FFERJ não reconhece seus títulos – com exceção do Vasco em 1924, único grande campeão da “fase desfiliada”.

Em 15 de Janeiro de 1928 a seleção da LMDT – sim, com jogadores dos clubs suburbanos do Rio – massacrou a seleção da LAF por 5 a 0, em uma prova de que, talvez, o problema do Paulistano e demais clubes da LAF com a APEA fosse mesmo o “amadorismo marrom”, e não o suposto “elitismo” desses clubes – afinal, a LMDT era formada por clubes suburbanos e atletas “populares”. Por que razão os clubes da elite de São Paulo confraternizariam com suburbanos cariocas?

O fato é que seleção carioca entrou em campo com esse quadro:
Princesa (Campo Grande);
Leal (Modesto) e Lerruth (Modesto);
Sá Pinto (Americano), Moysés (Mavilis) e Molla (Modesto);
Rhodas (Modesto), Ennes (Metropolitano), Pio (Modesto), Renato (São Paulo e Rio) e Doca (Campo Grande).

A partida foi disputada no campo da A.A. das Palmeiras, e teve como convidado de honra o Sr. Antônio Prado Jr., prefeito do Distrito Federal, que acompanhou a partida ao lado dos diretores do C.A. Paulistano. Cada tempo de jogo foi apitado por um juiz: o primeiro tempo por um da LMDT e o segundo por um da LAF.

Ao final do jogo os cariocas venceram os paulistas por 5 a 0, gols de Ennes, Pio e Nestor (contra) no 1º tempo, Sá Pinto e Moysés no 2º tempo.

A escalação dos paulistas:
Nestor; Bé e Faria; Abate, Rueda e Alves; Laert, Alceu, Friedenreich, Seixas e Zanella

 

No dia 18 de agosto de 1912 no bairro do Fonseca, Niterói, um grupo de desportistas fundou o Ypiranga Football Club. As cores escolhidas para a fundação foram o azul e branco, e o primeiro uniforme camisas brancas com uma faixa horizontal azul (semelhante ao do Olaria).

O Ypiranga não obteve grande sucesso nos anos 10, com exceção de um título de terceiros quadros na LSF em 1916, mas era considerado um clube respeitável, oferecendo jogo duro aos favoritos nos torneios locais.

O Ypiranga se tornaria rubro-negro apenas em 1921. No dia 3 de abril daquele ano o clube niteroiense recebeu a visita ilustre do poderoso Flamengo, campeão carioca, em disputa de uma taça amistosa, chamada Taça Maurício de Medeiros (equivocadamente listada em vários sites sobre o Flamengo como “Taça Ypiranga”). A partida foi disputada no campo do Byron, e o Flamengo venceu por 4 a 1.

Após a disputa o Ypiranga, que já vinha cogitando mudar de cores (Canto do Rio e Barreto já eram azuis), decidiu adotar as cores e uniforme idênticos ao do Flamengo: camisas listradas rubro-negras com monograma branco. O escudo, porém, era diferente: em metades rubro-negras, com o monograma no centro e contorno branco, muito semelhante ao do Fluminense (nota: na verdade, por um breve período antes de usar o famosíssimo escudo listrado, a seção terrestre do Flamengo chegou a utilizar um escudo idêntico ao do Fluminense. Talvez pela rivalidade, o Flamengo omita o fato – mas quem é pesquisador e já se deparou com esse escudo, certamente levou um susto).

Outro ano importante para o Ypiranga é 1925: o clube fez uma fusão – na verdade absorção – com o América F.C. niteroiense e ficou com a sede e campo desse, entre as ruas São Lourenço e Indígena, no bairro de São Lourenço, de onde nunca mais sairia. O nome da rua motivou seu apelido e seu mascote: “O Clube Indígena”.

Em casa nova, logo em 1926 o clube começaria a sua fase dourada, vencendo o título da Associação Nictheroyense. No mesmo ano conseguiria uma vitória impressionante: 2 a 1 sobre o Botafogo, que fora a Niterói em disputa amistosa.

O clube seria vice em 1927 e 1928, este último doído, após perder os pontos de uma partida decisiva para o Byron – os ypiranguenses jamais se conformariam, e se entitulariam campeões morais desse ano para sempre, frequentemente com apoio da imprensa.

A tristeza seria amenizada com um grande tricampeonato, em 1929/30/31, lembrando que o título de 1930 foi dividido com o Fluminense Atlético. O ano de 1929, então, foi impressionante: o clube goleava impiedosamente os seus adversários niteroienses, por 8, 9, 10 gols, com um desempenho infernal da dupla de ataque Manoelzinho e Oscarino. Falando neles, em 1930 o clube ainda teve a glória, provavelmente jamais igualada, de ser o único clube de Niterói a ceder jogadores para a Copa do Mundo, quando os dois craques ypiranguenses foram convocados.

Outra seleção, a niteroiense, teve bem mais que um dedo do Ypiranga: quase metade dos atletas da Seleção de Niterói tetracampeã estadual de 1928/29/30/31 eram do Ypiranga.

Outro momento marcante do clube foi em 1931: o clube transformou o campo da Rua São Lourenço no Estádio Luso-Brasileiro, e inaugurou os refletores com uma partida amistosa contra o São Cristóvão, então forte equie carioca. O resultado: vitória rubro-negra por impressionantes 11 a 5!

Embora o uniforme “flamenguista” seja famoso, é curioso lembrar que no período mágico de 1928 a 1931 o clube utilizou um outro padrã de uniforme: inteiramente vermelho com uma faixa horizontal preta e escudo no peito, sendo que a separação entre o vermelho e preto do escudo e do uniforme ficavam perfeitamente alinhados. Completavam o uniforme os calções brancos e golas e punhos negros, uma combinação muito bonita. Talvez o Ypiranga tentasse ter uma “cara” mais própria, lembrando que o padrão era o mesmo da fundação. Porém, a partir de 1932, o uniforme “flamenguista” foi readotado e, até onde sei, jamais mudado novamente (embora com um detalhe curioso: uma tendência a usar golas vermelhas, ao contrário das comumente negras dos flamenguistas).

Em 1934 o Ypiranga tornou-se um clube profissional, e conquistou os títulos dessa categoria de Niterói em 1935 e 1936. O clube poderia ter participado do campeonato dos campeões da FBF, mas o Aliança, de Campos, foi em seu lugar em episódio que motivou tensão entre a liga de Niterói e a Federação Fluminense, e levando o clube a abandonar o profissionalismo já em 1937.

Na década de 40 o clube diminuiu o ritmo. Embora continuasse forte, desenvolveu uma tendência a decepcionar e terminar em segundo ou terceiro lugar… Apenas em 1949 quebrou o jejum, conquistando um emocionante título em final contra o Fonseca.

Em 1953 arriscou-se novamente no profissionalismo: foi campeão em 1958, mas antes de disputar as finais do estadual desistiu do regime remunerado, cedendo sua vaga ao vice Manufatora, que ironicamente conquistou o título máximo do Estado do Rio. De volta ao amadorismo, foi campeão em 1965 e 1967, e já sem o mesmo prestígio e dinheiro, decidiu abandonar as competições adultas em 1970. Totalmente falido, perdeu o Estádio Luso-Brasileiro em 1975, e em seu lugar hoje existe uma subestação de energia elétrica. Parte da sede, o ginásio, também foi desmontada, e hoje existem lojas por lá.

Mantendo apenas uma modesta sede e sem campo, o Ypiranga montou equipes infantis e juvenis nos anos 70 e 80, de forma cada vez mais esporádica, até que um belo dia parou de funcionar.

Não se sabe exatamente quando o clube foi extinto, já que a morte do Ypiranga deu-se “aos poucos”, ou mesmo se está realmente extinto – afinal, se a extinção não foi decidida em assembléia, existem sócios perdidos por aí, ou a posse do terreno ainda está inscrita ao Ypiranga, o clube tecnicamente ainda existe. Só se sabe que a sede está lá, entre as ruas Indígena e São Lourenço, completamente vazia e abandonada, com uma placa de “aluga-se”. Uma lembrança de um clube que foi muito forte em um breve período, e tornou-se um nada em tempo recorde.

A quem interessar, digitem “Rua São Lourenço, 16, Niterói” no google maps e vejam o Street View.

 

O Barreto Football Club foi fundado no dia 14 de julho de 1912 por funcionários da Cia. de Phosphoros de Segurança Fiat Lux, no bairro Barreto, Niterói. Disputou em 1914 o torneio organizado pelos clubes de Niterói, e a partir de 1916 do campeonato instituído pela Liga Sportiva Fluminense, comandante do esporte no antigo Estado do Rio de Janeiro.

O clube rapidamente tornou-se um dos mais fortes da cidade. Rivalizava enormemente com o Byron Football Club, também do Barreto, no chamado “Clássico da Zona Norte”, rivalidade que talvez só fosse equiparada a entre Canto do Rio e Fluminense Atlético, o “Clássico da Zona Sul”. As partidas entre Barreto e Byron arrastavam multidões nos anos 20-30, quando a torcida de Niterói era preferencial pelos clubes locais, e um pouco dessa rivalidade foi vivida pelo craque Zizinho, revelado no Byron. Os jornais destacavam, ainda, que o Barreto possuía mais torcida do que o Byron.

O mascote do clube era o leão – aliás, o apelido do Barreto era “Leão do Norte”, e sua antiga sede, na rua General Castrioto, era ornamentada com duas estátuas de leão, logo na entrada. Suas cores eram o azul escuro e branco, e como uniforme camisas inteiramente azuis e calções brancos, embora em algumas ocasiões o clube tenha usado uniforme listrado.

O Barreto conquistou a divisão principal da Liga Sportiva Fluminense em 1921 e 1923, além dos torneios início de 1919, 1920, 1924 e 1925. Foi ainda campeão de segundos quadros em 1919 e 1920 e de terceiros quadros em 1917, 1918, 1921 e 1923. Após o deslocamento dos clubes de Niterói para uma liga municipal, venceu o torneio de segundos quadros em 1932 e 1933 – lembrando que alguns títulos nos anos 30 não estão devidamente pesquisados, talvez o clube tenha outras conquistas.

Em 1941 o clube tomou uma decisão arriscadíssima, e pouco conhecida: disputou com o Canto do Rio uma vaga no Campeonato Carioca de Profissionais. Para isso, o Barreto se endividou até a alma montando uma caríssima equipe profissional. No fim das contas o Canto do Rio foi o escolhido, e o Barreto teve que usar a sua equipe no campeonato niteroiense de amadores, onde liderou boa parte do campeonato mas refugou no final, ficando o título com o recém-criado Icaraí F.C.

Em 1942 a situação financeira do clube era insustentável, e o Barreto foi obrigado a fechar as portas, aos 30 anos de idade e deixando uma grande torcida no bairro órfã. Alguns remanescentes do Barreto fundaram o Cruzeiro Atlético Clube, usando as mesmas cores, mas esse clube, de pouco sucesso, nunca ousou reinvidicar o espólio do Leão do Norte.

 

Caros amigos,

Em primeira mão, uma “ilustração” do uniforme (com escudo) do Icaraí Futebol Clube, o “bicho-papão” niteroiense dos anos 40. Fiz a montagem no photoshop, a partir de blusas comuns…

De 1941 a 1943, o Icaraí utilizava camisa branca com o escudo bordado em linhas vermelhas, calções pretos e meias listradas vermelhas e brancas. Não sei o porquê do calção ser preto, se as cores oficiais do clube eram o vermelho e o branco… Quando enfrentava alguma equipe alva (como o Humaitá), o Icaraí utilizava camisas vermelhas, com o escudo invertido (padrão do América).

Em 1944 o clube passou a utilizar a camisa com listras largas alvirrubra. Porém, o calção continuou preto, lembrando muito o uniforme do Estudiantes.

Não sei a data exata de fundação, apenas o ano: 1940.

Em 1941 o clube estreou no campeonato niteroiense, já sendo campeão.

Em 1942 o clube disputou o campeonato fluminense (que valia pelo ano de 41), e ganhou o título de forma arrasadora. No niteroiense, foi bi-campeão.

Em 1943 o clube empatou os três jogos contra o Esperança, e foi eliminado do campeonato fluminense (de 42) por um regulamento estranho: renda. Como o clube não tinha torcida, foi eliminado. Mas, como consolação, sagrou-se tricampeão no niteroiense.

Em 1944 o clube conquistou o seu segundo título fluminense, válido por 1943. Mas no niteroiense, pela primeira vez, não ganhou.

Em 1945 o clube se retirou do campeonato de Niterói, por considerar o campeonato deficitário, e tinha planos de oficializar a sua equipe profissional e pleitear uma vaga no campeonato carioca. Porém, em 1946 o decreto do presidente Dutra fechou todos os cassinos, e o clube, ligado ao Balneário Casino Icaraí, foi desmontado.

 

 

Em 1932 o Sport Club Boa Vista – o “Alviverde do Alto” – conquistou o campeonato da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Muito embora a LMDT fosse descendente direta da primeira liga de futebol do Rio de Janeiro, a Liga Metropolitana de Football, esse título permanece largamente ignorado. O motivo: todos os seus participantes eram clubes pequenos.

A LMDT foi desfiliada pela Confederação Brasileira de Desportos em 1924. Naquele ano o Vasco da Gama conquistou o título, histórico, sendo o único ano da “era sem filiação” atualmente lembrado na galeria de campeões da FERJ.

Curiosamente, no mesmo período o estado de São Paulo também possuía duas ligas, APEA e LAF. A Liga de Amadores de Football (LAF), liderada pelo Paulistano, estava “do lado” da LMDT nesses anos difíceis. As seleções e clubes das duas ligas se enfrentavam amistosamente – e algumas partidas são memoráveis, como o inusitado encontro entre Paulistano e Campo Grande (o primeiro) em 1929, com esmagadora vitória paulista por 9 a 2, ou ainda a vitória da seleção carioca da LMDT sobre a seleção paulista da LAF por 4 a 3 em 1926 – isso mesmo, uma seleção carioca com jogadores de Modesto, Campo Grande e Engenho de Dentro venceu uma seleção com jogadores de Paulistano, Germânia e AA das Palmeiras. Talvez a LAF não fosse tão elitista assim…

Para o bem da história, São Paulo reconhece seus campeões da Liga Amadora de Football. Já o Rio de Janeiro só reconhece parte da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Por mais fraca que fosse em seus anos finais, o limbo jamais será justo.

Voltando ao ano do título do Boa Vista, 1932, o último antes da LMDT ser absorvida pela profissional Liga Carioca de Football.

 

PARTICIPANTES

Foram 13 as equipes participantes. Os favoritos, primeiro:
- Sport Club Boa Vista, o Alviverde do Alto da Boa Vista, que fazia boas campanhas desde seu ingresso na Liga, em 1929
- Magno Football Club, o Azulino de Madureira, também favorito
- Oriente Atlético Clube, os camisas rubras de Santa Cruz, campeão de 1931 e que tantos títulos conquistaria no Departamento Autônomo
- Sportivo Santa Cruz, campeão de 1930, de rápida e marcante trajetória no futebol da Zona Oeste

Dos que poderiam fazer um bom papel:
- Curva do Mattoso F.C., que durante o campeonato mudou de nome para Sportivo Campo Grande, sem relação com o Campo Grande atual ou o anterior, cuja participação era uma incógnita
- Sport Club Campinho, do bairro homônimo
- Sudan A.C., de Cascadura
- S.C. São José, de Magalhães Bastos

E os que eram considerados zebras:
- Deodoro A.C., do bairro homônimo
- Esperança F.C., de Santa Cruz
- Vasquinho F.C., do Engenho de Dentro
- Triângulo Azul F.C., do Centro
- Rio-São Paulo, de Madureira, considerado forte candidato à lanterninha

Desses, apenas Boa Vista, Oriente e São José ainda existem…

 

RESULTADOS

E, com início em 26 de Junho, o campeonato apresentou os seguintes resultados:

26/Jun

Boa Vista 1-0 T. Azul
Campinho 2-1 São José
C. do Mattoso 3-1 Oriente
Deodoro 0-2 Magno
Esperança 1-2 Sportivo S.C.
Sudan 3-3 Vasquinho

03/Jul

Magno 1-0 Sudan
Oriente 1-0 Rio-S.Paulo
Sportivo S.C. 1-2 Campinho
São José 1-2 Boa Vista
T. Azul 1-0 C. do Mattoso (cancelled, remarcadi para 27/Nov)
Vasquinho 4-3 Esperança

10/Jul

Boa Vista 2-1 Oriente
Deodoro 1-1 Vasquinho
Esperança 1-1 Campinho
Magno 3-0 Sportivo S.C.
Sudan 1-1 T. Azul
Rio-S.Paulo 1-3 C. do Mattoso

17/Jul

Campinho 1-0 Rio-S.Paulo
C. do Mattoso 2-3 Magno
Deodoro 1-1 Oriente
Sportivo S.C. 3-2 Sudan (cancelado, não chegou a ser remarcado)
T. Azul 1-1 São José
Vasquinho 0-0 Boa Vista

24/Jul

Boa Vista 1-2 C. do Mattoso
Magno 3-2 Vasquinho
Oriente 2-2 Esperança
São José 1-1 Sportivo S.C.
Sudan 2-2 C. do Mattoso
Rio-S.Paulo 1-0 T. Azul

31/Jul

Campinho 1-1 Sudan (cancelado, remarcado para 6/Nov)
C. do Mattoso n/d São José (adiado)
Esperança 2-3 Magno
Sportivo S.C. 2-1 Deodoro
T. Azul 3-3 Oriente
Rio-S.Paulo 1-3 Boa Vista

07/Ago

Campinho 3-1 Vasquinho
Deodoro 2-0 Rio-S.Paulo
Sportivo S.C. 1-1 Oriente
São José 4-1 Esperança
Sudan 2-2 Campinho

14/Ago

Campinho 1-0 Oriente
C. do Mattoso 3-1 Deodoro
Esperança 3-0 Rio-S.Paulo
Magno 3-1 T. Azul
Sportivo S.C. 4-1 Vasquinho
São José 3-5 Sudan

21/Ago

Boa Vista 5-0 Esperança
C. do Mattoso 2-1 T. Azul
Deodoro 0-0 São José
Magno 2-0 Campinho
Vasquinho 3-1 Oriente
Rio-S.Paulo 3-2 Sportivo S.C.

28/Ago

Boa Vista 2-0 Sportivo S.C.
Campinho 0-0 Deodoro
Esperança 1-1 C. do Mattoso
São José 2-2 Magno
Sudan 3-0 Rio-S.Paulo
T. Azul 1-2 Vasquinho

04/Set

Boa Vista 2-1 Deodoro
C. do Mattoso 2-0 Campinho
Oriente 1-2 Sudan
Vasquinho 3-0 São José

11/Set

Boa Vista 1-0 Sudan
Campinho 2-1 T. Azul
Deodoro 4-1 Esperança
Magno 2-1 Rio-S.Paulo
Sportivo S.C. 2-1 C. do Mattoso
São José 1-1 Oriente
Rio-S.Paulo 3-3 Vasquinho

18/Set

Boa Vista 4-2 Campinho
C. do Mattoso 4-3 Vasquinho
Esperança 2-2 Sudan
Oriente 2-2 Magno
T. Azul 2-3 Sportivo S.C.

25/Set

Magno 0-1 Boa Vista
T. Azul 4-0 Deodoro

09/Out

Boa Vista 2-0 São José
Campinho 3-1 Sportivo S.C.
Deodoro 0-WO T. Azul
Esperança 3-2 Vasquinho

02/Out

Magno 2-1 Deodoro
Oriente 4-2 C. do Mattoso
Sportivo S.C. 2-1 Esperança
São José 2-1 Campinho
T. Azul 2-4 Boa Vista
Vasquinho 2-2 Sudan

09/Out

Sudan 0-1 Magno
Rio-S.Paulo 3-4 Oriente

16/Out

Campinho 1-1 Esperança
C. do Mattoso 5-0 Rio-S.Paulo
Oriente 3-2 Boa Vista
Sportivo S.C. 1-2 Magno
T. Azul 0-1 Sudan
Vasquinho 5-1 Deodoro (*)

(*) O Deodoro abandonou o campeonato. Partidas restantes, contra Boa Vista, Campinho,Curva do Mattoso, Oriente, Esperança, Sportivo Santa Cruz, Sudan (2 jogos), São José e Rio-São Paulo contabilizadas como WO.

23/Out

Boa Vista 2-1 Vasquinho
Magno 1-1 C. do Mattoso (*)
São José 4-1 T. Azul
Sudan 2-2 Sportivo S.C.
Rio-S.Paulo 1-2 Campinho

(*) Em 28/Out o Curva do Mattoso mudou de nome: Sportivo Campo Grande

30/Out

Sp. C.Grande 7-2 Boa Vista
Esperança 0-1 Oriente
Sportivo S.C. 5-1 São José
T. Azul 4-2 Rio-S.Paulo
Vasquinho 2-3 Magno

06/Nov

Boa Vista 0-WO Rio-S.Paulo (*)
Campinho 4-2 Sudan
Magno 2-0 Esperança (*)
Oriente 3-0 T. Azul
São José 2-4 Sp. C.Grande

(*) Rio-São Paulo foi suspenso do campeonato. Partidas restantes, contra Vasquinho, Esperança, Magno, São José (2 jogos), Sudan e Sportivo Santa Cruz contabilizadas como WO. Mais tarde, nesse mês, o Esperança também abandonou, e jogos contra C. do Mattoso, Boa Vista, São José, T. Azul (2 jogos) e Sudan também contabilizados como WO.

13/Nov

Sp. C.Grande 6-0 Sudan
Oriente 1-2 Sportivo S.C.
Vasquinho 0-1 Campinho

20/Nov

Oriente 1-1 Campinho
Sudan 1-2 São José
T. Azul 0-1 Magno
Vasquinho 1-1 Sportivo S.C.

27/Nov

Campinho 0-0 Magno
Oriente 2-3 Vasquinho
T. Azul 2-2 Sp. C.Grande (não terminado, conclusão em 24/Jan)

04/Dez

Magno 2-1 São José
Vasquinho 3-1 T. Azul (*)

(*) Triângulo Azul abandonou. Partidas contra Sportivo Santa Cruz e Campinho contabilizadas como WO.

11/Dez

Campinho 0-0 Sp. C.Grande
São José 3-2 Vasquinho
Sudan 0-1 Oriente

18/Dez

Sp. C.Grande 4-2 Sportivo S.C.
Oriente 0-WO São José (*)
Sudan 0-8 Boa Vista

(*) São José decidiu não disputar a partida restante, contra Sportivo Campo Grande (WO). Depois, Sportivo Santa Cruz e Oriente também abandonaram. As partidas restantes (Magno-Oriente, Sportivo-Boa Vista and Sportivo-Sudan) foram consideradas WO.

31/Dez

Campinho 0-3 Boa Vista
Vasquinho 4-1 Sp. C.Grande

08/Jan/1933 Boa Vista 3-1 Magno

24/Jan/1933 T. Azul 0-WO Sp. C.Grande(*)

(*) Minutos restantes do jogo de 27/Nov, mas o Sportivo Campo Grande não compareceu.

………………………….P   G   W   D   L  GF  GA  GD
1. Boa Vista …………..41  24  20   1     3  50   22   28 … campeão
2. Magno ……………..40  24  18   4     2  41   22    19
3. Sp. C.Grande …….34  24  15   4     5  55    31   24
4. Campinho …………31  24  12    7    5  29    26    3
5. Sportivo S.C. ………26  24   11   4    9  34    33    1
6. Oriente …………….25  24    9   7    8  35    34    1
6. Sudan ………………25  24    9   7    8  28    42  -14
8. Vasquinho …………..24  24    9   6   9   51    46     5
9. São José ……………23  24    9   5  10  29    36    -7
10. T. Azul …………….13  24    5   3  16  23    37   -14
10. Esperança ………..13  24   4   5  15  22     36   -14
12. Deodoro …………..10  24   3   4  17  13     23  -10
13. Rio-S.Paulo ………..7  24    3   1  20  16    38   -22

A partida final, entre Magno e Boa Vista, decidiu o título.

O Magno tinha 40 pontos e o Boa Vista 39, portanto, o Magno só precisava de um empate para ser o campeão. Mas o jogo era no campo do Boa Vista, na Estrada das Furnas. Os dois times entraram em campo com os seguintes jogadores (na época, não havia substituição):

Boa Vista – Capeto; Gigante e Bahiano; Manolo, Viveiros e Sinhô; Antoninho, Almeida, Sapo, Congo e João.

Magno – Guilherme; Canhoto e Lourival; Citto, Cavallaria e Gerê; Lindo, Noca, Gereba, Camisa e Joaquim.

Juiz: Sr. Antônio Drummond

A partida foi emocionante. Logo aos 15 minutos o Boa Vista abriu o placar, com um belo chute de João. Porém o Magno conseguiu empatar, com gol de Gereba. No segundo tempo, Sapo fez de cabeça após cruzamento e colocou o Boa Vista de novo na frente do placar. Porém os minutos finais seriam de tensão. O Magno pressionava, tentando o empate (que lhe daria o título) a qualquer custo, e o Boa Vista tentava segurar o placar. Aí veio o lance que decidiu tudo. Sinhô, jogador de linha, salvou uma bola que entraria no gol do Boa Vista, e armou o contra-ataque fulminante. Antoninho recebeu a bola e, com a defesa do Magno aberta, fuzilou: 3 a 1, e título para o “Alviverde do Alto”.

MAGNO 1 x 3 BOA VISTA
Data – 08 / 01 / 1933
Local – Estrada do Furnas (Rio de Janeiro – RJ)
Árbitro – Antônio Drummond
Gols – Gereba p/o Magno; João, Sapo e Antoninho p/o Boa Vista
Magno – Guilherme; Canhoto e Lourival; Citto, Cavallaria e Gerê; Lindo, Noca, Gereba, Camisa e Joaquim.
Boa Vista – Capeto; Gigante e Bahiano; Manolo, Viveiros e Sinhô; Antoninho, Almeida, Sapo, Congo e João.

 

Mais um escudo inédito dos clubes participantes do campeonato fluminense, do antigo Estado do Rio, pesquisado pelo historiador Auriel de Almeida.

Heróis Futebol Clube disputou o campeonato niteroiense profissional em 1960 e 1961, considerados também como classificatórios para as finais do estadual. Mais um clube do bairro do Fonseca, seu uniforme era listras verticais alviverdes e calções brancos.

 

Fonte: Auriel de Almeida.

 (*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista”, do editor Rodolfo Kussarev.

Como já publicamos no artigo do Pery AC, em 1960 e 1961, o Fonseca, clube do mesmo bairro, foi declarado Tri-campeão fluminense  e classificando para as  Taça Brasil de 1959, 1960 e 1961.

 

 

Como é de praxe, o pesquisador e historiador Auriel de Almeida fez um belo levantamento. Desta vez  sobre o Campeonato Carioca e as ligas que organizaram a competição em mais de um século. No final, um ranking das equipes que mais vezes disputaram o Carioca.

 De 1915 a 1924 o campeonato foi organizado pela Liga Sportiva Fluminense (houve outra liga, Associação Fluminense de Desportos Terrestres, em 1917). A LSF exigia que todos os jogos fossem disputados em Niterói, o que afastava o interior do campeonato (exceto São Gonçalo), e por essa razão a mídia preferia considera essa competição um mero campeonato de Niterói.

 Em 1925 surgiu a Associação Fluminense de Esportes Athleticos, que organizou sozinha o campeonato a partir de 1926. Permitindo que cada clube mandasse os jogos em suas cidades, foi mais respeitada enquanto competição estadual.

 Em 1928 o campeonato trocou os clubes por seleções municipais, devido à pressões das ligas do interior.

 Em 1941 a AFEA fundiu-se com a rival profissionalista FFE (fundada em 1933) e tornou-se a Federação Fluminense de Desportos, e organizou o bem-sucedido Campeonato Fluminense de Campeões Municipais, em formato de Copa.

 A partir de 1945 clubes e seleções disputavam o campeonato ao mesmo tempo, e à exceção de 1945 apenas seleções foram campeãs a partir deste momento.

 Em 1952 começou o campeonato estadual de profissionais (organizado pelo Departamento Estadual de Profissionais – DEP), e nesse mesmo ano foi disputado um campeonato extra (há dúvidas se esse campeonato era contado junto aos outros).

 Entre 1953 e 1955 os campeões de Niterói e Campos não disputaram o estadual do DEP, e foi disputado um supercampeonato entre o campeão profissional fluminense e os campeões municipais profissionais niteroiense e campista, a princípio para apontar o verdadeiro campeão fluminense – mas em 1962 a FFD passou a reconhecer ambos como campeões compartilhados. A mídia se dividiu entre os campeões, alguns julgavam os supercampeões os verdadeiros campeões fluminenses, outros os campeões do DEP conforme originalmente estabelecido.

 Em 1956 o DEP foi fechado e foi criado o campeonato por zonas. Nesse ano as finais não foram disputadas, e não está claro se os finalistas Campos, Serrano, Central e Guarani foram proclamados campeões divididos.

 Em 1963 a Zona Centro foi organizada mas não conseguiu ser disputada, e o Goytacaz sagrou-se campeão por falta de um adversário na final. Em 1964 a Zona Centro finalmente foi disputada, mas houve um entrave burocrático pois nos papéis aquela zona pertenceria à temporada de 1963 (embora totalmente disputada em 1964), e o Americano exigiu ser proclamado campeão estadual enquanto – teoricamente – único campeão profissional de 1964. A FFD “contornou” a briga declarando o Americano campeão de 1964 mas promovendo um “super” com o Eletrovapo, que venceu a disputa entre as equipes. A mídia ficou do lado do Eletrovapo, considerando-o o único campeão da temporada.

 Em 1976 os estados já estavam fusionados, mas as federações carioca e fluminense permaneceram separadas. Americano, Volta Redonda e Goytacaz disputavam o campeonato da Federação Carioca como convidados, e parte da mídia preferia chamar o enfraquecido campeonato da FFD de “Campeonato de Profissionais do Interior”.

 Em 1978 a FFERJ foi criada, mas organizou dois campeonatos distintos – um da capital e outro do interior. O título estadual de 1978 seria disputado no começo de 1979 entre os melhores do campeonato da capital e do interior, mas a FFERJ desvinculou essas competições e transformou esse título extra em “Campeonato Especial de 1979″. Por essa razão os campeonatos da capital e do interior de 1978 são considerados como os últimos campeonatos representativos da Guanabara e do antigo Estado do Rio.

 Não é claro se a FFD contava como equivalentes todas as competições acima (campeonatos da LSF, AFEA, Campeonato de Campeões Municipais e Era Profissional) ou se contava apenas de determinada fase para baixo.

TOTAL DE PARTICIPAÇÕES EM CARIOCAS – 1906 a 2012

Nº.      CLUBES                              EDIÇÕES

Fluminense

108

Botafogo

107

América

102

Flamengo

101

Bangu

097

Vasco da Gama

091

São Cristóvão

071

Madureira

066

Olaria

062

10º

Bonsucesso

058

11º

Portuguesa

039

12º

Americano

037

13º

Campo Grande AC

029

14º

Volta Redonda

031

15º

Canto do Rio

024

16º

Andaraí

020

17º

Friburguense

019

18º

Cabofriense

014

19º

Goytacaz

013

20º

Itaperuna

012

21º

SC Brasil

011

22º

Vila Isabel FC

009

23º

SC Mangueira

008

24º

Rio Cricket

008

25º

Paysandu

007

26º

Carioca EC

007

27º

Boavista (Saquarema)

006

28º

Macaé Esporte FC

005

29º

Resende FC

005

30º

Duque de Caxias FC

005

31º

Nova Iguaçu FC

004

32º

América de Três Rios

004

33º

Syrio Libanez

004

34º

Mesquita FC

004

35º

Serrano  de Petrópolis

003

36º

Entrerriense FC

003

37º

Barreira (Saquarema)

003

38º

Americano (Vila Isabel)

003

39º

Riachuelo

003

40º

Tigres do Brasil

002

41º

Engenho de Dentro

002

42º

Confiança (Andaraí)

002

43º

Mavílis, do Caju

002

44º

Modesto

002

45º

River, da Piedade

002

46º

Nova Cidade (Nilópolis)

002

47º

ADN (Niterói)

002

48º

Palmeiras (São Cristóvão)

002

49º

Haddock Lobo

002

50º

Internacional

002

51º

São Paulo-Rio

001

52º

Fidalgo

001

53º

Everest (Inhaúma)

001

54º

Cocotá, da Ilha

001

55º

Metropolitano

001

56º

Helênico

001

57º

Campo Grande FC

001

58º

Paulistano

001

59º

Cardoso Moreira

001

60º

Esperança (Bangu)

001

61º

Mackenzie

001

62º

Jequiá (Ilha)

001

63º

Ramos

001

64º

Independência

001

65º

Germânia

001

66º

Cattete

001

67º

Football & Athletic

001

68º

Progresso

001

 

 

Atual

Pelas minhas andanças, pesquisando novas histórias, me deparei com uma foto intrigante, cujo texto dizia: “Petropolitano Foot-Ball Club – Campeões de 1927 – 2º Team”. 

 Contudo, ao confrontar os dados, as peças não se encaixavam, uma vez que em 1927, o Sport Club Internacional foi o campeão Municipal de Petrópolis ( o Petropolitano terminou na 3ª posição). Já no Campeonato Fluminense o campeão foi Grupo de Regatas Gragoatá, de Niterói (nessa competição, o Petropolitano sequer participou).

 Então recorri aos conhecimentos do Historiador e Pesquisador Auriel de Almeida, que esclareceu. Naquela época o “2º  Team”, no amadorismo, queria dizer ‘reservas’. Naquela época não tinha substituição, então quem não era escalado jogava uma partida preliminar, chamada ‘Segundos Teams’ ou “Segundos Quadros”.

Escudo de 1927

 Existia uma classificação paralela e o campeonato de segundos teams também valia taça. Eventualmente os times tinham até terceiros teams, de tantos jogadores e sócios.  Assim, o Petropolitano foi o Campeão do Campeonato de Petrópolis de 1927. Além disso, pela qualidade da foto fica comprovado que levantar a taça no 2º Team tinha uma importancia para o clube. 

Não confundir com ‘Aspirantes’, que eram atletas novos, que tinham ultrapassado a idade de juvenis, mas não tinham espaço no time principal. Jovens adultos, pode-se dizer que eram times Sub-23, e tentavam mostrar serviço no time de aspirantes almejando chegar ao principal (daí o nome, aspirar e almejar são sinônimos).

 

A narrativa sempre varia da quantidade de informações. Contar a história dos grandes clubes há uma gama de subsídios, possibilitando uma matéria rica. Mas quando a equipe é humilde, modesta e com poucas informações? Aí o que vale é contar com o carinho e o respeito que todos os times merecem ser tratados.

Seguindo esse enfoque, apresento mais um time esquecido e que foi “desenterrado” pelo Pesquisador e Historiador Auriel de Almeida: Marítimo Futebol Clube. Abaixo mais um escuro raro encontrado.

 

O time niteroiense ficava no charmoso Bairro de Charitas, localizado na Avenida Quintino Bocaiúva, sem número. O seu uniforme (desenho abaixo): camisa vermelha, calções brancos, mais um clube inspirado no América Football Club. Desenhado a partir de uma foto encontrada.

O Marítimo começou a ganhar algumas linhas nos jornais, nos anos 30, quando venceu a Sub-Liga da Associação Niteroiense de Esportes Atléticos (ANEA). Depois faturou alguns campeonatos da Segunda Divisão de Niterói nos anos 40 e só ganhou espaço com a separação do amadorismo com o profissionalismo na década de 50. Em 1957, o Marítimo Futebol Clube conquistou o Campeonato de Niterói, no amador, enquanto o Fonseca levou a taça no profissional.  

Da mesma forma como não há informação sobre a sua fundação, o Marítimo naufragou silenciosamente. Atualmente, existe o Aero Clube Charitas, na Avenida Quintino Bocaiúva, contudo não há nenhum indicio que os dois tenham alguma relação em comum. Assim, mais um time desapareceu dos gramados, mas, ao ser resgatado ganhou vida eterna no coração dos apaixonados pela historia do futebol carioca, fluminense e brasileiro.

 

Um ‘operário patrão’ na década de 40, foi o Esporte Clube Metalúrgico, de São Gonçalo. Respeitado na região, o clube ao lado Tamoio e do Mauá formavam o “Trio de Ferro” do futebol gonçalense. Fundado numa quinta-feira, no dia 4 de Agosto de 1938, o grande momento do Metalúrgico aconteceu em 1942, quando foi vice-campeão do Campeonato Fluminense.

O clube era muito querido pelos gonçalenses, inclusive o avô do Historiador e Pesquisador Auriel de Almeida foi jogador e sócio do clube, onde foi possível desenhar o escudo por meio da carteirinha do clube. Seu uniforme número 1 era: camisas azuis com golas vermelhas e calções brancos. Eventualmente jogava com um uniforme tricolor, semelhante ao segundo uniforme do Bahia (BA). O raro escudo está abaixo.

 Campeonato Fluminense de 1942

A competição contou com a participação de 16 clubes. A Região Sul Fluminense contou com seis representantes: Resende Futebol Clube (Resende); Barra Mansa Futebol Clube (Barra Mansa); Entrerriense Futebol Clube (Três Rios); Royal Sport Club (Barra do Piraí); Central Ferroviário Clube (Valença) e Riachuelo Esporte Clube (Paraíba do Sul).

No Norte Fluminense vieram três times: Goytacaz Futebol Clube (Campos); Ypiranga Futebol Clube (Macaé) e Cordeiro Futebol Clube (Cordeiro). Já a Região Serrana também contou com três equipes: Teresópolis Futebol Clube (Teresópolis); Petropolitano Football Club (Petrópolis) e Fluminense Atlético Clube (Nova Friburgo). Da Região Metropolitana dois clubes: Icaraí Futebol Clube (Niterói) e Esporte Clube Metalúrgico (São Gonçalo). A Baixada Fluminense um time: Esporte Clube Belford Roxo (Belford Roxo); da Região dos Lagos uma equipe de Cabo frio: Tamoyo Esporte Clube.

 

Na Primeira fase, o Resende e Barra Mansa empataram em 2 a 2, no sábado(13 de dezembro de 1942). No segundo jogo (20/12/42) no Estádio do Leão do Sul, novo 2 a 2. Melhor para o Barra Mansa, que avançou pelos critérios de desempate.   

Na Segunda fase, nas mesmas datas acima, o Entrerriense eliminou o Riachuelo; o Petropolitano passou pelo Teresópolis; e o Barra Mansa passou para a próxima fase ao bater o Centro Ferroviário, todos em dois jogos (ida e volta). Já o Fluminense de Friburgo definiu a sua passagem para a próxima fase ao golear o Cordeiro por 11 a 1, em casa.

Outro que não encontrou dificuldades foi o Icaraí que goleou o Belford Roxo: 4 a 0 e 3 a 0. O Goytacaz depois de golear o Ypiranga de Macaé por 8 a 2, no jogo de volta arrancou um empate em 2 a 2, e também seguiu na competição.

O classificado que mais sofreu foi justamente o EC Metalúrgico. Em dois jogos com 11 gols, o Metalúrgico bateu, for a de casa, o rival Tamoyo por 3 a 2 (13 de dezembro). Uma semana depois num grande jogo, o Metalúrgico conseguiu um empate em 3 a 3, diante de seus torcedores e festejou a suava vaga.

 

Metalúrgico elimina o Goytacaz

Se na etapa anterior, o Metalúrgico sofreu, na Terceira fase a situação foi ainda mais complicada. Afinal, o adversário era o temido Goytacaz de Campos. Contudo, o Metalúrgico não se intimidou e largou na frente, ao vencer em casa, no domingo (27/12/42) por 3 a 1. No jogo de volta, numa partida dramática, o Metalúrgico segurou o empate em 2 a 2 (03/01/43), no Estádio Ary de Oliveira e Souza, e garantiu a sua presença na fase semifinal.  

Após dois empates em 4 a 4 e 2 a 2, o Fluminense de Friburgo eliminou o Icaraí nos critérios de desempate. Já o Petropolitano não teve problemas para se classificar, ao vencer, em casa, o Entrerriense por 3 a 1 (10/01/43) e depois por 3 a 2 (17/01/43), em Três Rios.     

Outro que suou foi o Royal SC, que venceu o Barra Mansa por 4 a 2 (24/01/43), no Estádio da Chacrinha, em Barra do Piraí. Uma semana depois o Royal foi derrotado no Estádio Leão do Sul por 3 a 2, mas avançou as semifinais pelo saldo de gols: 6 a 5.  

 Nas Semifinais, parecia que o Metalúrgico viveria outro enorme obstáculo ao ser derrotado pelo Fluminense por 2 a 1, no domingo(27/01/43), em Nova Friburgo. Contudo, o que parecia ser um drama se transformou num show de bola. Diante da sua torcida, no domingo do dia 7 de fevereiro der 1943, o Esporte Clube Metalúrgico goleou o Fluminense por 7 a 3, chegando a inédita final do Campeonato Fluminense.

Na outra partida, o Royal SC não conseguiu tirar vantagem do fator campo e ficou no empate em 1 a 1 com o Petropolitano(07/02/43), no Estádio da Chacrinha, em Barra do Piraí. Porém, no jogo de volta (14/02/43), o Royal SC foi até Petrópolis e conquistou uma vitória heróica por 3 a 2, garantindo o seu lugar na decisão.    

 Na Decisão deu Royal SC

Após tantas superações, o EC Metalúrgico chegou confiante na decisão. No primeiro jogo de final, numa partida de sete gols, melhor para o Royal, que venceu o Metalúrgico por 4 a 3 (domingo: 21/02/43), no Estádio da Chacrinha, em Barra do Piraí.

A esperança agora estava no jogo de volta, onde o Metalúrgico contava com o apoio da torcida gonçalense para uma vitória simples para ficar com o caneco. Entretanto, no domingo do dia 28 de fevereiro de 1943, o Royal Sport Club foi melhor e venceu por 3 a 1, levando a taça para Barra do Piraí.

Apesar da derrota, o Metalúrgico foi um time guerreiro, que superou várias adversidades ao longo da competição, e encheu de orgulho os gonçalenses. O clube disputou ainda o Campeonato Fluminense de 1944 e 1945.

 

Seguindo a sugestão e compartilhando com os amigos a belíssima pesquisa feita pelo Pesquisador e Historiador Auriel de Almeida.  Na realidade o Fonseca conquistou 11 títulos na 1ª Divisão de Niterói (RJ). A lacuna dos quatro títulos a menos pode ser que na conta, tenham somando o famoso Tetracampeonato do Fonseca na categoria de Aspirantes, mas isso não é quadro principal.

 Vejam abaixo os Campeões Fluminenses / Niteroienses de futebol (1913 até 1974):
1913 – Guarany
1914 – Ararigboya (1)
1915 – Ararigboya
1916 – Parnahyba
1917 – Odeon (LSF) / Byron (AFDT)
1918 – Nictheroyense (LSF) / não concluído (AFDT) (2)
1919 – Fluminense
1920 – Fluminense
1921 – Barreto (3)
1922 – Byron
1923 – Barreto
1924 – Byron
1925 – Byron (LSF) / Serrano (AFEA) (4)
1926 – Ypiranga (LSF/FFE) / Elite (AFEA)
1927 – Gragoatá (AFEA) (5)
1928 – Byron (6)
1929 – Ypiranga
1930 – Ypiranga e Fluminense (7)
1931 – Ypiranga
1932 – Fluminense
1933 – Canto do Rio
1934 – Canto do Rio (ANEA) / Byron (LNF) (8)
1935 – Ypiranga
1936 – Ypiranga
1937 – Nictheroyense e Fonseca (9)
1938 – Fluminense
1939 – Fonseca
1940 – Fluminense
1941 – Icaraí (10)
1942 – Icaraí
1943 – Icaraí
1944 – Fluminense
1945 – Canto do Rio (11)
1946 – Humaitá
1947 – Fluminense
1948 – Canto do Rio
1949 – Ypiranga
1950 – Fonseca
1951 – Oliveiras
1952 – Cruzeiro
1953 – Fonseca (profissional) / não concluído (amador) (12)
1954 – Fonseca (profissional) / Canto do Rio (amador)
1955 – Fonseca (profissional) / Oliveiras (amador)
1956 – Serrano (profissional) / Cruzeiro Atlético (amador) (13)
1957 – Fonseca (profissional) / Marítimo (amador)
1958 – Ypiranga (profissional) / Heróis (amador) (14)
1959 – Fonseca (profissional) / Pery (amador)
1960 – Fonseca (15)
1961 – Fonseca
1962 – Fonseca
1963 – Eletrovapo (profissional) / Manufatora (amador) (16)
1964 – Eletrovapo (17)
1965 – Ypiranga
1966 – Bangu
1967 – Ypiranga
1968 – Canto do Rio
1969 – Manufatora
1970 – Manufatora
1971 – Espanhol
1972 – Espanhol
1973 – Espanhol
1974 – Tiradentes (18)

 

TOTAL DE CONQUISTAS:

Nº.

Equipes

11

Fonseca

10

 Ypiranga

08

Fluminense

06

Byron

06

Canto do Rio

03

CR Espanhol

03

Icaraí

03

Manufatora

02

Ararigboya

02

Barreto

02

Eletrovapo

02

Nictheroyense

02

Oliveiras

02

Serrano

01

Bangu

01

Cruzeiro Atlético (Barreto)

01

Cruzeiro de Pendotiba

01

Elite

01

Gragoatá

01

Guarany

01

Heróis

01

Humaitá

01

Marítimo

01

Odeon

01

Parnahyba

01

Pery

01

Tiradentes

 

  Esclarecimentos importantes:

(1) Por um equívoco de pesquisa, o título de 1914 já foi atribuído erroneamente ao Rio Branco, por ocasião do jogo Rio Branco 3×1 Ararigboya. Este jogo foi à rodada final do campeonato, mas o Ararigboya já era campeão, com muita antecedência. Por confusão de “rodada final” com “a final do campeonato”, entendeu-se que o Rio Branco tinha sido campeão, o que não foi verdade.

(2) Campeonato interrompido por conta da gripe espanhola, que fez muitas vítimas no Ararigboya, e jamais continuado. O Byron liderava o campeonato.

(3) Em várias matérias sobre a história do Canto do Rio é dito que o clube conquistou a sua primeira taça em 1921. Muitos entenderam tratar-se da taça do campeonato niteroiense, e por isso várias fontes colocam o clube como o campeão de 1921. Porém, o que Canto do Rio conquistou em 1921 foi uma taça amistosa contra o Fluminense (de Niterói), ficando longe do título niteroiense (fez uma má campanha, o campeão foi o Barreto).

(4) O Serrano era de Petrópolis. Os campeonatos, até então, valiam pelo título do Estado do Rio, mas eram quase sempre exclusivamente disputados por equipes de Niterói, o que conferia certa ambigüidade ao campeonato. Um bom exemplo é o torneio de 1925: Fluminense (de Niterói) e Serrano (de Petrópolis, o único clube de fora de Niterói na competição) terminaram empatados em primeiro lugar. No jogo-extra, o Serrano venceu e ficou com o título de “campeão fluminense”. Porém o Fluminense recebeu uma taça, como o “campeão de Niterói” – título, provavelmente, meramente simbólico de “melhor equipe da cidade”, já que o mesmo não consta em nenhuma relação encontrada de campeões da cidade.

(5) Em 1927, pela última vez, o campeonato foi diretamente organizado pela federação estadual. Até então ele valia, oficialmente, o título de campeão do estado, embora a opinião pública o considerasse municipal. De certa forma, pode-se dizer que valia pelos dois. Os campeonatos seguintes foram organizados por Sub-ligas ou departamentos da federação fluminense.

(6) O verdadeiro campeão de 1928 é o Byron. Byron e Ypiranga terminaram empatados na primeira colocação, mas o Byron conseguiria os pontos de um empate contra o Ypiranga e ficaria com o título. A insatisfação foi tamanha que no começo de 1929 os clubes disputaram uma taça amistosa, que a opinião pública considerou uma “decisão moral do título”, taça esta vencida pelo Ypiranga, que passou a se considerar o “verdadeiro campeão”, confundindo a vida de muito pesquisador… O fato é que o Byron é o campeão de 1928 e o Ypiranga de uma taça amistosa, e apenas isso.

(7) O Ypiranga liderava o campeonato, com certa folga, quando o mesmo foi interrompido por uma crise na federação niteroiense. A maioria dos clubes, liderada pelo Fluminense, optou por continuar o certame à revelia da entidade, disputando os jogos restantes da tabela. O Ypiranga não aceitou, preferindo aguardar o fim da crise. Assim sendo, pela tabela dos clubes “rebeldes” o Ypiranga perdeu vários jogos por W.O., e terminou na segunda colocação. Quando a entidade voltou da crise, declarou os jogos “independentes” como não-válidos, porém não os remarcou e decidiu encerrar o torneio sem esses jogos, com o Ypiranga na primeira colocação. O Fluminense protestou, e posteriormente foi proclamado co-campeão… Para atrapalhar as pesquisas, volta e meia alguma lista considera apenas o Ypiranga campeão ou apenas o Flu…

(8) O campeonato da ANEA só teve um turno realizado. O Canto do Rio foi declarado campeão, porém nenhuma lista posterior considera esse título. O campeonato da LNF, vencido pelo Byron, foi profissional.

(9) O campeonato de 1937 foi semiprofissional. Fonseca e Nictheroyense disputaram 4 jogos para desempatar o campeonato. Após Quatro empates seguidos, o título foi dividido. Algumas listas consideram apenas o Fonseca como campeão, sem explicação.

(10) O campeonato, a partir de 1941, oficialmente foi apenas amador, em respeito à lei dos Desportos de Getúlio Vargas. O Icaraí, porém, era descaradamente profissional (amadorismo marrom, melhor dizendo). Também em respeito à tal lei a liga de Niterói foi desmanchada e o campeonato passou a ser organizado por um departamento autônomo da federação fluminense.

(11) O Canto do Rio disputava o campeonato carioca com seu quadro profissional e o niteroiense com o amador.

(12) A partir de 1953 foi disputado um campeonato profissional e um amador, em Niterói, com clubes diferentes. Como os principais se tornaram profissionais todas às listas consideram como “o” campeão de Niterói desses anos apenas o profissional, esnobando o amador. Porém, coloco o amador como informação. O campeonato amador de 1953 teve pouquíssimos jogos, e não foi concluído.

(13) O Serrano de Petrópolis, a exemplo de 1925, foi participante solitário de um campeonato com clubes de Niterói. A título de curiosidade, não sei qual foi o “campeão moral” de Niterói desse ano, se Fonseca ou Niteroiense. No amador, o Cruzeiro Atlético Clube, do Barreto, chamado pela imprensa de “Cruzeiro Atlético” para diferenciar do Cruzeiro FC de Pendotiba, foi campeão.

(14) O Manufatora foi vice do profissional, classificando-se para as finais do Campeonato Fluminense, do qual seria campeão, com a desistência do Ypiranga.

(15) A partir de 1960 o campeonato foi unificado, com a adoção dos clubes amadores ao regime misto (semiprofissional).

(16) O campeonato profissional de 1963 não saiu do papel, e os clubes voltaram a disputar um campeonato amador (que foi resolvido na justiça, em uma briga pelo título entre Ypiranga e Manufatora). Em 1964, porém, o campeonato profissional de 1963 acabou sendo disputado. Porém houve confusão sobre há qual ano a competição profissional, vencida pelo Eletrovapo, deve fazer parte, se 1963 ou 1964.

(17) A partir de 1964, todos os campeonatos amadores, embora com alguns clubes profissionais ou semiprofissionais campeões, como Canto do Rio, Manufatora, Eletrovapo, Tiradentes, Espanhol, Bangu. Seus campeões, embora por vezes requisitassem, nunca participaram das finais dos campeonatos fluminenses profissionais, pois a FFD não aceitava a inscrição de campeonatos onde alguns clubes fossem amadores.

(18) Em 1974 o campeonato niteroiense, diretamente ligado á antiga Federação Fluminense de Desportos, foi disputado pela última vez. Depois o Departamento Niteroiense de Futebol (ex-Departamento Autônomo) foi fechado. Essa competição não teve relação com a participação do Tiradentes no campeonato fluminense de 1974 – as zonas centro profissionais da FFD dos campeonatos de 74 a 77 valiam taças avulsas. Em 1977 foi fundada a Liga Niteroiense de Desportos, exclusivamente amadora, e a mesma não considera os títulos do período “clássico” do futebol de Niterói.

 

 

 

O Centro Recreativo Espanhol de Niterói (escudo inédito acima) surgiu num período turbulento da história do nosso país. Afinal, quando 25 pessoas rapazes fundaram o clube na quinta-feira, no dia 26 de março de 1964, nem imaginaram que cinco dias depois aconteceria o Golpe Militar no Brasil, e que culminaram no dia 1º de abril, com um golpe de estado que encerrou o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, o Jango.

Jango havia sido democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) – na mesma eleição que conduziu Jânio da Silva Quadros do Partido Trabalhista Nacional (PTN) à presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN).

 

O golpe estabeleceu um regime alinhado politicamente aos Estados Unidos da América e acarretou profundas modificações na organização política do país, bem como na vida econômica e social. Todos os cinco presidentes militares que se sucederam desde então se declararam herdeiros e continuadores da Revolução de 1964. O regime militar durou até 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, indiretamente, o primeiro presidente civil desde 1960.

 

Voltando ao Centro Recreativo Espanhol de Niterói, foi idealização da comunidade galega para reunir os espanhóis residentes na cidade e nos municípios adjacentes. E a modalidade escolhida no início para ser o carro-chefe para atrair sócios foi o futebol.

O uniforme do Espanhol era idêntico ao da Seleção Espanhola: camisas vermelhas, golas amarelas, shorts azuis. No  seu escudo, o mapa representa a Península Ibérica (formada por:  Portugal, Espanha, Gibraltar, Andorra e uma pequena parte da França).

Nos anos 70, o Español fez bonito, ao conquistar o Tri do Campeonato de Niterói: 1971 – 1972 – 1973. Nesse período a equipe era semiprofissional. Apesar dos bons resultados do Espanhol no futebol, em 1972, um grupo de quinze espanhóis se juntou e comprou um terreno de 75.000 m2  em Itaipu (Niterói), para que fosse construída uma sede destinada às solenidades sociais e esportivas do Club. Aos poucos o clube se afastou do futebol profissional para dedicar-se a vida social. Longe do futebol, o clube decidiu mudar de nome e escudo em 15 de abril de 1981, passando a se chamar: Club Español de Niterói.

 

Escudo atual

 Site: http://www.clubespanol.com.br/

Pesquisador: Auriel de Almeida

Texto: Sérgio Mello

 

 Catalogando o Byron FC, do bairro do Barreto em Niterói, um dos clubes com mais títulos do campeonato fluminense, pesquisado e publicado pelo historiador e membro deste blog Auriel de Almeida.

 

Fonte: Auriel de Almeida.

 (*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista”, do editor Rodolfo Kussarev.

A seleção de Niterói foi campeã em 1928. O Byron foi campeão niteroiense neste, assim foi declarado como representante oficial do estado do Rio de 1928.

 

 

Tiradentes AC

O futebol niteroiense além de já ter revelado grandes jogadores, no começo do século passado era recheado de diversos times, como por exemplo, o Tiradentes Atlético Clube (antigo Grêmio Recreativo Social Desportivo Tiradentes). O time Alvinegro (escudo inédito acima) era um clube oriundo da Polícia Militar, ligado ao 5º Batalhão de Niterói (atual 12º Batalhão), conhecido carinhosamente como ‘Os Riscadinhos de Neves’, devido ao uniforme de listras finas verticais, embora que em 1974 o clube utilizava uma camisa inteiramente branca, com listras apenas no lado do escudo (semelhante ao uniforme do Campo Grande, na década de 60).

Um ponto intrigante está no porquê de ‘Neves’, já que o bairro Neves, é do município vizinho de São Gonçalo. Segundo as pesquisas em jornais da época, feitas por Auriel de Almeida, as reportagens consideravam Neves um bairro niteroiense. Já algumas pessoas que viveram aquele tempo, acreditam que Neves pertencia à Niterói, podendo ser um inter-bairro, e a ‘Polícia Militar do 5º Batalhão’ fosse subordinada à Niterói, e não ao de São Gonçalo.

Geografia à parte, o Tiradentes teve seu momento marcante em 1975. A equipe Alvinegra disputou o Campeonato Fluminense e por muito pouco não chegou à decisão, terminando na 3ª colocação com 13 pontos, um pontinho atrás do Americano (vice-campeão) e Sapucaia (campeão), ambos de Campos dos Goytacazes.

 A fase final da competição contou com a presença de seis times: Fluminense Atlético Clube, de Nova FriburgoTiradentes Atlético Clube, de Niterói, representando a ‘Zona Centro’; Americano de CamposEsporte Clube Sapucaia como os classificados da ‘Zona Campista’; e Associação Atlética Barbará, de Barra MansaClube Regatas Flamengo, de Volta Redonda como os representantes da ‘Zona Sul-Fluminense’.

Apesar de ter enfrentado equipes acostumadas à competição, ‘Os Riscadinhos de Neves’, não fizeram feio e honrando as tradições do futebol niteroiense por pouco não lutou pelo Caneco.

O Tiradentes teve dois momentos capitais, jogando em casa, onde poderia ter definido favoravelmente, o título ao seu favor. No primeiro, no dia 6 de abril, restando duas rodadas para o final, a equipe Alvinegra recebeu o Americano de Campos, no Estádio Caio Martins, e se vencesse pularia para a liderança, mas acabou empatando sem gols. E pela última rodada, recebeu o Barbará, em casa, precisando vencer, mas novamente ficou no empate em 1 a 1, dando adeus ao título.

Na disputa do título, as duas equipes campistas: Sapucaia e Americano terminaram iguais em tudo. Com isso, foram realizados quatro jogos para definir o campeão. No primeiro jogo, no dia 27 de abril, o Sapucaia saiu na frente, vencendo por 1 a 0, no Estádio Ary de Oliveira e Souza, gol de Osvaldo Guariba aos 15 minutos da primeira etapa.

Na segunda partida, no dia do Trabalhador (1º de maio), o Americano deu o troco vencendo pelo mesmo placar, no Estádio Godofredo Cruz. O gol da vitória foi assinalado por Adalberto aos 34 minutos do primeiro tempo. No terceiro encontro, no dia 4 de maio, as duas equipes não saíram do zero.

 Então, no quarto e último duelo, no dia 11 de maio, saiu o campeão. O Sapucaia goleou o Americano por 4 a 2, ficando com o título. A equipe rubro-negra campista encaminhou a conquista ainda no primeiro tempo, quando Valmir abriu o placar aos 14 minutos, depois Betinho ampliou aos 25, e novamente Valmir marcou o terceiro aos 34. Na etapa final, o Americano esboçou uma reação com dois gols em menos de 5 minutos: Messias diminuiu aos 4 minutos, e em seguida Chico fez o segundo. Contudo, Joaquinzinho fez o quarto aos 25 minutos, jogando uma ducha de água fria no ímpeto do Cano.

 A partida teve no apito Arnaldo Cesar Coelho, que sete anos depois seria o árbitro da final da Copa do Mundo de 1982 (Itália 3 a 1 na Alemanha). Apesar de a competição ser semi-amadora, um excelente público esteve presente no Estádio Ary de Oliveira e Souza: 10 mil pagantes, que proporcionaram uma renda de Cr$ 49.420,00.

Apesar da perda do título, o Americano teve o goleador máximo do torneio: Chico com 10 gols, uma a mais do que Gonzaga, do EC Sapucaia com nove.

EC SAPUCAIA: Roque, Charuto, Admilson, Folha e Albérico; Amaritinho e Joaquinzinho; Betinho, Valmir (Osvaldo Guariba), Toninho (Joélio) e Alcir.

AMERICANO FC: Bodoque, Guaraci, Zé Henrique, Luisinho e Capetinha; Adalberto (Jamil Abud), Ico e Messias (João Francisco); Tatalo, Chico e Paulo Roberto.

Veja abaixo, os resultados das 10 rodadas da fase final do Campeonato Fluminense de 1975:

PRIMEIRO TURNO DA FASE FINAL

1ª rodada (16 de fevereiro)

Barbará         0 x 1   Americano

Tiradentes     1 x 1   Sapucaia

Fluminense  1 x 1   Flamengo

 

2ª rodada (23 de fevereiro)

Americano    2 x 0   Flamengo

Barbará         0 x 2   Sapucaia

Tiradentes     5 x 1   Fluminense

 

3ª rodada (02 de março)

Flamengo     2 x 2   Barbará

Americano    2 x 1   Tiradentes

Sapucaia      3 x 0   Fluminense

 

4ª rodada (09 de março)

Barbará         2 x 1   Fluminense

Sapucaia      1 x 1   Americano

Flamengo     1 x 1   Tiradentes

 

5ª rodada (16 de março)

Barbará         0 x 0   Tiradentes

Fluminense  2 x 1   Americano

Flamengo     0 x 0   Sapucaia

 

SEGUNDO TURNO DA FASE FINAL

 

6ª rodada (23 de março)

Americano    2 x 2   Barbará

Sapucaia      0 x 1   Tiradentes

Flamengo     2 x 1   Fluminense

 

7ª rodada (30 de março)

Flamengo     1 x 5   Americano

Sapucaia      3 x 2   Barbará

Fluminense  1 x 2   Tiradentes

 

8ª rodada (06 de abril)

Barbará         2 x 0   Flamengo

Tiradentes     0 x 0   Americano

Fluminense  1 x 4   Sapucaia

 

9ª rodada (13 de abril)

Fluminense  0 x 1   Barbará

Tiradentes     2 x 1   Flamengo

Americano    1 x 1   Sapucaia

 

10ª rodada (20 de abril)

Tiradentes     1 x 1   Barbará

Americano    3 x 0   Fluminense

Sapucaia      3 x 1   Flamengo

Classificação da Fase Final:

Nº.

EQUIPES

PG

J

V

E

D

GP

GC

SG

EC Sapucaia

14

10

5

4

1

18

08

10

 2º

Americano FC

14

10

5

4

1

18

08

10

Tiradentes

13

10

4

5

1

14

08

06

AA Barbará

10

10

3

4

3

12

12

0

CR Flamengo

06

10

1

4

5

09

19

-10

Fluminense AC

03

10

1

1

8

08

24

-16

 

Pesquisador: Auriel de Almeida

Texto: Sérgio Mello

 

Mais um escudo inédito dos clubes participantes do campeonato fluminense, do antigo Estado do Rio, pesquisado pelo historiador Auriel de Almeida.

Em 1960 e 1961, aconteceram dois campeonatos citadinos profissionais, o da capital Niterói e o de Campos dos Goytacazes, e com as regras da Federação Fluminense de Desportos,  classificaram seus campeões para a decisão final, que definiu o campeão fluminense em cada ano, e o indicado do estado para Taça Brasil do ano seguinte.

O Pery Atlético Clube disputou o campeonato niteroiense profissional nestes dois anos, considerados também como classificatórios para as finais do estadual. O clube do Cubango “imitava-homenageava” o uniforme e o escudo do Botafogo carioca.

 

 Fonte: Auriel de Almeida.

 (*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista”, do editor Rodolfo Kussarev.

Em 1960, os finalistas foram o Fonseca AC, campeão niteroiense, e o Goytacaz FC, campeão campista. 

O Goytacaz não disputou perdendo por WO. O Fonseca foi declarado bi-campeão fluminense, pois já havia vencido também o título de 1959, e classificou novamente para a Taça Brasil de 1961.

 

Em 1961, os finalistas foram o Fonseca AC, campeão niteroiense, e o CE Rio Branco, campeão campista. 

O Fonseca venceu as finais, conquistando o título de tri-campeão fluminense e classificou novamente para a Taça Brasil de 1962.

 

 

Reeditando e corrigindo a catalogação com escudo inédito de um dos primeiros participantes do campeonato fluminense.

O Ararigboya Fottball Club foi pioneiro nos campeonatos niteroienses e fluminenses, sendo bi-campeão, no segundo e terceiro campeonatos. Participou de muitos campeonatos nas décadas de 10 e 20, para provavelmente ser extinto na década de 30.

 

Fonte: Auriel de Almeida.

(*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista, do editor Rodolfo Kussarev.

Segundo Auriel de Almeida, historiador e membro deste blog, esclarece que o pioneiro Ararigboya Fottball Club era alvi-verde, do bairro de Santa Rosa, conhecidos como os periquitos, e que desapareceu na decada de 30. O Araribóia Futebol Clube alvi-rubro era do Bairro de Fátima, sem relação com o anterior. Disputou mais campeonatos de basquete, e apareceu constantemente nos jornais fluminenses dos anos 40-60.

 

 

Escudo inédito dos clubes participantes do campeonato fluminense, do antigo Estado do Rio.

Em 1956 a Federação Fluminense de Desportos disolveu o DEP – Departamento Estadual de Futebol Prossifional com clubes do sul do estado e criou o DDP – Divisão Departamental de Profissionais,  o estado foi dividido em zonas agrupando um determinado numero de cidade e nas zonas onde houvessem clubes ou ligas profissionais seus campeonatos valeriam como chaves classificatórias para a disputa das finais estaduais. Se em algum ano apenas uma zona organizasse um campeonato profissional, o mesmo valeria também como campeonato fluminense (artigo 183 das normas técnicas da FFD). A partir de então, o campeão fluminense passou a ser conhecido a partir do cruzamento dos campeões das zonas da divisão estadual da FFD, que em algumas ocasiões por clubes bem-posicionados em suas ligas.

O Esporte Clube Guarani , do município de Duque de Caxias /RJ, foi o “Campeão da Baixada” em 1956, sendo sua única participação, na 3a Zona, conhecida como “Zona da Baixada”.

Fonte: Auriel de Almeida.

(*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista, do editor Rodolfo Kussarev.

 Com o atraso da conclusão da Liga Campista a FFD decidiu em nota oficial publicada em 1 fev 1957,  NÃO realizar a fase final entre os campeões, que seria composta pelo: EC Guarani de Duque de Caxias, Serrano de Petropolis, Campos AA e Central de Barra do Praí, campeões em seus respectivas Zonas.

 

 

Escudo inédito dos clubes participantes do campeonato fluminense, do antigo Estado do Rio.

São Pedro Futebol Clube, do município de São João do Meriti /RJ, participou tres vezes em 1956, 1957 e 1959, na 3a Zona, conhecida como“Zona da Baixada”. Hoje é um clube social e esportivo da cidade.

 

 Fonte: Auriel de Almeida.

(*)  O desenho do modelo utilizado para representar o uniforme foi redesenhado do “Guia Oficial 2009 do Campeonato Paulista, do editor Rodolfo Kussarev.

O antigo “Estado do Rio deJaneiro”, com todas as características peculiares da influencia da metrópole, antiga capital federal, fortaleceu ao longo de toda a sua história os campeonatos citadinos, dificultando a realização periódica e padronizada do seu próprio campeonato. O campeonato fluminense teve muitas formas de disputa, incluindo os períodos em que ocorreram os campeonatos de seleções municipais, com participações de seleções, e participações mista de seleções e clubes campeões citadinos, representando seu município. Em alguns anos não foram realizados, e foram considerados “Campeão do ano”, o campeão citadino mais importante deste. Vários campeonatos e seus respectivos campeões foram reconhecidos posteriormente aos respectivos anos. Dado a estas condições, é muito difícil a relação ano a ano dos participantes,  propiciando grandes margens para interpretações, ficando para cada pesquisador sua autoria e consideração.

 

Que o empate quádruplo no Rio-SP de 1966 e a impossibilidade de realizar um “super” ajudou as competições nacionais a finalmente adotar os gols como critério de desempate, todo mundo já sabe.

Mas e se essas regras já valessem, qual afinal seriam os “campeões morais”?

Vejamos:

Torneio Roberto Gomes Pedrosa (“Rio-São Paulo”) de 1964
Disputado em turno único, ao final do mesmo apontou Botafogo e Santos empatados na primeira colocação, com 7 vitórias e 2 derrotas cada. O desempate seria em melhor de três pontos, e o Botafogo chegou a vencer o primeiro jogo por 3 a 2, precisando apenas de um empate no segundo jogo – que nunca ocorreu.

Mas e se os critérios atuais fossem adotados?

Com igual número de vitórias, a decisão seria por “goal average”. Ambos os clubes fizeram 21 gols. O Botafogo, porém, tinha a melhor defesa: 9 gols sofridos, contra 12 do Santos. O que faria d’O Glorioso, nos dias de hoje, campeão sozinho.

Torneio Roberto Gomes Pedrosa (“Rio-São Paulo”) de 1966
Com a mesma fórmula da edição de 1964, o Torneio Rio-São Paulo de 1966 apontou quatro clubes empatados na primeira colocação ao final do campeonato, curiosamente os quatro alvinegros da competição – Botafogo, Vasco, Corinthians e Santos. Com isso, seria necessária a realização de um “Supercampeonato”, que nunca aconteceu, preferindo a CBD proclamar os quatro campeões empatados.

Mas e se os critérios fossem os mesmos de hoje?

Primeiramente, Vasco e Corinthians tinham mais vitórias (5) do que Santos e Botafogo (4), que ficariam para trás.

Na disputa pelo saldo de gols, o Gigante da Colina venceria por pouco. Foram 12 gols feitos e 11 sofridos, com saldo um. O Corinthians teve melhor ataque: 15 gols. Porém, também sofreu 15, zerando o seu saldo.

O Vasco, nos dias de hoje, seria campeão, à frente de Corinthians, Botafogo e Santos, nessa ordem.

Mas como todos sabemos, o “se” não entra em campo, e o que está na história, está na história…

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